<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085</id><updated>2011-07-31T02:51:45.382-07:00</updated><category term='conferencia'/><category term='Salvar o amor indefeso'/><category term='bispos'/><category term='Relação entre amor a Deus e amor ao próximo'/><category term='Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007'/><category term='Unidade do documento em perspectiva sobrenatural'/><category term='Ecologia'/><category term='A liberdade é &quot;sim&quot; ao nosso fim'/><category term='história como mistério cristão'/><category term='A Teologia do Corpo de João Paulo II'/><category term='Não se ensina filosofia mas se ensina filosofar'/><category term='&quot;realidade&quot; ou fé e vida em Cristo?'/><category term='Papai Noel- Natal'/><category term='Quem ama dá o que tem de melhor'/><category term='Ano Novo - Esperança (Spe Salvi)'/><category term='Doutrina social da Igreja'/><category term='que é?'/><category term='latinoamericanos'/><category term='Democracia'/><category term='natureza do direito em face ao positivismo'/><category term='Aparecida e social'/><category term='Qualidade de ensino'/><category term='Algo mais que Medellin na visão cristá'/><category term='Natureza do social'/><category term='Conferência dos Bispos de América-latina e Caribe'/><category term='Documento de Aparecida'/><category term='Filosofia do direito'/><category term='Encíclica Caritas in veritate'/><category term='história humana'/><category term='comentário 2'/><category term='Seguimento'/><category term='Doutrina Social'/><category term='história divina'/><category term='Defesa da vida - aborto'/><category term='Catequese e Sacramentos de iniciação cristã'/><category term='Começar com análises das conjunturas ou a partir de Cristo?'/><title type='text'>Também você é filósofo.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7688809094733213764</id><published>2011-04-24T17:34:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T17:35:11.392-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7688809094733213764?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7688809094733213764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7688809094733213764' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7688809094733213764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7688809094733213764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2011/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-2154040583501293755</id><published>2011-02-11T12:08:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T16:53:21.760-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seguimento'/><title type='text'>Seguimento de Cristo (2)</title><content type='html'>O texto anterior sobre esse tema permaneceu truncado. Importa aclarar algo mais. Começaria insistindo que a teologia cristã deverá saber referir tudo ao fato maior, à "fé e vida em Cristo". A consequência do que tenho postado no primeiro texto a respeito do que nos veio fazer Cristo, nos leva a dizer que o seguimento de Cristo não se refere a um ato extrínseco de seguir à frente ou atrás de Cristo. Nem sequer de seguir ao  lado de Cristo. Refere-se a ser parceiro livre de Cristo em tudo que fazemos.&lt;br /&gt;Quando Deus criou homem e mulher, disse: "façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gn 1,26). Ora, com a vinda de Jesus Cristo aconteceu uma "nova criação". Não somente nós, mas, de alguma forma, toda a criação é constituida "nova criatura", pois, "eis que tudo se fez novo!" (2Cor 5,17). Tudo segundo "um desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra" (Ef 1,10). A criação toda, com efeito, "na esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus, geme e sofre como que dores de parto até ao presente dia..." (Rom 8, 8,21-22).&lt;br /&gt;Com isso, no Novo Testamento, é como se Deus dissesse: &lt;strong&gt;façamos o homem à imagem e semelhança de meu eterno Filho!&lt;/strong&gt; "Filhos no Filho", como se acha nos documentos do Concilio Vaticano II.&lt;br /&gt;O seguimento de Cristo, nesta perspectiva, é entendido como um ser outro Cristo, como também um agir de Cristo. Tem-se dito com grande propriedade que o agir de uma pessoa, ordenada com o Sacramento da Ordem, acontece &lt;em&gt;in persona Christi, &lt;/em&gt;quer dizer essa pessoa faz às vezes de Cristo, encarna a pessoa de Cristo, fala como Cristo, como outro Cristo. Por isso, no sacramento da confissão e também na Eucaristia ele não diz "Deus te perdoa", ou "este é o corpo de Cristo", mas diz: "&lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; te perdoo" e, "isto é o &lt;strong&gt;meu&lt;/strong&gt; corpo".&lt;br /&gt;Todo cristão batizado, porém, participa de maneira distinta, mas real, de ser outro Cristo, a fim de também dizer palavras de Cristo. Sobretudo, na familia, os pais são habilitados a dizer palavras de Cristo a seus filhos. E assim em todo relacionamento entre cristãos.&lt;br /&gt;Portanto, como filhos de Deus, "nova criatura", somos todos vocacionados a sermos outro Cristo. Tenho, na pregação, provocado a hilaridade do público, ao afirmar que nossa vocação é de sermos "Jesuszinhos" no mundo.&lt;br /&gt;Acredito que com esse apelativo tenho ilustrado melhor o que significa o seguimento de Jesus. Seria a forma real, verdadeira, de representar Jesus. Não só por chamado e nomeação da parte dele, mas também por ter-nos feito "novas criaturas", "à sua imagem e semelhança", outro Cristo.&lt;br /&gt;Como "novas criaturas", mas sempre criaturas, a realidade de Deus não permite, entretanto, sermos mais do que instrumentos livres, parceiros livres do Cristo, constituidos pela participação de sua natureza, num gesto de sua infinita bondade (2Pd, 1,4).&lt;br /&gt;Portanto, o seguimento de Cristo é algo que não pode ser entendido como qualquer seguimento, mas é preciso entendê-lo num sentido único e singular.&lt;br /&gt;Jesus, felizmente, usou a imagem de grande significado, ao comparar o seguimento à relação existente entre o tronco e os ramos de uma videira. Os ramos darão muito fruto na medida em que se conservarem unidos ao tronco. Verbalmente, disse: "o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira". Assim, o evangelho de João, em pouco mais de vinte linhas repete a palavra "permanecer em mim" seis vezes. Com essa imagem dos ramos unidos ao tronco ele caracteriza de forma perfeita o seguimento (Jo 15, 1-8). Ler com muita atenção esse texto de João, traz para o que vimos acima verdadeira luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-2154040583501293755?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/2154040583501293755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=2154040583501293755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2154040583501293755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2154040583501293755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2011/02/seguimento-de-cristo-2.html' title='Seguimento de Cristo (2)'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3506518618940581349</id><published>2011-02-08T10:56:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T12:29:44.462-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seguimento'/><title type='text'>Seguimento de Cristo</title><content type='html'>A realidade do "Seguimento de Cristo", é hoje, repetida em toda parte. Na V Conferência dos bispos da América Latina e Caribe, em Aparecida, maio de 2007, Bento XV, no discurso de abertura deu o tom para os bispos reunidos, ao afirmar que "a fé e a vida em Cristo é prioritária". Os bispos parece que entenderam o recado e o traduziram no Documento final.&lt;br /&gt;Importa, dizer uma palavra sobre essa meta da vida cristã, o "seguimento de Cristo". Como poderíamos expressá-lo novamente, em busca de refazer em todos os que o buscam sua melhor compreensão?&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, proponho recordar que quando Deus age, também cria. E, ao criar, Deus é sempre generoso, magnânimo. Ele comunica às suas criaturas uma natureza com capacidade de agir e de recriar. No vasto gênero da vida, por exemplo, todo ser vivo é constituido de capacidade de ação, de produzir efeitos proporcionais à sua natureza. Ser vivo é ser capaz de agir, de se mover autonomamente.&lt;br /&gt;Esse autonomia, porém, por se tratar de criatura, nunca estará acontecendo em absoluta independência de seu criador. Nada pode acontecer de forma absolutamente autônoma. Só o Criador goza de absoluta autonomia. Mas tudo o que é criado não pode arrogar-se tal autonomia. Daí que a primeira consideração de toda criatura deve levar em conta esse fato de absoluta dependência. A revolta contra Deus, sempre foi libertária, coisa impossivel e absurda para a criatura.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, quando Deus, em sua infinita bondade, nos "recriou" em Jesus Cristo, foi novamente magnânimo. Enriqueceu nossa natureza de criatura, de uma "sobre-natureza". Uma sobrenatureza que não é "sobre", mas que informa nossa natureza de uma realidade nova capaz de nos fazer agir de forma nova. Assim se diz que devemos nos "com-formar" em Cristo, tendo ele nos feito "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4). Jesus expressou-o de outra maneira, dizendo que deveríamos "nascer de novo" Esse prodígio, Jesus disse que aconteceria  "pela água e pelo Espírito Santo" (Jo 3,1s).&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, é nessa perspectiva que acontece o "Seguimento de Cristo". Isto é, Jesus, dando-nos outra vida, vida nova, pois "todo aquele que está em Cristo, é uma nova criatura" (2Cor 5,17), ele sinalizou o seguimento. O seguimento, desde esse momento do "nascer de novo" se tornou um seguimento de parceria. Aqui verte a missionariedade. Entretanto, sendo nós "novas criaturas", seremos aqui também e sempre criaturas, dependentes em todo nosso agir. Deus não pode abdicar de ser Deus, Absoluto. Nada poderá acontecer fora de sua realidade de ser Deus, nem ser algum e muito menos algum agir.&lt;br /&gt;Em quarto e último lugar, aqui reside a maior de todas as controvérsias na história da Igreja. Isto é, como é possível que dois agentes, Deus e seu parceiro, ambos agentes livres produzirem a mesma ação missionária, sem se repartirem as tarefas e também, é evidente, sem considerá-las relacionando-se com independência e por vínculos mais ou menos externos, como sejam a "dialética", ou "articulação. Há um só caminho de relação. É o caminho da dependência. Nós, parceiros livres, agimos dependentes da causa primeira e universal de tudo quanto acontece. Um exemplo material é o seguinte: O músico toca toda a música e o instrumento musical toca também toda a mesma música, mas na dependência. Sendo, entretanto, que nós somos livres e Deus é sumamente livre, como se compaginam duas causas livres? Não pode ser numa dependência como o instrumento musical depende do músico. Aqui há dependência na composição da música e também na execussão. Qual a resposta?  Nossa dependência instrumental, deve reger-se pela atitude da criatura racional e livre que, por ser criatura,  depende essencialmente tanto no ser como no agir. Essa atitude tenho-a expresso com quatro palavras chaves: 1) "intimidade". Isto é, se dependemos também no plano, no projeto, devemos conhecê-lo e para isso devemos entrar na intimidade de Deus. 2) "docilidade". Se é plano de Deus, é preciso dispor-se. Para tanto, suplicar os dons da sabedoria e da fortaleza. 3) Só assim  acontecerá o  SEGUIMENTO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar, sendo nós "parceiros" na missionariedade, surge o eterno problema&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3506518618940581349?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3506518618940581349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3506518618940581349' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3506518618940581349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3506518618940581349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2011/02/seguimento-de-cristo.html' title='Seguimento de Cristo'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-4877093195885758324</id><published>2010-05-27T07:58:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T07:59:29.253-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Doutrina Social'/><title type='text'>A nova Encíclica, tratado de antropologia</title><content type='html'>A nova encíclica, tratado de antropologia&lt;br /&gt;Achylle Alexio Rubin&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:achyllerubin@yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse título, “tratado de antropologia”, a meu modo de ver, define e resume toda a nova encíclica de Bento XVI, Caritas in veritate. Se alguém buscar lê-la e entendê-la, melhor a entenderá sob essa luz, uma antropologia da pessoa como ser social.&lt;br /&gt;O enfoque da encíclica é o social. Trata-se de uma encíclica social, na esteira de uma série de cerca de dez que, desde a Rerum novarum de Leão XIII, de 1891, vieram sendo publicadas pelos papas que se sucederam até nossos dias.&lt;br /&gt;Importante é considerar que o social antes de tudo pertence à antropologia da pessoa individua, porque representa um componente de sua própria natureza. Os antigos filósofos gregos, com efeito, definiram a pessoa como um “ser político”, isto é, social. O Bem Comum que fundamenta o social é um fator interno à pessoa, componente da pessoa que simultaneamente é de todos e, sendo de todos, é também e, em primeiro lugar, da pessoa. Dele nascem os princípios básicos de qualquer ação social: a justiça, a solidariedade, a subsidiaridade, a gratuidade, o dom.&lt;br /&gt;Todo o arcabouço das estruturas sociais vem a ser fruto, derivação da natureza humana, fundamento último de toda ordem social. A encíclica cita, em o número 57, um princípio universal, tirado do documento do Concilio Vaticano II: “Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo” (Cf Gaudium et spes, nº 12). Uma verdadeira antropologia, portanto, deverá saber orientar tal ordem universal, tendo o homem como centro e fim de tudo.&lt;br /&gt;Mas isto não basta, pois, assim como todo ser tende à conservação de sua existência e todo ser vivo tende à conservação da espécie, o ser racional vai mais longe, busca insaciavelmente a verdade e o amor, como necessidades primeiras. Verdade e amor pertencem à própria essência do ser humano, de tal sorte que é só por aí que se atingem objetivos verdadeiramente “humanos e humanizantes” (nº 9). A Doutrina Social da Igreja, portanto, orienta toda a sua vasta consideração pela “centralidade da pessoa”.&lt;br /&gt;Dia 13 de maio de 2004, o ainda Cardeal Ratzinger, atual Papa, fez uma conferência diante do Senado italiano, na qual afirmou:&lt;br /&gt;“A dignidade da pessoa e de seus direitos, não são criados pelos legisladores, nem são conferidos aos cidadãos, mas antes existem por direito próprio, e devem sempre ser respeitados pelo legislador, pois, são atribuídos ao mesmo cidadão como valores de ordem superior”. Noutras palavras, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, não são concessão benévola de ninguém.&lt;br /&gt;A própria filosofia nos diz que o fato maior que constitui a consciência do ser humano consiste na consciência de sua conservação no ser e de seu pleno desenvolvimento. Temos aqui, na consciência, os fundamentos dos direitos naturais da pessoa, pois tal consciência testemunha que se trata de uma verdadeira posse de si que ninguém poderá violar. É o primeiro e mais profundo sentido de propriedade privada e do direito em geral. Toda ditadura, entretanto, que viola os direitos humanos, começa por violar essa posse primeira, para depois partir para a violação dos demais direitos de posse.&lt;br /&gt;A outra dimensão dos “valores de ordem superior” é a que se funda no transcendente, em Deus, já que “Deus é o garante do verdadeiro desenvolvimento do homem, pois, tendo-o criado ‘à sua imagem’, fundamentou também sua dignidade transcendente e alimentou o seu anseio constitutivo de ‘ser mais’” (nº 29).&lt;br /&gt;Aqui a antropologia da encíclica se eleva e se complementa ao nível mais alto da teologia, da revelação de Deus, registrada nas primeiras páginas da Bíblia.&lt;br /&gt;Coisa maravilhosa! Lida sob essa luz, a luz de uma abrangente antropologia, a nova encíclica, Caritas in veritate, ganha um sentido amplo, falando do homem como ser social. E então, vale a pena repetir e meditar a afirmação do documento do Concílio Vaticano II, Gaudium et spes:  “Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo...”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-4877093195885758324?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/4877093195885758324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=4877093195885758324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4877093195885758324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4877093195885758324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2010/05/nova-enciclica-tratado-de-antropologia.html' title='A nova Encíclica, tratado de antropologia'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-271494325840416672</id><published>2010-05-27T07:49:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T07:51:15.325-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Doutrina social da Igreja'/><title type='text'>A Nova Encíclica Social</title><content type='html'>A nova encíclica social&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se de encíclica uma longa carta, de 150 a 200 páginas que o Papa envia a toda a Igreja Católica, bispos, padres, religiosos e fieis em geral. Nessa carta são tratados assuntos de orientação para a melhor compreensão da doutrina da Igreja e para o melhor agir de todos os fieis.&lt;br /&gt;Celebramos no dia 29 de junho o primeiro aniversário da terceira carta encíclica do Papa Bento XVI, tratando da Doutrina social da Igreja. O título das encíclicas é tirado de suas primeira palavras. A atual se intitula Caritas in veritate, a caridade na verdade.&lt;br /&gt;Desde 1891, com a publicação da encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, os Sumos Pontífices vieram publicando periodicamente encíclicas sociais. Assim, quarenta anos após a Rerum Novarum, em 1931, Pio XI publicou uma encíclica comemorativa que leva o nome de Quadragesimo Anno. Inícios da década de sessenta, João XXIII publicou duas encíclicas sociais, a Mater et Magistra e a Pacem in Terris. Em 1971, comemorando os oitenta anos da Rerum Novarum, Paulo VI publicou a encíclica Octogésimo adveniens. Antes disso, porem, o mesmo Papa publicara, em 1967, uma importante encíclica social com o título Populorum progressio. João Paulo II, entre outros grandes documentos de orientação social, publicou um primeiro, comemorando os 20 anos da Populorum progressio, com o título Sollicitudo rei socialis. A seguir comemorou os cem anos da Rerum novarum, com a encíclica Centesimus annus.&lt;br /&gt;Esses foram os grandes momentos de orientação social dos Papas, desde o fim do século XIX. Alguém poderia perguntar-se, por que orientações tão repetidas sobre a ordem social no mundo? Acontece que, de época em época, as condições sociais vão tomando nova fisionomia. Hoje, por exemplo, vivemos com a novidade do fenômeno mundial da globalização. O próprio titulo da primeira grande encíclica de Leão XIII, de 1891, significa “das coisas novas...”. As coisas novas eram na época, o surgimento da era industrial com os enormes problemas do proletariado indefeso, antes das leis de proteção social e em vista das ideologias que nos últimos vinte anos demonstraram suas através de seus fracassos.&lt;br /&gt;O objetivo primeiro apontado na nova encíclica, Caritas in veritate, está expresso no fim de sua introdução, onde o Papa nos diz que “pretende prestar homenagem e honrar a memória do grande Pontífice Paulo VI, retomando os seus ensinamentos sobre o ‘desenvolvimento humano integral’... para os atualizar nos dias que correm”.&lt;br /&gt;Bento XVI dá a essa encíclica de Paulo VI, Populorum progressio, um grande relevo, dedicando-lhe todo o primeiro capítulo, depois de dizer que “é minha convicção que a Populorum progressio merece ser considerada como a Rerum novarum da época contemporânea, que ilumina o caminho da humanidade em vias de unificação”(nº 8).&lt;br /&gt;A nova encíclica já foi objeto de grandes atenções por parte de especialistas que lhe descobriram valores preclaros. Fundamentando na caridade toda a ordem social, tira também importantes conclusões para a ordem econômica em gravíssima crise.&lt;br /&gt;Por exemplo, o jornal romano, Corriere della sera, publicou que “o economista italiano Ettore Gotti Tedeschi, expoente dos maiores grupos bancários mundiais, propôs outorgar ao Papa Bento XVI o Nobel de Economia”. E, qual o motivo? O Papa foi o único que levantou a questão do controle indiscriminado da natalidade como uma das principais causas da crise mundial em que estamos. Como assim? Ettore explica: “Tal controle da natalidade levou ao crescimento os custos fixos, como os impostos, e à diminuição da poupança e dos ativos financeiros. Entretanto, muitos analistas preferiram não aprofundar a origem “original” da crise porque tocar no tema da natalidade representa um tabu”. Vê-se que a Caridade na verdade é uma encíclica que, estudada, deverá mexer com muitos críticos político-sociais contemporâneos. Disse “estudada” porque ela não é uma obra de uma única leitura...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-271494325840416672?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/271494325840416672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=271494325840416672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/271494325840416672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/271494325840416672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2010/05/nova-enciclica-social.html' title='A Nova Encíclica Social'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-9161215146790275431</id><published>2009-08-24T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T17:18:11.228-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encíclica Caritas in veritate'/><title type='text'>Não só de matéria</title><content type='html'>Não só de matéria&lt;br /&gt;                                                                        Achylle Alexio Rubin&lt;br /&gt;                                                                                          achyllerubin@yahoo.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de ler um livro, cuja tradução italiana leva o título que encabeça esta crônica. Nesse livro o autor, Thomas Crean, professor de filosofia na universidade de Oxford/Inglaterra, analisa e contesta as afirmações superficiais e desfocadas do biólogo Richard Dawkins, em seu livro, aliás, best-seller, A ilusão de Deus. Oxalá essa obra de Crean seja logo traduzida ao português.&lt;br /&gt;Faço essa referência porque escrevi em crônica anterior que a nova encíclica social de Bento XVI, Caritas in veritate, representa um tratado de antropologia. Sabemos que a antropologia se ocupa do estudo do ser humano, de sua natureza. Pois bem, a nova encíclica fundamenta todas as suas considerações sobre valores que ultrapassam de muito os meros valores materiais. Se Deus fosse uma ilusão, como Richard Dawkins gostaria que fosse, então sim a humanidade continuaria vítima da incomensurável ilusão de alcançar preencher o anseio de amor e de felicidade com meros bens materiais, econômicos...&lt;br /&gt;A encíclica de Bento XVI, justamente em seu primeiro parágrafo, começa por nos dizer a evidência atestada até pelos filósofos pagãos, que são as virtudes de ordem espiritual, a caridade e a verdade, “a força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” (nº1).&lt;br /&gt;É interessante que, no andar de toda a encíclica, o Papa nos mostra que esses valores espirituais, pertencentes à verdadeira natureza do homem, são determinantes na solução dos problemas humanos, tanto os de ordem pessoal, quanto os de ordem social, política, econômica e financeira. Demonstra-nos que eles conduzem a uma feliz experiência, a experiência do dom, da gratuidade, que deverá sempre temperar os mecanismos econômicos da sociedade. Insiste que são as virtudes da caridade e da verdade que “colocam o homem perante essa admirável experiência do dom”.&lt;br /&gt;Se tal experiência não for ofuscada por “uma visão meramente produtivista e utilitarista da existência”,ela nos abre o espírito sedento de valores maiores, sedento de ‘ser mais’, para “a dimensão da transcendência”. Abrindo-se para a transcendência o homem se reconhece também dom em seu ser e em seu agir. Ele não é causa de si mesmo. Ele é dom, é gratuidade. Com isso ele se abre em louvor e ação de graças para o doador de todo dom.&lt;br /&gt;Privado de uma tal consciência, “o homem moderno se convence erroneamente, de que é o único autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. Trata-se de uma presunção, resultante do encerramento egoísta em si mesmo que provém... do pecado das origens” (nº 34).&lt;br /&gt;Sobre isso, Bento XVI cita o Catecismo da Igreja Católica nessa fundamental  sentença: “Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da ação social e dos costumes” (Catecismo, nº 407).&lt;br /&gt;Grave erro é não reconhecer que “a natureza ferida” é a origem do egoísmo, do sensualismo desenfreado, da ganância que, hoje, todos apontam como a principal causa da grande crise em que se debatem as nações.&lt;br /&gt;Acontece que “a convicção da exigência de autonomia da economia, que não deve aceitar ‘influências’ de caráter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos econômicos até mesmo de forma destrutiva..., e ainda a espezinhar a liberdade da pessoa e dos corpos sociais” (nº 34). Concluo, portanto, convidando o leitor a ler com atenção a nova encíclica de Bento XVI, Caritas in veritate. Meditemos e tiremos a conclusão que se impõe de que “não só de matéria”, ou, como Jesus contestou ao tentador: “não só de pão vive o homem” (Mt 4,4; Deut 8,3)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-9161215146790275431?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/9161215146790275431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=9161215146790275431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/9161215146790275431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/9161215146790275431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2009/08/nao-so-de-materia.html' title='Não só de matéria'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-5681446896678811737</id><published>2009-05-10T12:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T12:56:19.111-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Catequese e Sacramentos de iniciação cristã'/><title type='text'>Meditação para o ano catequético</title><content type='html'>Meditação para o ano catequético&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano catequético é também ocasião para meditarmos sobre a catequese. Tem-se escrito muito, ocorreram muitos estudos a respeito. Entendo, porém, que se deveria refletir sobre dados que julgo pouco levados em conta.&lt;br /&gt;Começo com uma pergunta que um candidato à vida consagrada me fez, há poucos dias: “Por que se batizam crianças, se elas não teem consciência da fé?”&lt;br /&gt;Respondi: tem-se dito que a criança é batizada na fé dos pais. Considero essa resposta verdadeira, mas deveria ser explicada. Acredito, com efeito, que a criança não só é batizada na fé dos pais, mas também na sua própria fé. Como assim? &lt;br /&gt;A criança biologicamente é um ser autônomo. Esse é um dos argumentos contra o aborto. Entretanto, por respeito à estrutura de seu caráter, estrutura psíquica, ética, moral e espiritual, a criança desde a concepção depende e já vai incorporando em si os elementos dessas áreas, incluída, sobretudo, a fé. Tudo isso a criança já possui incoativamente, recebido dos pais. A Renate Jost Soares, com sua intuição e trabalho tão sério e fecundo, que o diga.&lt;br /&gt;Assim, o inicio desses componentes essenciais para o ser humano, não exige necessariamente o uso da consciência, pois ele acontece antes mesmo. Até o uso pleno da consciência, o filho depende dos pais nas áreas do caráter, do comportamento e da fé. Não só depende, mas também recebe esses elementos dos pais. Aqui a autonomia vai acontecendo em momentos sucessivos.&lt;br /&gt;Os pais são assim ministros naturais e eficazes. Para tanto, receberam do Criador tal ministério, inscrito em sua própria natureza de pais. Trata-se ademais de um ministério indispensável e, mais do que indispensável, insubstituível!&lt;br /&gt;Nenhum outro método, nenhuma outra ação poderá substituir esse ministério dos pais, recebido do Criador, inscrito na própria natureza da paternidade e  maternidade. Agir contra a violência, por exemplo, não produz frutos. Seria preciso cuidar da raiz que condiciona a violência. O Texto-base da CF deste ano diz uma frase que deve ganhar mais espaço e relevo. Diz lá: “... a família forma o ambiente privilegiado e insubstituível para desenvolver a cultura da paz” (nº243).&lt;br /&gt;Essa frase nos sugere por associação o principio de subsidiaridade que Pio XI consagrou na encíclica Quadragesimo Anno. Subsidiário é algo “secundário”, que presta auxílio a outro principal. Assim a comunidade maior é apenas subsidiária por respeito à menor, isto é, só deve ser de auxílio naquilo que a menor não tem condições de conseguir. A menor é a primária, a maior, secundária, subsidiaria. Esta não pode tomar o lugar daquela.&lt;br /&gt;Quando levam a criança a ser batizada, os pais são exortados, tanto ao receberem a vela acesa, quanto ao serem abençoados. No primeiro caso o ministro diz: “...esta luz vos é entregue para que a alimenteis” e, no segundo, diz: “Deus... os abençoe, a fim de que...sejam os primeiros a dar aos filhos... o testemunho de sua fé em Jesus Cristo nosso Senhor”.&lt;br /&gt;Que tem a ver isso com a catequese?  Não é difícil de relacionar. A catequese não pode de forma alguma substituir os pais na educação da fé. O catequista não tem a competência natural para isso. Nunca fará o que só os pais podem fazer.&lt;br /&gt;Muitos se questionam donde vem a fé de uns em contraposição da falta de fé de outros. A experiência nos diz que os primeiros receberam a fé dos pais. É deles que normalmente recebemos a fé. É o caminho natural, dom de Deus inscrito na natureza.&lt;br /&gt;Não será, a falta de vinculação religiosa à família, a causa da queixa tão comum de que após a primeira eucaristia e, sobretudo, após o sacramento da Crisma, as crianças e adolescentes não voltam mais à Igreja?  E não há também a queixa a respeito das dificuldades inatas da pastoral da juventude? Não será porque as crianças e os jovens, aos lhes faltar essa vinculação familiar, se tornam quase impermeáveis aos valores ético-religiosos? &lt;br /&gt;Claro, Deus faz milagres, mas o caminho normal do agir de Deus são as “causas segundas”. Ao criar, ele enriqueceu as criaturas de capacidade de agir. E às criaturas racionais, deu a missão de educar os filhos para os valores ético-morais e religiosos. Os pais são a causa segunda na educação, sendo sempre Deus a causa primeira.&lt;br /&gt;Alega-se que os pais não cumprem com sua missão. Muito bem. Mas então por que não dar mais ênfase à pastoral familiar, em vez de substituir-se a eles? Para que despertem ao cumprimento de sua missão, entretanto, é importante que concretamente sejam estimulados a cumpri-la, com a prática da educação dos filhos na fé. Por que não restituir-lhes então também a prática de seu carisma, confiando-lhes a preparação para os sacramentos de iniciação cristã?&lt;br /&gt;Dir-se-á, que aos pais lhes falta o preparo para a catequese. Mas, e se não se tratasse de “dar catequese” aos filhos? O nome “catequese”, com efeito, possui uma conotação tão especializada e até complicada, depois de tantos estudos e tentativas de solução, que não se pode, é verdade, exigir dos pais tal formação. Mas, dizendo com toda a propriedade, para educar na fé basta uma só coisa: ter fé,! Que “sejam os primeiros a dar aos filhos... o testemunho de sua fé em Jesus Cristo nosso Senhor”.   É só isso que se precisa de imediato. A instrução, a catequese, deverá vir depois.&lt;br /&gt;Por ocasião da visita do Papa, maio de 2007, Bento XVI afirmou novamente que evangelizar não significa instruir, mas fazer outros participar da vida nova em Cristo. Pede-se aos pais só isso, evangelizar os filhos.&lt;br /&gt;Por que então não se poderia deixar aos pais a missão de preparar a criança para a eucaristia e conduzi-la, em dia à sua escolha, não à “primeira comunhão”, mas ao inicio da prática eucarística?&lt;br /&gt;Atualmente a catequese não se assemelha por demais à escola?  A escola  normalmente termina com formatura. De fato, muitos se perguntam se a “primeira comunhão”, como o dia do Crisma, não se parecem mais com uma formatura. Alcançado o “diploma”, as crianças e os jovens contentam-se com ele. Não voltam mais à igreja.&lt;br /&gt;Outra questão. Com a idade de 11, ou 12 anos, ainda lhe interessa a eucaristia a criança de hoje? São Pio X, há um século atrás, pedia que iniciasse aos 07 anos a participação na vida eucarística. Hoje, um século após, e depois de tanta evolução, não se deveria pensar em 05 ou 06 anos?&lt;br /&gt;Muitos temem que o número dos que fazem a primeira comunhão e a crisma irá com isso diminuir de muito. É verdade... Mas, e se a perseverança aumentasse, não seria muito mais importante?&lt;br /&gt;Não só os pais, mas toda a pastoral ganharia em estímulo para buscar a raiz dos problemas e não mais permanecer na aparência dos números. Responderiam assim, em profundidade, aos anseios inconscientes dos cristãos que inconscientemente também ameaçam fugir para outras denominações religiosas.&lt;br /&gt;Como me propus uma meditação para o ano catequético, não julgo necessário me alongar mais. São apenas alguns “pontos”, para serem considerados, com intenção de também ser uma proposta subsidiária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                       Pe. Achylle Alexio Rubin&lt;br /&gt;                                                                                  achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-5681446896678811737?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/5681446896678811737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=5681446896678811737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/5681446896678811737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/5681446896678811737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2009/05/meditacao-para-o-ano-catequetico.html' title='Meditação para o ano catequético'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7223860159190745125</id><published>2009-03-15T17:49:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:50:54.936-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história como mistério cristão'/><title type='text'>Visão cristã da história</title><content type='html'>Visão cristã da história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia da história ocupou-se arduamente em buscar um sentido para o desenrolar através dos tempos dos acontecimentos humanos. Não conseguiu, porém, estabelecer um consenso entre os estudiosos. Não obstante, surpreende que o paradigma “história”, ou “histórico”, tenha alcançado, na cultura atual, tanta importância no pensamento e no agir  das pessoas. &lt;br /&gt;Entretanto, a história, com a vinda ao mundo de Jesus, ganha, assim como toda a criação, um  sentido novo e original.&lt;br /&gt;Em verdade, o “sinal de contradição” e de “queda e soerguimento para muitos” (Lc 2,34) se manifestou logo no modo novo de julgar e agir daquele “Menino”. Essa novidade, com efeito, fez com que os homens do templo, como os próprios discípulos, tivessem tanta dificuldade para entendê-lo. Os primeiros não o suportaram e terminaram crucificando-o.&lt;br /&gt;Acontece que a alegoria da Caverna de Platão, entre outros significados, mostra que a sociedade não suporta alguém que venha tirá-la de suas ilusões. Platão deverá ter pensado em Sócrates. Muito mais, porém, devemos pensar em Jesus. Ele veio tirar-nos das ilusões da história, mostrando-nos que a história e a criação toda, começavam a ter, a partir dele, outro sentido.&lt;br /&gt;Sobre esse sentido novo da história encontramos valiosos comentários em um autor do século II de nossa era nos deixou escrito numa carta chamada de Carta a Diogneto, publicada pela editora Vozes, em 2003.&lt;br /&gt;É surpreendente como essa carta nos apresenta os cristãos como pessoas “trans-históricas”. Nos capítulos V e VI se lê que os cristãos são “paradoxais”: iguais e diferentes, ao mesmo tempo, dos demais cidadãos históricos. São iguais em tudo o que diz respeito à pátria comum: habitam nas mesmas cidades; empenham-se na política do estado; seguem os mesmos costumes, a mesma língua; vestem-se como os demais e, como os demais, também se alimentam.&lt;br /&gt;Não obstante, “moram na própria pátria, mas como peregrinos”, “ cidadãos, de tudo participam, porém, tudo suportam como estrangeiros”. “Toda terra estranha é pátria para eles e toda pátria, terra estranha” (pg.23); “estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus” (pg.24). Portanto, paradoxais, iguais e diferentes, muito diferentes.&lt;br /&gt;Na introdução da edição, citada acima, Dom Fernando A. Figueiredo comenta que a carta nos fala do “Hoje Divino” da História da Salvação, para nos dizer que “o cristão se torna contemporâneo do Cristo”, ou, melhor, Cristo é sempre nosso contemporâneo (pg.14).&lt;br /&gt;Em outras palavras, isso corresponde a dizer que a História da Salvação perpassa e transcende a história humana. Goza de um princípio de perenidade. Representa o “Hoje Divino”, sempre “contemporânea”, independente dos fatos histórico-sociológicos.&lt;br /&gt;Portanto, a História da Salvação em Jesus Cristo é paradoxal. Ela transcende os critérios da filosofia na busca de sentido para os fatos seqüenciais da história humana. Até, por ser sempre contemporânea, nem é propriamente história, ultrapassa a história. &lt;br /&gt;Em nossos dias, tal afirmação é escandalosa, acostumados que se está a submeter tudo, também como método teológico e pastoral, aos critérios dos acontecimentos históricos circunstanciais.&lt;br /&gt;O novo sentido da história, depois de Cristo, não é levado suficientemente em conta. O próprio critério do “sinal dos tempos”, não é visto sob esse novo sentido.  E assim, o domínio da filosofia da história e da sociologia impede que se veja a contemporaneidade da História da Salvação, a contemporaneidade de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre.&lt;br /&gt;Qual o prejuízo para a vida cristã e para a evangelização? A vida cristã se torna apenas uma lembrança histórica, ou uma ciência sujeita à pura hermenêutica e não um acontecer agora, na vida dos cristãos. A evangelização, por sua vez, passa a esbanjar energias em bens materiais e esforços humanos, nas infindas análises e atenções voltadas para os fatos sócio-históricas das conjunturas sociais do momento e perde de vista o que é mais importante, a verdadeira natureza da vida cristã, a contemporaneidade de Cristo e da vida cristã.&lt;br /&gt;Como, então, se entende essa visão paradoxal?  A Carta responde no capítulo VIº com uma analogia que nos aproxima da compreensão. Compara o cristão, frente à sociedade profana, como a alma em relação ao corpo. A alma transcende o corpo, nos dois sentidos do transcender, tanto por encontrar-se em todas as partes, animando o corpo todo, quanto por ultrapassar a materialidade do corpo.&lt;br /&gt;Assim são os cristãos. Em primeiro lugar, eles estão em toda parte: “Encontra-se a alma em todos os membros do corpo, e os cristãos dispersam-se por todas as cidades do mundo” (pg.24). Em segundo lugar, como a alma “habita no corpo, mas dele não provém, os cristãos residem no mundo, mas não são do mundo” (pp. 24-25).&lt;br /&gt;Prosseguindo na comparação, o autor da Carta fala do modo de acontecer do ser cristão na sociedade profana e de sua função. O acontecer do ser cristão é, ainda, semelhante ao da alma: Assim como “a carne odeia a alma e a combate... também o mundo odeia os cristãos”... mas, “a alma ama a carne... assim os cristãos amam os que os detestam” (pg.25). A função, entretanto, do ser cristão é também semelhante à da alma: Como “a alma é quem faz a coesão do corpo”, assim também “são eles (os cristãos) que sustêm o cosmo”. &lt;br /&gt;A comparação da alma e da carne nos recorda a parábola do fermento e da massa (Mt 13,33).  Jesus disse que o Reino de Deus é o fermento que faz levedar a massa. A massa levedada, enquanto massa, é igual a todas as massas, mas enquanto levedada é outra massa bem diversa. Assim, a sociedade, enquanto sociedade, é igual a todas as demais, mas, enquanto permeada por vida cristã, será bem outra sociedade.&lt;br /&gt;Ademais, o fermento permanece invisível, assim como a ação dos cristãos na sociedade. A Carta a Diogneto, seguindo sua comparação, afirma que, a alma invisível anima um corpo visível, assim como o cristão, no seu “culto a Deus, permanece invisível” ao mundo e, entretanto, o permeia, o anima e o transforma, transcendendo-o, porém, tanto por estar em toda parte, como por estar criando, sem ilusões, “outro mundo possível”, invisível para aqueles a quem lhes falta órgão para ver (Cf Lc 17,20; Mc 4,11-12; Mt 11,25).&lt;br /&gt;E se a queda do Império Romano se explicasse muito melhor, graças a um processo invisível de infiltração, como acontece com os dendrólitos, árvores feitas pedras, por semelhante processo? &lt;br /&gt;O Império não ruiu graças ao empenho dos cristãos em “ações sociais”, buscando a troca das estruturas injustas de então, mas ruiu por um processo de infiltração pelo fermento evangélico. De tal sorte aconteceu que, quando o Império se deu conta, a mãe do Imperador era, nada menos que Santa Helena.&lt;br /&gt;O cristianismo não foi concorrente à sociedade civil. Não precisou pensar em nenhuma pressão física ou moral. A pressão foi espiritual. Melhor, foi o “brilho” da vida cristã, manifestação de seu lado ontológico, que minou a sociedade civil, atraindo os agraciados de sensibilidade espiritual que acorreram pressurosos.&lt;br /&gt;Assim, minha apreciação a respeito dos “padres midiáticos” é a seguinte: seu sucesso não se deve ao poder da comunicação, mas ao testemunho por atitudes e palavras de uma experiência do Espírito prometido por Cristo aos que o pedissem (Lc 11,13).&lt;br /&gt;O Papa, em sua rápida passagem entre nós, definiu a evangelização como um processo de atração, a exemplo do que Jesus disse e fez: Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim (Jo 12,32).&lt;br /&gt;Concluindo, esse processo transformador do ser cristão representa o lado transcendente da História da Salvação, da vida cristã no mundo. O Evangelho representa novo sentido da vida e da história humanas. &lt;br /&gt;                                                                                 Pe. Achylle Alexio Rubin&lt;br /&gt;                                                                                 &lt;a href="mailto:achyllerubin@Yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7223860159190745125?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7223860159190745125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7223860159190745125' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7223860159190745125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7223860159190745125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2009/03/visao-crista-da-historia.html' title='Visão cristã da história'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7383327517833256903</id><published>2009-02-28T06:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T06:16:59.037-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007'/><title type='text'>Correção de rota da Igreja</title><content type='html'>A Igreja em Correção de Rota&lt;br /&gt;                                                                                 Achylle A. Rubin&lt;br /&gt;Minha última crônica termina falando de “correção da rota” da Igreja na América Latina e no Caribe. Trata-se da Vª Conferência de bispos representantes de nosso subcontinente, realizada em Aparecida do Norte, em maio último. Sendo a Igreja composta de pessoas sujeitas a erros e acertos, resulta natural que faça periodicamente avaliações e correções.&lt;br /&gt;Tal processo iniciou na IVª Conferência realizada em Santo Domingo, em 1992, sob a forte influência de João Paulo II. O documento conclusivo dessa Conferência, abandonou o método de partir das realidades sociais, para partir da profissão de fé: “Bendizemos a Deus que... ‘enviou seu Filho, nascido de mulher’” (Gl 4,4), pois “o mistério do Reino, oculto durante séculos e gerações (Cl 1,26) e presente na vida e nas palavras de Jesus, identificado com sua pessoa, é dom do Pai” (nº 4,5)! Portanto se é dom do Pai, a “prioridade” não é dada às análises sociais, ao método “socioanalítico”, mas ao dom da fé.&lt;br /&gt;Em Aparecida, Bento XVI deu o tom a toda a Conferência, manifestando sua expectativa: “... esperamos encontrar na comunhão em Cristo a vida, a verdadeira vida digna desse nome... Mas isto é mesmo assim? Estamos realmente convencidos de que Cristo é ‘o caminho, a verdade e a vida’?”. O Papa segue afirmando “a prioridade da fé e vida em Cristo” em relação a tudo o que se refere à vida cristã. A prioridade não será mais a realidade social, por mais urgente que apareça. Tal rumo representa uma verdadeira “correção de rota”.&lt;br /&gt;A rota, neste caso, significa o método, definido pelo dicionário Aurélio como “caminho pelo qual se atinge um objetivo”. É caminho, ou procedimento para estudar um objeto.&lt;br /&gt;Ora, cada objeto a ser estudado tem seu método e cada método seu objeto. Por exemplo, não posso estudar uma planta com o método com que estudo uma pedra. É como se, para ir a algum lugar, houvesse um único caminho. Tomando outro caminho, levaria a outro lugar. Um erro de caminho, de rota, exige correção, do contrário não se chega ao lugar desejado.&lt;br /&gt;Pois bem, tomando o caminho, ou método, dos dados sócio-históricos, chamados de “socioanalítico”, não se chega às realidades reveladas por Deus. Chega-se mais próximo, isto sim, do “materialismo histórico”, do qual certos teólogos tiveram e têm muita dificuldade de se desfazerem. Felizmente outros, que acreditavam nesse caminho, voltam a crer e  afirmar que se deve “partir da experiência de fé”.&lt;br /&gt;Os bispos reunidos por 15 dias em Aparecida acolheram a orientação do Papa e tomaram pelo método, pelo caminho da “prioridade da fé e da vida em Cristo”. Estamos, pois assistindo a uma feliz correção de rota da Igreja na América Latina e no Caribe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7383327517833256903?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7383327517833256903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7383327517833256903' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7383327517833256903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7383327517833256903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2009/02/correcao-de-rota-da-igreja.html' title='Correção de rota da Igreja'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3738513372113902328</id><published>2009-01-18T05:34:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T05:36:43.987-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Começar com análises das conjunturas ou a partir de Cristo?'/><title type='text'>CF 2009 e Documento de Aparecida</title><content type='html'>Pastilha 90&lt;br /&gt;CF 2009 e Documento de Aparecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Campanha da Fraternidade deste ano se propõe “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz...” (nº 4). O Texto-base, numa primeira parte, o “Ver”, ocupa-se longamente da análise da segurança, dos conflitos e da violência.&lt;br /&gt;A segunda parte, o “Julgar”, contém considerações de fundamental valor. Entre ela, há uma que complementa o lema da CF que diz “A paz é fruto da justiça”, advertindo que a violência, as guerras, pretendem fundamentar a justiça. Entretanto, “no Evangelho, o Sermão da Montanha apresenta a necessidade da superação dos relacionamentos marcados pelo ódio e pela vingança. Apresenta também que a misericórdia de Deus... tem como ponto de partida a misericórdia de todos com os seus irmãos e irmãs (cf Mt 7,1-2). Ainda, “o Evangelho de São Lucas, de um modo especial, mostra as  parábolas da misericórdia para que todos aprendam que a verdadeira justiça é a que quer a superação e não a condenação” (nº 245-246; cf João Paulo II, Dives in misericórdia; Rubin A. Eterna é sua Misericórdia, cap. Cinco).&lt;br /&gt;Tais afirmações relativizam toda a primeira parte do Texto-base, elevando as atenções a um outro patamar, a um nível que visa responder, não somente ao “ver” das conjunturas sociais do momento, mas ao “ver” as conjunturas de todos os tempos, de acordo com a contemporaneidade perene de Jesus – ontem, hoje e sempre. Tal contemporaneidade de Jesus, com efeito, nos convida a não nos distrair com considerações circunstanciais e passageiras, de medo de sermos rotulados de conservadores, correndo, porém, o risco já denunciado de “supormos” a Pessoa de Cristo e a vida nova em Cristo.&lt;br /&gt;Entretanto, o Documento de Aparecida não podia ser mais explícito, desde sua “Introdução” a respeito disso. Quase ao acaso encontramos lá afirmações como as seguintes:&lt;br /&gt;1) “O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo. Essa prioridade fundamental é a que tem presidido todos os nossos trabalhos... enquanto elevamos ao Espírito Santo nossa confiante súplica para redescobrir a beleza e alegria de ser cristãos” (nº 14; cf Discurso Inaugural, inciso 3).&lt;br /&gt;2) “Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho..., a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo... Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade... protagonistas de uma vida nova...” (nº 11).&lt;br /&gt; 3) “Nossa maior ameaça ‘é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez’”. A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que ‘não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, uma Pessoa’...” (nº 12).&lt;br /&gt;Desde a introdução, portanto, o DA aponta para a “luz” que vai iluminando todas as suas páginas. Quando, por exemplo, inicia a Primeira Parte, afirmando que “este documento faz uso do método “ver, julgar e agir”, não deixa de ser coerente com as citações acima, ao descrever o sentido novo desse método, da seguinte maneira: a) “Este método implica em contemplar a Deus com os olhos da fé através de sua Palavra revelada..., a fim de que vejamos (“ver”) a realidade que nos circunda à luz de sua providência e; b) a julguemos (a realidade, “julgar”) segundo Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida...” e, finalmente, c) “atuemos (“agir”) a partir da Igreja, Corpo Místico de Cristo e Sacramento universal de salvação...” (nº 19).&lt;br /&gt;O recém beatificado Antônio Rosmini, escreveu no século 19, antes da era do diálogo, um livro corajoso que lhe valeu muitas censuras, com o título As cinco chagas da Igreja. Hoje, na época do diálogo, poderíamos apontar uma só chaga. Identifico-a nos artigos que frei Clodovis Boff publicou nos números de outubro de 2007 e de outubro de 2008 na Revista Eclesiástica Brasileira (REB), insistindo que em termos de teologia e espiritualidade só se pode começar a partir da fé.&lt;br /&gt;Parece, com efeito, estar tão infiltradas, em amplos segmentos de nossa Igreja no Brasil e alhures, convicções e linguagem de que tudo deve começar, tanto a teologia como a espiritualidade, das análises das conjunturas sociais, que não será fácil opor-se a isso. Haja vista na mesma REB as reações de Leonardo Boff, e frei Carlos Susin, entre outros, contra os artigos de frei Clodovis. Crê-se que todo dinamismo evangelizador deve brotar da “indignação” diante das injustiças sociais, marcadamente da pobreza injusta, e não mais da fé em Jesus Cristo, da “beleza e da alegria de ser cristãos”, como se lia outrora a respeito dos primeiros cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Pe. Achylle Alexio Rubin  / achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3738513372113902328?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3738513372113902328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3738513372113902328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3738513372113902328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3738513372113902328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2009/01/cf-2009-e-documento-de-aparecida.html' title='CF 2009 e Documento de Aparecida'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-9069245718209766247</id><published>2008-11-20T16:17:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T16:19:09.694-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><title type='text'>Catolicismo e meio ambiente</title><content type='html'>Catolicismo e meio ambiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do tema Religiões e meio ambiente. Fui convidado a falar sobre Catolicismo e meio ambiente.&lt;br /&gt;Como primeira tarefa, a título de introdução, vou começar por aclarar brevemente o próprio título desta palestra. Em primeiro lugar, sobre o catolicismo não seria necessário dizer muito. Suponho estar falando a um público razoavelmente informado a respeito. Não obstante chamo atenção para alguns aspetos.&lt;br /&gt;A religião católica é uma religião cristã, por constituída de pessoas que crêem em Deus por Jesus Cristo, Filho de Deus. A fé em Jesus Cristo é amparada, por assim dizer, num tripé: a Bíblia, a comunidade de fé, e o magistério da Igreja.&lt;br /&gt;O catolicismo reconhece a Bíblia como primeiro fundamento, tanto o Antigo como, sobretudo, o Novo Testamento. A Bíblia é também caracterizada como Sagrada Escritura. O catolicismo a reconhece como um livro diferente, um livro que contém a revelação por parte de Deus de suas obras e de suas intenções a respeito do homem. Esse livro é por isso chamado de “Palavra de Deus”.&lt;br /&gt;É na verdade uma palavra original porque não trata apenas da palavra como símbolo de um saber intelectual, mas trata da manifestação, por assim dizer do esforço de Deus por desejar estabelecer relações de intimidade com os homens. Não é uma ciência, no sentido moderno, mas nos manifesta a intenção de pessoas que vêm ao encontro dos homens. Daí que os dois Testamentos são ainda chamados de Antiga e Nova Aliança, pois aliança diz respeito a uma relação entre pessoas.&lt;br /&gt;O Apóstolo e evangelista João, no prólogo de seu Evangelho, chamou Jesus Cristo de “Verbo”, quer dizer, Palavra. Palavra de Deus indica aqui, por eminência, o próprio Jesus Cristo. Portanto, “palavra” designa a pessoa de Jesus Cristo, que veio para nos mostrar o Pai. Como toda palavra manifesta um sentido, um conceito, é a imagem da coisa em nossa mente, assim também Jesus, o Verbo, é imagem perfeita do Pai. Foi por isso que, quando um Apóstolo perguntou a Jesus: “Mostra-no o Pai”, Jesus respondeu: “Aquele que me viu, viu também o Pai” (Jo 14,9).&lt;br /&gt;Sendo pessoa, a palavra representa uma linguagem original, cujo sentido é captado por outro método diferente daquele das ciências. A hermenêutica neste caso tem uma importância relativa. Necessitamos de uma outra luz para descobrirmos seu significado pleno. Chama-se de luz da fé que ilumina a mente. Não só luz mas também “calor”, pois aquece o coração. Isso é coisa própria do amor, da intimidade de pessoas. Sendo que se trata de intimidade de pessoas, a Palavra de Deus se torna um acontecimento, uma vivência.&lt;br /&gt;Há incontáveis exemplos, antigos e atuais, desse acontecer na pessoa de quem tem fé. São Justino, filósofo pagão, apenas 150 anos depois de Cristo, converteu-se ao cristianismo, ao ler a Bíblia, graças ao conselho de um velhinho misterioso, que lhe falou dos profetas que “haviam anunciado somente a verdade”. Justino tomou a Bíblia e nos conta: “A minha alma, de repente ficou iluminada por um fogo como se fora a luz do meio dia. Senti-me enamorado dos profetas e das pessoas amigas de Cristo. Pensei e repensei em todas aquelas palavras e entendi: entendi que esta é a única verdadeira e útil filosofia. É assim que sou filósofo. Gostaria, aliás, que todos experimentassem o que eu sinto e que não se afastassem da doutrina do Salvador”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Outro exemplo mais caseiro é o do Sr. João Luiz Pozzobon. A certa altura de suas caminhadas por muitas estradas, visitando famílias e escolas, rezando o rosário e dando catequese, não se conteve e exclamou na minha presença: “Se me encontrarem morto na beira da estrada, saibam que morri de alegria!”. A alegria provinha da presença divina em seu coração.&lt;br /&gt;Exemplos como esses ilustram o segundo “pé” sobre o qual se apóia a Igreja Católica que é a vida de fé da comunidade. Quando através dos tempos toda a comunidade vive da fé em algum elemento relacionado com Deus, admite-se tal acontecimento como coisa verdadeira.  &lt;br /&gt;O terceiro pé sobre o qual se fundamenta o catolicismo reside no chamado “Magistério da Igreja”. Funda-se na incumbência dada por Cristo a Pedro e aos Apóstolos com Pedro, de serem os garantes da unidade da vida dos discípulos e também os testemunhas na confirmação da fé. Encontramos tal incumbência em todos os quatro Evangelhos. No de Mateus basta recordar o episódio da confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: ‘... eu te declaro: tu es Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus” (Mt 16,16s; cf 18,18; 28,18).&lt;br /&gt;Na última ceia, Jesus incumbe a Pedro de confirmar os demais: “... eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). Finalmente, por três vezes, Jesus pergunta a Pedro se o ama e por três vezes lhe diz: “apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15s). Apascentar é uma imagem para dizer convoca, vela, defenda... como faz o pastor.&lt;br /&gt;O outro conceito que está em nosso título é “Meio Ambiente”. Aqui também não será preciso dizer muito porque dele se fala em toda parte, nas escolas e em todos os meios de comunicação. A própria palavra indica o sentido. Trata-se do lugar e dos elementos que compõem o habitat dos seres vivos e, sobretudo, dos humanos. O Aurélio o define como “lugar onde se vive, com suas características e condicionamentos geofísicos”. Compõe-se de muitos fatores: a terra, a água, o ar, a luz, a flora, a fauna, os resíduos da era tecnológica e sua influência sobre o meio ambiente. Portanto, tudo o que entra a fazer parte do “lugar onde se vive”.&lt;br /&gt;Mas o conceito de meio ambiente engloba ainda, e sobretudo, o equilíbrio entre esses fatores de sorte a fazer com que esse lugar se torne adequado para a vida. Pelo meio ambiente iniciamos a consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.     Deus criou o meio ambiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo e qualquer tema que o catolicismo como tal tem em vista, o trata com uma ciência própria, que é a teologia. A teologia trata de todo conhecimento que Deus nos tem revelado. E, se é revelado, isto significa que, num primeiro momento, representa um conhecimento que vem de Deus a nosso respeito e a respeito do universo. Só num segundo momento torna-se um conhecimento nosso, uma ciência. Assim que nossa ciência teológica baseia-se sobre fatos e palavras reveladas. É um conhecimento que se encontra na Bíblia, na fé da comunidade cristã e no magistério da Igreja, como vimos.&lt;br /&gt;O que então nos dizem essas três fontes acerca do “meio ambiente”? A primeira delas é a Sagrada Escritura.&lt;br /&gt;Pois bem, desde suas primeiras páginas ela nos fala, nada menos do que do meio ambiente. Isto é, os dois primeiros capítulos tratam da criação do meio ambiente para o homem. Justamente, toda a Bíblia começa assim: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gen 1,1). Em seguida especifica. Cria a luz; separa as águas da terra para fazê-la habitável; cria os vegetais, os astros, os peixes e animais que habitam nas águas, todo tipo de animais terrestres. Diz textualmente: “Produza a terra seres vivos segundo a sua espécie...” (Gen 1,24). Terminado de criar todo esse ambiente, a Bíblia diz: “E Deus viu que isto era bom”.&lt;br /&gt;Preparado o ambiente, Deus criou para habitá-lo o homem e a mulher e os criou “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,27). E lhes entregou tudo como um dom precioso: “Eis que eu vos dou toda a erva..., todas as árvores..., todos os animais..., todas as aves..., e tudo em que haja sopro de vida...” (Gen 1,29s). Depois desse dom, terminada a obra da criação, a Bíblia completa: “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gen 1,31).&lt;br /&gt;Portanto, a Sagrada Escritura tem uma visão positiva a respeito do meio ambiente. Alguns acharam que há nessa descrição um elemento negativo, referindo-se ao versículo 28 do capítulo primeiro, em que Deus diz: “...enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais...”. Aqui não podemos deixar de levar em conta que as palavras são meros símbolos que simbolizam significados que variam conforme as diversas línguas, as culturas diversas e as diversas épocas. A palavra “dominar” hoje adquiriu significados negativos. Foi-lhe atribuído o sentido de arbítrio sobre pessoas e coisas. Entretanto ela deriva de dominus, em latim, que significa senhor e não tem necessariamente o significado negativo de patrão despótico. Ademais, logo adiante a Bíblia diz que Deus doou tudo ao homem “para ver como o homem os havia de chamar... e o homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves...” (Gen 2,19-20). Ora, pôr nome é um gesto de carinho e de paternidade e não de dominação, no sentido moderno. A dominação veio após.&lt;br /&gt;Depois do episódio do dilúvio, Deus manifesta ainda seu apreço pela natureza, pelo meio ambiente. Estabelece uma aliança “convosco e com vossa posteridade, assim como com todos os seres vivos..., as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens...” (Gen 9,8s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.     Donde veio a dominação e o desperdício da natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que a Escritura Sagrada foi escrita, fazia-se a mesma pergunta angustiante que hoje nos fazemos: Se Deus disse que “tudo era muito bom”, se Deus é bom, donde veio a maldade humana, que reside em nós e tem – hoje, todos o sabemos – tanta repercussão destruidora de nós mesmos e do meio ambiente em que vivemos?&lt;br /&gt;Há em nós tendências para o mal, para a destruição. Facilmente satisfazemos tais tendências em detrimento da harmonia de nosso ser, da sociedade e da natureza, na ilusão de encontrarmos realização pessoal.&lt;br /&gt;A resposta da Bíblia está descrita no capítulo três do Gênesis. Com uma alegoria, esse capítulo nos descreve um acontecimento de grande e universal importância. Aí encontramos certa explicação para o problema do mal no mundo. Isto é, descreve-se a origem da maldade humana. Onde reside tal origem?&lt;br /&gt;Hoje, por exemplo, os comentaristas, diante da crise financeira, estão de acordo em afirmar que a origem dela é a “ganância”. Mas, donde veio a ganância? Outros generalizam mais, falando do egoísmo que mora em nós. E o egoísmo donde veio?&lt;br /&gt;Precisamos olhar para a referida alegoria para ver a origem do mal. O maligno, no símbolo da serpente, explorou exatamente nossa natureza de seres dotados de espírito que conhecem e amam e que aspiram insaciavelmente o infinito, na posse de Deus. Por criação somos um vazio, vazio de Deus.&lt;br /&gt;Até Jean Paul Sartre, filósofo contemporâneo, reconheceu essa nossa realidade insaciável, esse vazio de Deus, mas como ateu contumaz, declarou que esse anseio não tem finalização, não tem sentido, já que Deus não existe. Em razão disso definiu o homem como “uma paixão inútil”.&lt;br /&gt;Foi exatamente o que o tentador explorou: o anseio por preencher o vazio, propondo ao homem separar-se de Deus, pois, unido a ele estaria de olhos fechados, sem rumo, enquanto que separados dele “vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do  mal” (Gen 3,1-5).&lt;br /&gt;Desde então, como por um processo genético, o afastamento de Deus, em lugar de abrir os olhos, produziu a verdadeira cegueira. Desde então vivemos da ilusão de nossos “olhos” de enchermos o vazio de Deus com sucedâneos, como são os prazeres, as riquezas, a cobiça, o orgulho, a dominação.&lt;br /&gt;O grande filósofo pagão, Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, escreve que o néscio se ilude “colocando a felicidade nos prazeres, nas riquezas e nas honras. O sábio, porém, coloca a felicidade no Sumo Bem”. Essa “ignorância” é o que desorganiza nossa natureza e também o mundo ao nosso redor.&lt;br /&gt;O primeiro desequilíbrio está em nosso próprio ser e, a seguir, o transferimos ao nosso meio ambiente. Não que os prazeres, as riquezas, a ambição etc. sejam maus. O são desde que se sobreponham às outras dimensões de nosso ser. Se julgamos, com efeito, que a crise financeira atual brota da “ganância”, isto significa que se pretende ser como Deus,  acima do bem e do mal, encaminhando tudo em proveito do “ego”, ainda que tenha de dilapidar a natureza.&lt;br /&gt;Eis a causa do desperdício do meio ambiente: já que não enchemos o vazio de Deus com o objeto próprio, que é Deus, tentamos insaciavelmente preenchê-lo com sucedâneos, com ersatz. E nessa corrida não há limites. Somos insaciáveis porque o desejo é de infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.     O resgate do meio ambiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia em sua divisão clássica compõe-se de duas partes, o Antigo e o Novo Testamento. Mas, para efeito do que estamos tratando, poder-se-ia dividi-la como primeira parte, os dois primeiros capítulos, os da criação e os da queda com suas conseqüências e como segunda parte todos os demais capítulos.&lt;br /&gt;O meio ambiente já não será mais tranqüilo e pacífico. Deus disse a Adão: ... “maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento... Ela te produzirá espinhos e abrolhos... Comerás o teu pão com o suor do teu rosto...” (Gen 3, 17-19).  Isso quer dizer que rebelado o homem, toda a natureza, ambiente se tornou adversa, não por sua causa, mas por causa do homem. Antes a natureza era jardim do Éden, depois, se tornou o “vale de lágrimas”.&lt;br /&gt;A partir daí, entretanto, a natureza toda, os homens, em primeiro lugar, não foram abandonados. Deus começa a falar em uma aliança com o homem e com a natureza, sobretudo a partir do capitulo 12 do livro do Gênesis, quando escolhe Abraão e lhe diz: “Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma aliança eterna, de geração em geração, para que eu seja o teu Deus e o Deus de tua posteridade” (Gen 17,7).&lt;br /&gt;Toda a Bíblia passa a representar o esforço, por assim dizer, que Deus faz para resgatar o homem e, com o homem, a natureza, o meio ambiente. Quem melhor expressou isso, com palavras certas, foi São Paulo. Escreve ele: ... “A criação foi sujeita à vaidade – não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou – todavia, com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até ao presente dia. Não só ela, mas também nós...” (Rom 8,19-22).&lt;br /&gt;A natureza toda, portanto, assim como participou da escravidão do pecado, traduzida em depredação, também esteve destinada a participar da “liberdade dos filhos de Deus”. Essa liberdade refere-se ao fato inimaginável, impensável, surpreendente, do Filho de Deus que se faz natureza, que assume uma natureza humana, vive ligado intimamente à natureza, à terra, à água, aos montes, ao lago, às aves, aos animais, às plantas, à videira, à oliveira, aos trigais, às flores, aos lírios do campo, enfim a toda a natureza, como meio ambiente do homem.&lt;br /&gt;Ao assumir a natureza humana, assume junto todo o meio ambiente, a morada por ele próprio preparada para o homem. A decadência do homem, como vimos, significou a decadência de seu meio ambiente. Pois, a natureza toda está ordenada ao seu Criador, mediante a criatura racional. Esta criatura, dotada de consciência, tem por fim exercer a mediação de toda a natureza desprovida de razão, de consciência.&lt;br /&gt;Assim, a elevação do homem, o enobrecimento do homem vai representar a elevação, o enobrecimento do meio ambiente. Foi por isso que desde os primeiros cristãos se tem dito que Deus se fez homem a fim de fazer dos homens deuses. Agora a proposta do tentador, insinuando a Eva que o afastamento de Deus resultaria em sermos deuses, foi realizada, não por obra e graça do próprio homem, mas por Jesus Cristo. Da mesma forma poderíamos dizer que Deus se faz natureza a fim de fazer da natureza coisa divina. Ele não desdenha em nada do homem como da natureza, do meio ambiente. Ao contrário, ao resgatar o homem, resgata com ele tudo o mais. &lt;br /&gt;Foi isso que nos ensinou São Paulo na carta aos Romanos, há pouco citada. Toda a criação,  “geme e sofre como que dores de parto até o presente dia, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Assim que, o resgate do homem vai significar o resgate do meio ambiente. Nesse clima não há lugar para a depredação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.     A Igreja Católica e o meio ambiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando do catolicismo e do meio ambiente. Ora o catolicismo é representado pela instituição Igreja Católica. Cremos que Jesus Cristo confiou a Pedro e aos Apóstolos e seus sucessores o chamado “depósito da fé”, recordado na introdução.&lt;br /&gt;Como instituição cabe perguntar-nos não só sobre a opinião das autoridades eclesiásticas a respeito do meio ambiente, como também a opinião e prática entre os membros dessa instituição.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, sobre a opinião das autoridades basta que citemos as palavras do Papa João Paulo II proferidas na Zona Austral do Chile, Punta Arenas, no dia 04 de abril de 1987:&lt;br /&gt;“Desde o Cone Sul do Continente Americano e frente aos ilimitados espaços da Antártica, lanço um chamado a todos os responsáveis de nosso planeta para proteger e conservar a natureza criada por Deus: não permitamos que nosso mundo seja uma terra cada vez mais degradada e degradante”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Bento XVI igualmente, “em seu discurso aos jovens, no Estádio do Pacaembu, inicio de maio do ano passado, chamou a atenção sobre a ‘devastação ambiental da Amazônia’... e pediu aos jovens ‘um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação’”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;O Catecismo oficial da Igreja Católica (Cat.), publicado em 1992, traz longo capítulo sobre a criação. Depois de falar da criação, toda feita para o homem, cita um sermão de São Pedro Crisólogo, do século V: “Quem é pois o ser que vai vir à existência cercado de tal consideração? É o homem... é para ele que existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação” (Cat.nº 358).&lt;br /&gt;Portanto, por dois motivos Deus tudo criou, para a manifestação de sua glória e para nossa felicidade. Ora, tendo “todas as criaturas o mesmo Criador e de todas estarem ordenadas para sua glória... existe uma solidariedade entre todas elas” (Cat. Nº 344). Tal solidariedade fundamenta a admiração e o respeito para com todo nosso meio ambiente.&lt;br /&gt;A estas alturas o catecismo cita um trecho da poesia de São Francisco de Assis, O Cântico do irmão Sol:&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Com todas as tuas criaturas,&lt;br /&gt;Especialmente o senhor irmão Sol,&lt;br /&gt;Que clareia o dia&lt;br /&gt;E com sua luz nos alumia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele é belo e radiante&lt;br /&gt;Com grande esplendor&lt;br /&gt;De ti, Altíssimo, é a imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Pela irmã Lua e as Estrelas,&lt;br /&gt;Que no céu formaste claras&lt;br /&gt;E preciosas e belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Pelo irmão Vento,&lt;br /&gt;Pelo ar, ou nublado,&lt;br /&gt;Ou sereno, e todo o tempo,&lt;br /&gt;Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Pela irmã água.&lt;br /&gt;Que é mui útil e humilde&lt;br /&gt;E preciosa e casta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Pelo irmão fogo&lt;br /&gt;Pelo qual iluminas a noite&lt;br /&gt;E ele é belo e jucundo&lt;br /&gt;E vigoroso e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvado sejas, meu Senhor,&lt;br /&gt;Por nossa irmã, a mãe Terra,&lt;br /&gt;Que nos sustenta e governa,&lt;br /&gt;E produz frutos diversos&lt;br /&gt;E coloridas flores e ervas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvai e bendizei a meu Senhor,&lt;br /&gt;E dai-lhe graças,&lt;br /&gt;E servi-o com grande humildade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não podemos estranhar que São Francisco de Assis seja considerado o patrono da ecologia, do meio ambiente. Seus biógrafos descrevem quanto ele respeitava a natureza e quanto sofria quando se maltratavam animais ou vegetais&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Encontramos sobre o meio ambiente orientações da Igreja Católica de grande valor e muito atuais no Documento de Aparecida (DA), texto conclusivo da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.  As cinco Conferências do Episcopado realizadas desde 1955 foram de grande importância para orientar a ação pastoral da Igreja em nossas regiões, mas também foram acolhidas e aprovados por toda a Igreja.&lt;br /&gt;Segundo esse documento, o meio ambiente é tratado à luz de dois fatos de extraordinária importância, a criação e a redenção.&lt;br /&gt;Pela criação valoriza-se a natureza toda como nosso ‘hábitat’ por Deus mesmo preparado para nós, como vimos de início. Pois, “o Deus da vida encomendou ao ser humano sua obra criadora para que ‘a cultivasse e a guardasse’” (DA, nº 470). Em conseqüência, “o homem e a mulher são convocados a viver em comunhão com Ele, em comunhão entre si e com toda a criação” (ib). Por isso, citando São Francisco de Assis, afirma “’nossa irmã e mãe terra’ é nossa casa comum e o lugar da aliança de Deus com os seres humanos e com toda a criação”. Por isso, “desatender as mútuas relações e o equilíbrio que o próprio Deus estabeleceu entre as realidades criadas, é uma ofensa ao Criador...” (DA nº125).&lt;br /&gt;Pela redenção de Jesus Cristo, os seres humanos e toda a natureza foram “assumidos”, quer dizer elevados a um sumo, sendo Cristo a cabeça dos humanos e por eles de toda a natureza. São Paulo nos fala dessa relação ascendente para Cristo. Fala-nos do “desígnio” do Pai de “reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,10). Em conseqüência escreve: “...tudo é vosso. Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 22-23). &lt;br /&gt;Nessa dupla perspectiva, da criação e da redenção, o catolicismo entende o respeito pelo meio ambiente, pois que tudo participa da divindade de Cristo.&lt;br /&gt;O DA passa a denunciar que tal respeito não acontece. Escrevendo que “a América Latina é o Continente que possui uma das maiores biodiversidades do planeta e uma rica sócio-diversidade”, constata que “a natureza foi e continua sendo agredida; a terra foi depredada; as águas estão sendo tratadas como se fossem mercadoria negociável pelas empresas” tanto nacionais como internacionais. Referindo-se à Amazônia, diz que “a crescente agressão ao meio ambiente pode servir de pretexto para a proposta de internacionalização da Amazônia”. Segue afirmando que “constatamos o retrocesso das geleiras em todo o mundo: o degelo do Ártico, cujo impacto já está se vendo na flora e na fauna desse ecossistema; também o aquecimento global se faz sentir no estrondoso crepitar dos blocos de gelo ártico que reduzem a cobertura glacial do Continente e que regula o clima do mundo” (DA nº 83s).&lt;br /&gt;Em particular, diz o documento que “a riqueza natural da América Latina e do Caribe experimenta hoje uma exploração irracional que vai deixando um rastro de dilapidação, inclusive de morte por toda a nossa região...” (DA nº473).&lt;br /&gt;Em vista de tudo isso, o documento de Aparecida exorta a todos que “é necessário dar especial importância à mais grave destruição em curso da ecologia humana” (DA nº472). Em seguida apresenta-nos cinco ações práticas para todos os membros da Igreja, maximamente para a Igreja na América Latina e no Caribe:&lt;br /&gt;a)                     “Evangelizar” sobre o grande dom da criação ao homem, “educando-o para um estilo de vida de sobriedade e austeridade solidária”.&lt;br /&gt;b)                    Apoiar, sobretudo “as populações mais frágeis e ameaçadas pelo desenvolvimento predatório” no esforço por melhor “distribuição da terra, das águas e dos espaços urbanos”.&lt;br /&gt;c)                     “Procurar um modelo de desenvolvimento alternativo...baseado numa ética” fundamentada no Evangelho.&lt;br /&gt;d)                    Empenhar-se por “políticas públicas” de “proteção, conservação e restauração da natureza...”.&lt;br /&gt;e)                     Buscar “medidas de monitoramento e controle social sobre a aplicação dos padrões ambientais...” (DA nº 463).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse documento da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, temos, portanto, preciosos elementos que revelam quanto a Igreja Católica está preocupada com o meio ambiente, criado para o hábitat, a morada dos homens. É, portanto, em função do homem e de seu destino eterno que ela manifesta tanta preocupação, pois se trata do habitat por Deus mesmo criado para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicito os promotores destas “Reflexões” sobre “Religiões e Meio Ambiente”, pois, as religiões, sobretudo as que se fundam na Bíblia, têm um grande apelo voltado ao amor por nossa casa comum onde vivemos. É a casa que Deus nosso Pai preparou com muito carinho para nós. Devemos para isso unir esforços.&lt;br /&gt;Não há dúvida, houve um grande progresso na consciência ecológica de todos. Recordo que eu mesmo, na minha infância, não conseguia entender as restrições das primeiras leis de proteção aos animais e às plantas. Perguntava-me por que tais restrições se tudo me parecia tão abundante.&lt;br /&gt;Falei do carinho com que Deus preparou nossa habitação. A sensibilidade pela natureza está muito relacionada com a experiência de um grande amor.&lt;br /&gt;Penso que o amor é capaz de enriquecer nosso sentir pela natureza, como aconteceu com São Francisco de Assis e muitíssimos outros.&lt;br /&gt;Uma coisa aliás controversa, um grande amor nos faz sentir-nos em comunhão com a natureza. Pode ser razoavelmente plausível o que muitos acreditam que podemos ter experiências chamadas de holísticas, oceânicas, de trans-consciência, uma espécie da identificação com o Cosmos. Basta citar os escritos de Fridjof Capra.&lt;br /&gt;Acontece em algumas religiões, como na católica, uma espécie de identificação no amor com toda a criação. Poderia citar muitos exemplos. Permito-me narrar apenas um: Vive ainda uma mulher russa, Tatiana Guritcheva, professora de filosofia marxista, insatisfeita com sua filosofia e muito inquieta, por encontrar um sentido para a vida. Buscou todo tipo de experiências na linha do sexo e das drogas. Nessa busca terminou aderindo à ioga. Decorou vários mantras, entre eles até o Pai Nosso. No livro por ela escrito intitulado, Falar de Deus é perigoso, ela nos narra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eis que um dia (tinha vinte e seis anos, então), eu caminhava por um campo, dizendo as palavras do Pai Nosso. Depois de tê-lo repetido umas seis vezes, sem ter a menor fé na existência de um ‘Pai celeste’, recebi subitamente a resposta. A coisa mais inesperada, mais inimaginável me aconteceu. Tornou-se claro para mim que Ele existia. Não o deus anônimo dos iogues, mas o Pai dos Céus, cheio de amor. Ele me amava e amava todas as coisas que me estavam ao redor. Tudo ficou tão claro para mim, como se estivéssemos no primeiro dia da Criação. A pobre paisagem em torno se iluminou de uma alegria incomum, cada planta, cada folha parecia fremir de júbilo. Dir-se-ia que o mundo inteiro acabava de sair de suas mãos extravasantes de amor. Naquele momento, eu nasci de novo”.&lt;br /&gt;Depois dessa virada em sua vida ela foi expulsa da Rússia e, após viajar pelo mundo dando palestras, fundou um escritório na Alemanha, a fim de angariar fundos para as crianças abandonadas, sobretudo da África.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Diálogus, 8; cf Cola, Silvano, Operários da Primeira Hora, Cidade Nova Editora, tradução Pepe, Enrico,  2ª ed. 1987, 14.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Citado no Documento de Aparecida, nº 87.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Ib nº 85.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; (Cat. 344; cf São Francisco de Assis, escritos e biografias, Vozes 1996, p.70s).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6103177179829302085#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Cf  Inácio Larrañaga, O Irmão de Assis, Paulinas, 1980, p 102s.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-9069245718209766247?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/9069245718209766247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=9069245718209766247' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/9069245718209766247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/9069245718209766247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/11/catolicismo-e-meio-ambiente.html' title='Catolicismo e meio ambiente'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-4142806611653956445</id><published>2008-11-18T16:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T16:49:31.937-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aparecida e social'/><title type='text'>Visão cristã do Social</title><content type='html'>Pastilha 86&lt;br /&gt;A visão cristã do social&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na “pastilha” anterior escrevi sobre a noção de “realidade” no Documento de Aparecida. Volto ao mesmo assunto por achá-lo de muita importância.&lt;br /&gt;Explicito aqui a me referir à “realidade” social, como se passou a entender abusivamente essa palavra. Por isso a coloquei entre aspas.&lt;br /&gt;Há pouco tempo escrevi também sobre a visão cristã da história. Assim como a história também o social se enquadra na mesma categoria, a categoria do mistério de Cristo. Ele veio para “reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,10). Aqui, o social, como a história, ganha novo sentido, novo significado. &lt;br /&gt;Não se trata por isso de qualquer balela. Sob o prisma da encarnação do Verbo, história e social, vistos na perspectiva humano-sociológica, se esfumam diante do sentido novo, transcendente, infinito de “todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra”. Arriscamo-nos e ficar girando como mariposas em torno de uma débil luz de vela num quarto escuro, e não percebermos o brilho do sol.&lt;br /&gt;O Documento de Aparecida, desde sua introdução, nos aponta para essa grande luz que transcende o sociológico. Encontramos aí, com muita clareza: ... o que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade e as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo, pela unção do Espírito Santo. Acrescenta o documento que essa definição é para  a Conferência dos Bispos de uma “prioridade fundamental” (nº 14). Antes disso, com efeito, vêm citadas as palavras de Bento XVI, fazendo eco a João Paulo II: não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e dá tudo Quem se dá a ele, recebe cem por um. Sim, abram, abram de par em par as portas a Cristo e encontrarão a verdadeira vida” (nº’5).&lt;br /&gt;Onde está a dificuldade? Está na cultura moderna, formada por filosofias, assumidas por tendências teológicas, traduzidas e vulgarizadas pela mídia. E o que há de mais sério nessas ciências? Elas pretendem explicar tudo por aquilo que na filosofia clássica se tem chamado de “potência”, em oposição ao “ato”. Chama-se de potência o componente de qualquer realidade que é feito ser por outro componente ativo, dinâmico.&lt;br /&gt;Toda realidade múltipla é composta desses dois componentes. Ambos formam a realidade. Nenhum deles é realidade a não ser quando unido ao outro. Um exige o outro. A relação mútua é constitutivo essencial de ambos. Temos exemplos abundantes. Uma planta é composta da potencialidade da madeira e do poder de atualização do componente vegetal. Assim nós também somos um corpo orgânico  potencial feito atual pela racionalidade.&lt;br /&gt;Que tem a ver com o nosso caso essa consideração? Acontece que, hoje, a mentalidade, a cultura, privilegia os componentes potenciais. Assim, na teologia se privilegia o humano. Em Jesus Cristo se acentua de tal sorte o humano que o divino passa facilmente à categoria de secundário, ou, como se reconheceu, passa à categoria de “suposto”. Acentua-se o histórico e o social ao nível do humano e sociológico, em detrimento da visão cristã dessas dimensões. Tomam-se esses conceitos despidos do sentido divino que, depois de Cristo, passaram a possuir.&lt;br /&gt;O fato de privilegiar a potência redunda para muitos teólogos e agentes de pastoral, em querer fundamentar tudo partindo “de baixo para cima”. Entretanto, assim como a criação, também a revelação, não aconteceram dessa forma. Elas foram inesperada surpresa, pura gratuidade, fruto de uma escolha amorosa de Deus.&lt;br /&gt;É verdade que, tomada essa amorosa iniciativa, Deus pôs à prova os destinatários, como  convém a seres livres. Os primeiros pais foram provados por um livre ato de aceitação e correspondência. Sabemos do resultado descrito no livro do Gênesis. A redenção por Jesus Cristo também foi posta à prova de aceitação e correspondência na pessoa de Maria. Daí que os Santos Padres nos ensinaram que, assim como por um homem e uma mulher nos veio a perdição, do mesmo modo, por um homem, Jesus Cristo e por uma mulher, Maria, nos veio a salvação.&lt;br /&gt;Desde então os cristãos estiveram a braços com a enorme questão: como entender melhor a ação livre de Deus sobre nós e a livre correspondência de nossa parte? Ou, como se relacionam graça e natureza, sobrenatural e natural?&lt;br /&gt;A história parece mostrar que acontece um movimento pendular entre o sobrenaturalismo e o naturalismo. O natural e o sobrenatural são dois escolhos, Cila e Caribde, que formam uma estreita passagem pela qual muitas teologias não passam incólumes. Isso acontece em épocas como a nossa em que se rejeitou a metafísica, única ciência que poderia nos fornecer o paradigma da passagem por entre esses dois escolhos.&lt;br /&gt;Os filósofos sociais discutiram muito sobre o sentido do social e não chegaram a um consenso. Os teólogos, chamados a se moverem ao nível do sobrenatural, onde o natural, o imanente, nada perde e ao contrário é transfigurado, não podem ficar enredados no trânsito da imanência. São solicitados a levantar os olhos às alturas em que Cristo, assumindo a natureza a elevou. Por isso, nos exortam os últimos Papas: não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e dá tudo. Em verdade, assim como assume nossa humanidade, com ela assume também a história humana e o social. Foi para exemplificar que chamei atenção para o caso do império romano. Não consta que os cristãos dos primeiros séculos desenvolveram uma vasta ação social para fazer ruir o império. Ele foi penetrado por infiltração do fermento que é o Reino de Deus (Mt 13,33). Jesus não disse que o Reino é a massa, mas disse que o Reino é o fermento. O fermento transforma a massa compenetrando-a e fazendo-a levedar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-4142806611653956445?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/4142806611653956445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=4142806611653956445' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4142806611653956445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4142806611653956445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/11/viso-crist-do-social.html' title='Visão cristã do Social'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7700352439943527157</id><published>2008-10-07T18:39:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T18:41:37.686-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Unidade do documento em perspectiva sobrenatural'/><title type='text'>Introdução ao Documento de Aparecida</title><content type='html'>Pastilha 86&lt;br /&gt;Breve introdução ao Documento de Aparecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para definir qualquer coisa é preciso descobrir-lhe o componente que lhe dê unidade e, por conseqüência, identidade. Um aglomerado de material de construção não tem propriamente definição, identidade. Pode ser casa, ponte, muro, igreja, etc. O Documento de Aparecida (DA) dedica seis páginas, doze números, para dizer que, diante da globalização, que tudo unifica, é preciso buscar o componente unificador e dinamizador da vida cristã.&lt;br /&gt;Confessam os bispos a dificuldade de conhecer a realidade por seu caráter fragmentário: Isso nos  tem ensinado a olhar a realidade com mais humildade, sabendo que ela é maior e mais complexa que as simplificações com que costumávamos vê-la em passado ainda não muito distante e que, em muitos casos introduziram conflitos na sociedade, deixando muitas feridas que ainda não chegaram a cicatrizar. Também se tornou difícil perceber a unidade de todos os fragmentos dispersos que resultam da informação que recebemos... pois, muitos partem unilateralmente da informação econômica, outros da informação política... nenhum desses critérios parciais consegue propor-nos um significado coerente para tudo o que existe (nº36).&lt;br /&gt;Já na introdução o DA aponta para o método que não mais consiste em partir dos dados sociológicos, porque o que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade, ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo (n°14).&lt;br /&gt;Concretamente, qual então o componente unificador do DA, o “fio vermelho”, como o chamou frei Clodovis Boff? A resposta vem de uma citação de João Paulo II, em Novo millenio ineunte, que diz: A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo. Ainda em uma segunda citação de Bento XVI, tirada da Encíclica Deus Charitas est: não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida... (DA nº12).&lt;br /&gt;Mais adiante o DA insiste: sem uma clara percepção do mistério de Deus, torna-se opaco também o desígnio amoroso e paternal de uma vida digna para todos os seres humanos (DA nº35). Por isso: os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu destino (DA nº41)...&lt;br /&gt;Por bem cinqüenta vezes o DA fala do “encontro com Cristo”. Esse é o sentido que dá unidade a tudo o que existe e nos sucede na experiência, e que os cristãos  chamam de sentido religioso. Em referência à cultura latino-americana e caribenha conhecemos o papel  tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha, especialmente a devoção mariana... (DA nº37;cf nº43).&lt;br /&gt;Bastam essas referências para dar-nos conta de que, tanto o método “ver, julgar e agir”, como a “opção preferencial pelos pobres” têm no DA um sentido bem diverso daquele que se lhe atribuiu e se o ensinou durante mais de meio século. Com efeito, logo ao afirmar que este documento faz uso do método ‘ver, julgar e agir’, também o define dessa outra forma: este método implica em contemplar a Deus com os olhos da fé, através de sua palavra revelada (DA nº19). Não mais, portanto, o define pelas situações dramáticas da vida, nem pelos desafios da sociedade (DA nº14; cf Discurso Inaugural, 3).&lt;br /&gt;O mesmo deslocamento de sentido sofre a ‘opção preferencial pelos pobres’. Partindo da afirmação de Bento XVI de que tal opção está implícita na fé cristológica, afirma-se que ela nasce de nossa fé em Jesus Cristo, o Deus feito homem, que se fez nosso irmão (DA nº392; cf Hb 2,11-12). Portanto, somente na medida em que formos “nova criatura em Cristo” (2Cor 5,17) alcançaremos que os rostos sofredores de nossos irmãos pobres sejam vistos como rostos sofredores de Cristo (DA nº393), bem como o sentiu Teresa de Calcutá que fundou duas Congregações, feminina e masculina para ir às favelas e socorrer “os mais pobres entre os pobres”.&lt;br /&gt;Falou-se em luzes e sombras do DA. As luzes estão caracterizadas por aquilo que disse acima, isto é, recomeçar a partir de Cristo e Maria... Pois, tal princípio de unidade vem preencher o vazio produzido em nossa consciência pela falta de um sentido unitário da vida... (DA nº38).&lt;br /&gt;Sombras, vejo-as na ainda demasiada atenção que se dá nesse documento, como em muitos outros, ás análises sociológicas das conjunturas, mesmo depois de ter escrito que o que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade... (DA nº14).&lt;br /&gt;Em verdade, o reino de Deus não se “constrói” a partir daí, dos movimentos sociais. Igualmente o objetivo imediato da evangelização não consiste na reforma das estruturas sociais. Não consta que os cristãos dos primeiros séculos tenham empreendido movimentos sociais para derrubar o império romano. E, não obstante, o império foi reformado, para dar lugar à civilização cristã ocidental que os dois últimos Papas tanto se empenharam por salvar seu grande valor, sobretudo diante do parlamento europeu.&lt;br /&gt;A brevidade desta análise pode ter a vantagem de mostrar apenas a luz sob a qual se deve ler o DA e também mostrar a razão por que há a respeito tantas interpretações.  Termino com a sugestão de lê-lo sob essa luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    Pe. Achylle Alexio Rubin / achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7700352439943527157?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7700352439943527157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7700352439943527157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7700352439943527157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7700352439943527157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/10/introduo-ao-documento-de-aparecida.html' title='Introdução ao Documento de Aparecida'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3240483363708489589</id><published>2008-08-08T17:01:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T17:02:28.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Teologia do Corpo de João Paulo II'/><title type='text'>O Papa e o sentido do sexo</title><content type='html'>O Papa e o sentido do sexo&lt;br /&gt;                                                  Achylle Alexio Rubin /achyllerubin@yahoo.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba de ser publicado um livro sob o título “Teologia do corpo...uma introdução básica à revolução sexual de João Paulo II”. Publicado pela Editora Miryan de Porto Alegre, fone (51) 33410769, e-mail: &lt;a href="mailto:editoramiryan@terra.com.br/"&gt;editoramiryan@terra.com.br/&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;João Paulo II, ainda como padre, dedicou-se com empenho à pastoral da juventude. Diante do amadurecimento da vida sexual dos jovens, ele se aplicou em apresentar o sentido do sexo no contexto global da existência humana. Para tanto desenvolveu uma verdadeira teologia em torno do assunto. Convencido da importância do tema, voltou a ele com freqüência nos seus primeiros anos de Papa. Entre a eleição, setembro de 1979 e novembro de 1984, pronunciou 129 homilias, todas sobre o tema da teologia do corpo.&lt;br /&gt;O ponto de partida desse ensinamento teológico vem a ser o fato de nós precisarmos das coisas materiais para dar-nos conta das espirituais. As realidades corporais nos dão de percebermos as espirituais. Chamam-se por isso de sinal, ou símbolo. Por exemplo, a água no caso do batismo representa sinal de realidade muito maior.&lt;br /&gt;O maior porém de todos os símbolos foi certamente a natureza humana de Cristo. Ela nos proporcionou vermos Deus em sua humanidade. No prólogo ao Evangelho de João se diz que “ninguém jamais viu a Deus” e, não obstante, no capítulo 14 do mesmo Evangelho, Jesus afirma que “aquele que me viu, viu também o Pai”. Ver Cristo homem, nos proporciona vermos Deus, no sinal daquele homem. O Centurião romano que acompanhou a paixão de Cristo, ao presenciar o modo como esse homem se comportou, ao correr dessas horríveis cenas, exclamou: “Este homem era realmente o Filho de Deus!”.&lt;br /&gt;O ponto de partida das homilias do Papa sobre o corpo humano parece ser, entretanto, o símbolo da união entre homem e mulher para representar realidades maiores e mais sublimes do que as meramente corporais. &lt;br /&gt;A união entre homem e mulher tem uma dupla revelação: o amor em seu mais alto grau e a dimensão divina da procriação. De tal sorte que se torna uma experiência de espiritual grandeza. Assim que o problema, antes de ser o do sexo, é o do amor, de sua nobreza e de sua relação com Deus.  &lt;br /&gt;Recebi por escrito de ua mãe um testemunho já por mim escutado de viva voz de outras mães, e que eu desejaria ser confirmado por outras ainda. Transcrevo-o: “... engravidar foi o momento mais humano-divino que pude sentir em minha vida. Continuaria dizendo e me perguntando: que plenitude de Espírito Santo acontece numa mulher grávida?! O que é que enche de luz o coração dos pais nos nove meses de gravidez e, especialmente, no nascimento de um filho?! Meu marido, por exemplo, pegava a (última filha) recém-nascida e rodava com ela nos braços, dançava e me dizia: Quero outra igual a esta, quero mais, muito mais filhos, porque é bom demais! Durante essa terceira gravidez, todo mundo me perguntava se era a primeira, tanta era minha alegria e satisfação que eu transmitia. E dizer que eu já andava pelos 34 anos. Eu corria, eu sorria, eu cantava o tempo todo. E quando estive grávida do primeiro, aos domingos eu jogava canastra até altas horas e, segunda cedo, pegava no trabalho e não sentia canseira. E a gravidez do segundo? Estava então no segundo ano de faculdade e fazia estágio direto das 07 às 13 horas. À tarde freqüentava aulas. À noite saía para reuniões... Conclusão: sempre dizia que durante minhas gravidezes eu tinha um Deus poderoso dentro de mim, tanta era a disposição que sentia...”.&lt;br /&gt;Acredito que esse testemunho ilustra bastante o novo livro que estou apresentando, “A Teologia do Corpo”... Oxalá muitos se decidam a lê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3240483363708489589?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3240483363708489589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3240483363708489589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3240483363708489589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3240483363708489589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/08/o-papa-e-o-sentido-do-sexo.html' title='O Papa e o sentido do sexo'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-8250528203853095429</id><published>2008-07-26T06:56:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T06:57:46.767-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A liberdade é &quot;sim&quot; ao nosso fim'/><title type='text'>Sobre a liberdade</title><content type='html'>Sobre a liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo, Bento XVI, em discurso sobre São Máximo, o Confessor, abordou o tema da liberdade, encontrado nos escritos desse santo. Houve alguém que, dando-se conta da importância desse tema, achou por bem divulgá-lo entre amigos. Estes, por sua vez, se questionaram amplamente, a respeito, sinal de que se trata de um assunto de grande interesse.&lt;br /&gt;O referido discurso do Papa tratou do tema da liberdade nos escritos de São Máximo. Para se compreender a liberdade importa “compreender o dinamismo do ser humano que só se realiza saindo de si mesmo”. O homem não pode fechar-se sobre si mesmo, sob pena de não se realizar. Em nós mesmos não poderemos  encontrar-nos. Onde então nos encontraremos? “Só em Deus nos encontramos a nós mesmos, nossa totalidade e plenitude”. Em conseqüência,  “o homem que se fecha em si mesmo não está completo”.&lt;br /&gt;O pecado consiste na negação. O homem foi induzido a dizer “não” a Deus, iludindo-se de que com isso seria livre, “chegaria à culminância da liberdade”. Não se deu conta que “o máximo da liberdade é o ‘sim’, a conformidade com a vontade de Deus”. No Evangelho encontramos a afirmação contundente dessa realidade, ao nos ensinar: “aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á” (Mt 10,39).&lt;br /&gt;Que significa, do ponto de vista filosófico, que nossa liberdade está condicionada ao “sim” e não ao “não”? Significa que nós somos seres essencialmente finalizados. Nós não temos em nós mesmos a plenitude. Somos seres carentes e, por isso, dependentes de quem é plenitude, de quem pode dar, de quem pode enriquecer-nos. Somos essencialmente voltados para um fim. Voltarmo-nos para o “não” é o mesmo que nos voltarmos para o vazio, para onde não há nada que possa plenificar-nos.&lt;br /&gt;Voltarmo-nos para o “não”, representará duplo sintoma: ou ilusão, ou loucura. O mais freqüente é a ilusão de saciar-nos com produtos imaginários, sonho da imaginação. Uso um exemplo para ilustrar a loucura de encontrar a liberdade com o “não”. Se estou numa sala, no décimo andar de um edifício, posso decidir, porque sou livre, de sair pela janela. Verdadeira loucura.&lt;br /&gt;Portanto, nós temos uma liberdade condicionada. Somos dependentes em tudo, da família, da sociedade, das realidades materiais. Nossa vontade não está em condições de dispensar esses condicionamentos. O mais profundo e abrangente entre eles é que somos seres condicionados pelo fim, a fonte de toda nossa realização, o Sumo Bem, diria o filósofo pagão, Aristóteles. Em sua “Ética a Nicômaco”, afirmou que todo homem busca a sua felicidade, sua realização. Os ignorantes, a buscam nos “prazeres, nas riquezas e nas honras”. Os sábios, porém, a buscam no Sumo Bem.&lt;br /&gt;Finalmente, a liberdade está ligada de forma imediata à decisão de nossa vontade. Mas, de forma mediata, está ligada à nossa razão, que representa o farol a iluminar a estrada de nosso fim, solicitando a vontade de andar por ela. A razão, no exemplo acima, solicita nossa vontade a sairmos pela porta da sala e tomar as escadas, ou o elevador. Se a razão não iluminar esse cominho, significa loucura. Assim, creio eu, podemos entender que a liberdade consiste em sairmos de nós na direção do bem, do Sumo Bem, significa vivermos do “sim”. Foi o que Bento XVI desencarnou das obras profundas de São Máximo, do século VI; santo que sofreu verdadeiro martírio. O imperador de Constantinopla, primeiro, mandou cortar-lhe a língua, a fim de impedi-lo de falar, depois, mandou decepar-lhe a mão direita, a fim de impedi-lo de escrever e, em seguida, o exilou. Por tal martírio foi chamado de São Máximo, o Confessor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-8250528203853095429?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/8250528203853095429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=8250528203853095429' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8250528203853095429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8250528203853095429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/07/sobre-liberdade_26.html' title='Sobre a liberdade'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-4315499550872423439</id><published>2008-07-26T06:52:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T06:54:18.675-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A liberdade é &quot;sim&quot; ao nosso fim'/><title type='text'>Sobre a liberdade</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-4315499550872423439?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/4315499550872423439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=4315499550872423439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4315499550872423439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4315499550872423439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/07/sobre-liberdade.html' title='Sobre a liberdade'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-1239280701741836881</id><published>2008-06-18T11:42:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T11:44:00.067-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Algo mais que Medellin na visão cristá'/><title type='text'>As interpretações de Aparecida</title><content type='html'>As interpretações de Aparecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um destacado teólogo escreveu-me, em março último: Sinto que a teologia moderna (de hoje) é por demais “moderna” (alinhada ao imanentismo da modernidade). Há dificuldade nos teólogos e também, em parte nos Bispos (parte) de entender e apreciar, em sua natureza própria, a dimensão transcendente – espiritual – sobrenatural da fé. O que se escreve de Aparecida?! Cada um vê aí o que quer...&lt;br /&gt;Não me parece difícil de vislumbrar duas óticas interpretativas do documento de Aparecida. Uma é a dos que o vêem à luz de Medellín e a outra a dos que o vêem à luz dos passos que a Igreja da América Latina tem dado, a partir, sobretudo de Santo Domingo. Já escrevi sobre isso dois artigos sob os títulos: A Igreja em correção de rota e Troca a Igreja de enfoque? (cf meu “blog”: achyllerubin.blogspot.com).&lt;br /&gt;Os hermeneutas do enfoque de Medellín se valem das palavras chaves contidas no Documento, ver-julgar-agir e opção pelos pobres. Crêem poder justificar sua interpretação com essas palavras. Se esses intérpretes, entretanto, lessem o documento com maior atenção, iriam perceber que, tanto para o método ver-julgar-agir, como para a opção pelos pobres, o mesmo documento dá outro sentido. Não se parte mais simplesmente do “ver”. Parte-se do contemplar a Deus para que vejamos a realidade que nos circundo à luz de sua providência (nº19). Por sua vez a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica, segundo as próprias palavras do Papa (nº 392). Conclusão: sem a clara percepção do mistério de Deus, torna-se opaco também o desígnio amoroso e paternal de uma vida digna para todos os seres humanos (nº35).&lt;br /&gt;Em conseqüência, não se parte do “ver”, pois, os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação e de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido (nº 41). Fica evidente que, se a opção pelos pobres está implícita na fé cristológica, então essa opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo (nº 392) e não das causas detectadas pelas análises das conjunturas sociais, políticas e econômicas.&lt;br /&gt;Lido o documento de Aparecida sob essa luz, ele ganha outro sentido, diverso daquele que muitos tentam ainda defender. Antes da realização da grande conferência, tenho respondido a alguém que me perguntava quais seriam as perspectivas do documento final: é possível e até provável, respondi, que o documento resulte de um certo compromisso entre diversas correntes de pensamento. As várias interpretações parecem apontar nessa direção.&lt;br /&gt;Estou, aliás, bem curioso por saber qual a razão por que o artigo de frei Clodovis Boff, na REB de outubro do ano passado, foi colocado em último lugar, depois de vários outros intérpretes. Não será porque ele, sem fazer nomes, faz uma valiosa autocrítica da Teologia da Libertação e contesta o modo dos demais interpretarem Aparecida?&lt;br /&gt;Considero, entretanto, que o máximo problema no seio da Igreja, e que comanda todas as interpretações, consiste naquele apontado acima: a dificuldade de se entender a vida sobrenatural. Ela se tornou indigesta, depois de ter sido involucrada no slogan do sobrenaturalismo. No entanto, reside ali a fronteira entre uma visão de autêntica vida cristã e uma visão de mera cultura cristã.&lt;br /&gt;Escrevi um artigo sobre a visão cristã da história, comentando a celebre Carta a Diogneto, do século II (cf meu blog). Pois bem, o sobrenatural, tanto se refere ao indivíduo, como se refere à história e à sociedade. É verdade que Cristo “assumiu” a natureza humana, mas não a assumiu para deixá-la no nível em que se encontra de fato. Assumiu-a para elevá-la a um sumo, a uma culminância. O mesmo ele fez com a história, com a sociedade. Assumir, com efeito, significa elevar a um sumo, a um nível mais alto.&lt;br /&gt;A filosofia da história há muito tempo está buscando um sentido para a história, uma compreensão dos acontecimentos que se sucedem. Sobre isso, porém, os filósofos divergem grandemente.&lt;br /&gt;A teologia da história, entretanto, tem outra visão dos fatos e não há como titubear na busca de sua compreensão. Aqui os fatos históricos ganham um sentido novo e bem determinado. Não são produto de projetos humanos, orientação humana. São projetados e dirigidos pela divina Providência. A nós compete exercitar-nos, tanto na sensibilidade para perceber a intenção da Providência, quanto na docilidade para segui-la. Esse é o agir consoante o sentido teológico e sobrenatural da história.&lt;br /&gt;Uma sociedade justa, entendida como objetivo da evangelização, distrai do verdadeiro sentido. Ela é alcançada como conseqüência de uma visão cristã da história e não como objetivo primeiro: buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo (Mt 6, 33). &lt;br /&gt;A interpretação de um escrito como o documento de Aparecida deve, portanto, obedecer a uma visão teológica, sobrenatural, do contrário desvia-se de seu verdadeiro sentido e se criam confusões.&lt;br /&gt;                                           Pe. Achylle A. Rubin / achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-1239280701741836881?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/1239280701741836881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=1239280701741836881' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1239280701741836881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1239280701741836881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/06/as-interpretaes-de-aparecida.html' title='As interpretações de Aparecida'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-2999893653959122895</id><published>2008-05-22T17:34:00.000-07:00</published><updated>2008-05-22T18:20:51.320-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quem ama dá o que tem de melhor'/><title type='text'>Corpus Christi</title><content type='html'>Hoje é Corpus Christi&lt;br /&gt;Jesus veio da parti do Pai para provar de forma eminente, infinita o quanto nos ama. Como quem ama dá o que tem de melhor à pessoa amada, ele nos deu o que tinha de melhor. Por isso, não deu coisas, deu-se a si mesmo. O amor começa por dar coisas, mas termina dando-se a si mesmo. Deus nos deu tudo, toda a criação: "Deus disse: eis que eu vos dou toda a erva... todos os animais... todas as aves dos céus... os repties e tudo em que haja sopro de vida" (Gn 1,29s).&lt;br /&gt;Não contente em nos dar tudo, deu-nos a si mesmo, a sua natureza, fazendo-nos filhos seus: "... necessário vos é nascer de novo..." (Jo 3,3s). Não contente com isso, deu-se a nós em forma de alimento e bebida, instituiu a eucaristia. Primeiro prometeu, com bastante antecedência. Tendo multiplicado cinco pães e três peixinhos para alimentar cinco mil homens, além da mulheres e crianças, no dia seguinte a multidão o procurou. Ele os admoestou: "... buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos... o verdadeiro pão é o que desce do céu e dá vida ao mundo... Eu sou o pão da vida" (Jo 6,26s).&lt;br /&gt;Poucos horas antes de ser entregue nas mãos da maldade humana, entregando-se a si mesmo para revelar o amor, pois, "ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" )Jo 15,13), Ele, de forma inesperada e simples, deu-se em alimento e bebida. Na última ceia, "tomou o pão, deu graças, o partiu e o deu, dizendo: "Isto é meu corpo', comei dele todos, e logo tomou o calice com vinho e disse: 'este é o cálice de meu sangue, bebei dele todos'.&lt;br /&gt;Portanto, aquele que ama não se contenta em dar coisas, dá de si mesmo. Daí que o amor esponsal foi chamado por João Paulo II de ícone do amor de Deus. Daí que em todo o Antigo Testamento Deus comparou seu amor como o amor do esposo para com sua esposa. Amem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-2999893653959122895?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/2999893653959122895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=2999893653959122895' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2999893653959122895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2999893653959122895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/05/corpus-christi.html' title='Corpus Christi'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-4555914589676857481</id><published>2008-05-22T17:30:00.000-07:00</published><updated>2008-05-22T17:31:47.135-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Salvar o amor indefeso'/><title type='text'>Amor, esquecimento de si</title><content type='html'>Amor, esquecimento de si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou escrevendo sobre o sacramento do matrimônio. Chamei-o de sacramento do amor. Entendi então que devia escrever, antes de mais nada, sobre o amor. Iniciei mostrando o amor como uma realidade paradoxal porque busca união máxima e, ao mesmo tempo, máxima distinção; união de natureza e distinção de pessoas. Na Trindade acontece de forma perfeita tal paradoxo insondável: Uma só natureza, um só Deus, em três pessoas. Comentei também que o amor esponsal é exclusivo e indissolúvel, não só por haver uma lei que postula isso, mas por ser exigência da própria natureza do amor esponsal.&lt;br /&gt;Além dessas características importa salientar outra mais: O amor leva a pessoa ao esquecimento de si. O egoísmo centraliza a pessoa sobre si mesma. O amor faz com que a pessoa esqueça de si, se volte toda para o outro. Na pessoa amada ela se perde, literalmente. Passa do egoísmo, da centralidade do próprio eu, para a centralidade do outro. Talvez seja essa a razão porque o povo diz que o amor é cego. Trata-se certamente de uma avaliação egoísta, pois o amor é cego para seus próprios interesses, por estar voltado todo para o outro. As mães sabem disso. Uma delas, falando a linguagem do egoísmo, me disse: “O coração de mãe é o diacho!”. &lt;br /&gt;Jesus expressa no Evangelho essa radicalidade do amor, quando afirma: ... quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á: mas, quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9,24). Essa é outra expressão do paradoxo do amor. Como se entende que se perder significa salvar-se? Nossa cultura egoísta, feita de imediatismos práticos não consegue entender, por não entende mais o amor.&lt;br /&gt;Duas indicações nos auxiliam na compreensão desse paradóxo. De um lado, a experiência nos mostra que só o amor nos faz felizes, isto é, nos salva. Um outro texto do Evangelho nos aponta onde está a felicidade ao nos dizer: ... quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir; mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos (Lc14,13-14). Serás feliz porque é com tais convidados que o amor acontece. E o amor nos faz felizes. De outro lado, Jesus que se identificou com esses “pequenos” (Cf Mt, 25,40), no dia do julgamento saberá retribuir (Mt 10,42).&lt;br /&gt;Estou escrevendo que o amor nos leva ao esquecimento de nós mesmos, ele nos leva a perder-nos na pessoa amada. No amor somos levados a nos despojar, a nos esvaziar de nós mesmos em favor do outro. Novamente, perdendo-nos nos ganhamos. Quem poderá entender tal procedimento? Somente quem o experimentar. Nossa cultura nos afasta da experiência do amor. &lt;br /&gt;Jesus que havia dito ninguém tem mais amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13), efetivamente, esvaziou-se de todas as suas prerrogativas, de todos os seus títulos. Não apelou para nenhum deles, nem sequer o de ser Deus. Entendeu-o muito bem São Paulo: Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se de si mesmo, assumindo a condição de escrevo e assemelhando-se aos homens... (Fl 2,6).&lt;br /&gt; No esvaziamento de si, quem ama também dá à pessoa amada aquilo que tem de melhor. Jesus não deu coisas mas deu de si mesmo: Ao dar a vida, revelou-nos o amor. Além disso fez-nos participantes de sua própria natureza (2Pd 1,4) e, deu-nos a si mesmo em alimento e bebida. Portanto, deu de si, do que tinha de melhor. São Vicente Pallotti sentiu isso quando escreveu: Deus me ama tanto que, se pudesse me fazer verdadeiro Deus, me faria verdadeiro Deus.&lt;br /&gt;Em tal clima de amor, se a pessoa amada tiver que retribuir não o fará nunca por temor, mas será igualmente e sempre também por amor, por pura gratuidade. Jesus amou gratuitamente e quis acordar um nós a mesma atitude. Não exigiu nada em troca, não cobrou nada de ninguém, não ameaçou, não julgou ninguém, não condenou, numa palavra, não atemorizou. Só teve palavras de perdão. Se, com efeito, o amor não fosse gratuito criaria devedores e os devedores temem, como diz o provérbio popular: quem não deve não teme, mas quem deve teme.&lt;br /&gt;Em conseqüência de tudo, o amor tem o caráter de certa ingenuidade. O que ama não vê malícia na pessoa amada. Deixa-se facilmente ludibriar. Não busca defender-se da maldade, não se defende porque se entrega.&lt;br /&gt;Há quarenta anos atrás um grande pregador suíço, Pe. Maurice Zundel, fez uma conferência, publicada há poucos anos numa revista francesa com o título: Sauver Dieu de nous mêmes (salvar Deus de nós mesmos). Na verdade, Jesus Cristo nosso Deus, entregou-se nas mãos da maldade humana: o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores (Mc 14,41). Entregou-se por amor aos homens, mas os homens não o salvaram: Os pecadores que ele ama com predileção – Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (Mt 9,13) – em lugar de salvá-lo, o condenaram à morte.&lt;br /&gt;Entregou-se por vontade do Pai que o enviou a nós. E a vontade do Pai não foi uma vontade sádica. Foi a intenção do Pai, o amor do Pai por nós, a fidelidade à sua própria palavra que havia prometido salvação. E a salvação se faz pelo caminho do amor. Isso tudo aconteceu para que, se alguém tiver que segui-lo, o siga por amor e não por temor. Arrisca-se perder toda a humanidade, com tal que, ao menos alguns, o sigam por amor.&lt;br /&gt;Tem-se recordado sempre o amor de mãe para nos dar uma leve compreensão do amor de Deus para conosco. Recordo sempre de uma triste cena televisiva do trágico episódio da mortandade na prisão de Carandiru de São Paulo. Um repórter mostrava do lado de fora da prisão ua mãe chorando convulsivamente. Perguntou-lhe: Senhora, por que choras assim? Respondeu-lhe ela: Mataram meu filho, mataram meu filho! O repórter iluminou seu rosto. Estava cheio de ferimentos que esse seu filho drogado lhe tinha feito com suas agressões.&lt;br /&gt;O amor não se defende. Se a pessoa amada não o defende ele não se defende. Facilmente se deixa explorar. Sua vitória, porém, consiste em mover o outro ao amor, convertê-lo. Aliás, ninguém transforma ninguém de fora para dentro. Somos seres livres e somente conseguiremos mudar alguém de dentro para fora, movendo-o ao amor e pelo amor. Concluo recordando que o esquecimento de si tem poder. Ele apela e se insere num poder mais alto. Aliás, que seria da mãe como a minha, que gerou quinze filhos, se o amor não tivesse uma transcendência? Que frustração! Entretanto, Jesus, na véspera de sua paixão, quando estava para ser traído e levado à morte de cruz, disse: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele (Jo 13,31). E a glorificação aconteceu. Ao terceiro dia Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos  os nomes... para que toda língua confesse... que Jesus Cristo  é Senhor (Fl 2,9-11; cf Deut 6,4). Há de chegar o dia feliz em que o amor triunfará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-4555914589676857481?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/4555914589676857481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=4555914589676857481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4555914589676857481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4555914589676857481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/05/amor-esquecimento-de-si.html' title='Amor, esquecimento de si'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-6768520912457659923</id><published>2008-05-10T20:05:00.000-07:00</published><updated>2008-05-10T20:07:37.744-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não se ensina filosofia mas se ensina filosofar'/><title type='text'>Jubileu particular</title><content type='html'>Jubileu particular&lt;br /&gt;                                                               Achylle Alexio Rubin  / achyllerubin@yahoo.com.br&lt;br /&gt;                                                                                               Blog: achyllerubin.blogspot.com&lt;br /&gt;Dia primeiro deste mês de maio comemoramos a jubileu de ouro do Colégio Máximo Palotino. Na esteira desse evento estou também eu comemorando um jubileu particular. Completo nestes dias cinqüenta anos de professor de filosofia. Professor no Colégio Máximo Palotino, professor na UFSM, professor nos saudosos cursos de direito e economia dos beneméritos irmãos maristas.&lt;br /&gt;Minha socrática consciência, ou minha pobre auto-estima me sussurram ao ouvido: em cinqüenta anos aprendeste tão pouco e obtiveste tão parcos resultados?! Entretanto, ao tentar auxiliar nossos jovens, faço valer a palavra de Pedro ao coxo de nascença: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou” (At 3,6).&lt;br /&gt;Com efeito, nesses cinqüenta anos fiz o que minha frágil natureza e minha limitada inteligência me permitiram fazer: dar daquilo que minhas convicções  e possibilidades me indicavam. Ao concluir o doutorado em filosofia, meu saudoso orientador de tese entendeu dar-me um conselho, dizendo-me: nos primeiro três anos de professor, considero prudente usares um manual. Eu lhe respondi com grande convicção e maior ousadia: ainda que lecione mal, penso ser preferível fazê-lo sem o uso de manuais e apostilas.&lt;br /&gt;Mal imaginava então a mão de obra que essa minha pretensão iria me custar. Mas acredito ter sido premiado. Ao menos para meu proveito. Aprendi a me tornar aprendiz de filósofo, não repetindo o que os outros pensaram, mas mostrando aos alunos a arte de filosofar. Não tratei de ensinar filosofia, mas sim de ensinar a filosofar.&lt;br /&gt;Aprender a história da filosofia, o pensamento dos outros, é certamente importante. Não é, porém, suficiente para se criar um filósofo. Tomás de Aquino, em seu tratado De Coelo (Sobre o Céu), escreve que a função da filosofia “não é saber o que os homens pensam, mas qual é a verdade objetiva”. Nessa busca deverá, de preferência, ocupar-se a mente humana.&lt;br /&gt;Para tanto o aluno necessita ver o exemplo de alguém que filosofa diante dele. Apelei para a imagem do aprendiz a pintor. O aprendiz a pintor começa copiando pinturas. Mas se quiser progredir na arte, deverá libertar-se da dependência dos outros para, finalmente, tornar-se autêntico pintor com  obras originais. Assim, o curso de filosofia não deverá ter como objetivo ensinar filosofia, mas ensinar a filosofar.&lt;br /&gt;Com esse objetivo promoveu-se, ainda nos idos de sessenta, uma associação filosófica, contando como um dos principais animadores o saudoso Sergio Pires, então aluno do curso de filosofia. Essa associação promoveu seminários para alunos e professores. Em 1967, por exemplo, animou um desses seminários sobre filosofia das ciências, ao qual tomaram parte um grande número de professores, entre eles o próprio Dr. Mariano da Rocha Filho, fundador e reitor da Universidade. O conteúdo desse seminário publiquei-o há poucos anos sob o título “Três lições de filosofia das ciências”.&lt;br /&gt;Ao completar, neste mês de maio de 2008, cinqüenta anos de professor de filosofia, sou muito grato por ser o que sou devido às circunstâncias a mim oferecidas por uma Providência misteriosa e cheia de amor que me conduziu, malgrado minhas resistências físicas, morais e espirituais. Incluídas nessas circunstâncias estão muitas pessoas caridosas que depositaram confiança em mim, às quais sou imensamente agradecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-6768520912457659923?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/6768520912457659923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=6768520912457659923' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/6768520912457659923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/6768520912457659923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/05/jubileu-particular.html' title='Jubileu particular'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-8083698435311982012</id><published>2008-04-20T15:22:00.000-07:00</published><updated>2008-04-20T15:25:08.637-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natureza do direito em face ao positivismo'/><title type='text'>Coordenadas filosóficas sobre Direito</title><content type='html'>Coordenadas filosóficas sobre Direito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra do jurista Eugênio Antônio Pozzobon me estimula a escrever algumas coordenadas filosóficas sobre o tema do direito. O estímulo parte, tanto de um desejo expresso do autor, quanto das várias vezes que o mesmo me tem citado em sua obra.&lt;br /&gt;A filosofia do direito ganha, hoje, muita importância por causa dos repetidos apelos por uma ética do comportamento social e político. A ética, com efeito, pertence ao domínio da filosofia e o direito está essencialmente vinculado à ética.&lt;br /&gt;Em se tratando de filosofia, importa iniciar com uma palavra sobre a mesma. A variedade de correntes filosóficas, postula uma prévia consideração. Para simplificar a tarefa poderíamos apresentar duas delas que mais exercem influência nos debates sobre o direito: a filosofia realista e a positivista.&lt;br /&gt;Os realistas, discípulos sobretudo do grande filósofo-teólogo, Tomás de Aquino, afirmam que a filosofia é uma ciência que se ocupa de conhecimentos do mundo real, adquiridos a partir da experiência. Tais conhecimentos, não permanecem limitados aos dados físicos da experiência sensível da realidade, mas, pelas manifestações sensíveis da mesma realidade, nós chegamos a entender que ela é mais do que suas aparências físicas. Por exemplo, vemos uma planta, sua cor, sua figura, seus produtos, flores e frutos, seu crescimento, etc. e entendemos que ela, com seu auto-mover-se organiza os elementos que escolhe da terra e da luz e se fazer crescer e produzir frutos. Tal “poder”, tal “energia” não se pode ver, mostrar, apalpar, medir, pesar, etc. Sua realidade é muito mais do que sua aparência. Transcende, ultrapassa o físico. Num sentido lato, é trans-físico, meta-físico. A dimensão física nós a vemos, a meta-física nós a entendemos.&lt;br /&gt;A filosofia positivista, por sua vez, teve um grande impulso em nossos dias com o filósofo francês Augusto Comte (1798-1857). Na área do direito, creio não errar se digo que essa filosofia tem, hoje, uma preponderante influência.&lt;br /&gt;Resumindo, esse filósofo construiu um amplo sistema explicativo da evolução social através dos tempos. Achou que a humanidade tem passado por três grandes fases de evolução. Num primeiro tempo teria predominado a era teológica ou fictícia, num segundo, a era metafísica ou abstrata, num terceiro, porém, estaríamos vivendo a era científica ou positiva.&lt;br /&gt;De fato, Augusto Comte é considerado o fundador da sociologia, ciência positiva. Escreveu Curso de filosofia positiva onde afirma: “Em suma: ciência, logo previsão; previsão, logo ação...”. Salta à vista a semelhança com certa teologia destes últimos tempos fundamentada na sociologia, no método “ver-julgar-agir”, também ela considerando a metafísica como coisa abstrata.&lt;br /&gt;Em conseqüência, o positivismo se caracteriza como uma filosofia cujo único método de conhecimento é o das ciências exatas, ou positivas. Essas ciências seriam o único caminho para resolver os problemas da humanidade. Inclusive, com essa base das leis sociais consideradas como divinas, Comte pretendeu fundar a religião do “amor à humanidade”. A adoração se deve à “divina” Humanidade.&lt;br /&gt;Temos exemplos clássicos de endeusamento das ciências como resposta para todos os problemas humanos. Por exemplo, um retrato perfeito dessa “fé” encontramo-lo em Silvio Romero (1851-1914) que a Enciclopédia e Dicionário ilustrado Koogan/Houaiss caracteriza como “filósofo, sociólogo, polemista, crítico e historiador da literatura brasileira”. Escreve esse autor: “como a linguagem, como a mitologia, como a religião, a poesia perdeu todos os ares de mistério, depois que a ciência do dia, imparcial e segura, penetrou um pouco mais amplamente nos mistérios das origens. Este resultado foi devido à alta crítica histórica e filosófica, depois que o sopro das ciências naturais rejuvenesceu. A metafísica, com todo o seu histerismo, bem pouco contribuiu para ele. A poesia é um resultado da organização humana, nada tem de absoluto, nem de sobrenatural... A época de Darwin, Moleschout... e, naturalmente, de Comte, Mill e Spencer... Esses nomes exprimem a grande transformação das ciências da natureza, invadindo a esfera das ciências do homem... A popularização da ciência é um fenômeno dos últimos tempos e a melhor conquista da expulsão do sobrenatural. Tudo é relativo no universo e no homem, nada existe que faça medo. Para que, pois, o mistério?” (cf Contos do fim do século, 1878, V,VIII).&lt;br /&gt;Tal “fé”, hoje, é contradita por todos os verdadeiros cientistas,  mas ela  foi a que levou os positivistas a excluir do direito as necessárias referências à natureza metafísica da pessoa, sem as quais não há o que todos buscam, a ética no comportamento social e político.&lt;br /&gt;Ainda, para a filosofia do direito, importa recordar outra fonte do positivismo, o filósofo de Königsberg, Emmanuel Kant (1724-1804). Do ponto de vista do conhecimento da realidade também ele só admitiu, na esteira de David Hume, o método das ciências. Admite termos idéias de realidades não sensíveis, mas só idéias. Elas não correspondem com a realidade. Para ele, por isso, filosofar é pensar de acordo com um esquema de idéias. Em razão disso só admitiu o direito positivo, civil, assim que todo direito só se funda na lei positiva.&lt;br /&gt;Essas colocações chamam em causa duas questões, levantadas pelos filósofos realistas, uma sobre a natureza do direito e a outra sobre o fundamento do direito. Ambas as questões pertencem ao objeto próprio da filosofia. Pois, pertence à filosofia investigar a natureza das coisas e o sentido delas, origem e fim.&lt;br /&gt;Primeira questão: em que consiste o direito? Segundo a tabela das categorias, ou classes de realidades, elaborada, primeiro por Aristóteles em sua metafísica e depois acolhida por Tomás de Aquino, o direito é considerado na categoria da “relação”.&lt;br /&gt;A relação se dá quando duas ou várias coisas se referem uma à outra, como que “ligadas” por um terceiro elemento, formando assim uma determinada ordem. Por exemplo, numa sala de aula há uma ordem de muitas coisas – alunos, mesas, cadeiras, quadro negro, mapas, etc. – todas ordenadas por referência a um terceiro, à cátedra. Temos aí uma ordem. Suponhamos não houvesse a cátedra e todas as coisas não estivessem a ela ordenadas, não se poderia dizer que se trata de uma sala de aula, mas, por hipótese, de um depósito. Na desordem as coisas não têm relação umas com as outras e, por isso, não há unidade, não há ordem.&lt;br /&gt;Numa relação entram três componentes. No exemplo dado entram todos aqueles objetos, ordenados, voltados um para o outro, em referência à cátedra. Então se diz que essas diversas coisas são o objeto da relação, enquanto que a cátedra é o sujeito, e a posse, o fundamento. Constitui-se assim uma ordem.&lt;br /&gt;No direito há o objeto que são realidades, o sujeito é quem as possui e o fundamento é a posse, a propriedade. As coisas se  referem ao sujeito como sua propriedade. Trata-se de uma relação de posse. Se as realidades passam a ser posse, o sujeito passa a ser possuidor.&lt;br /&gt;Torna-se alguém possuidor por atos diversos, como a ocupação de uma coisa sem dono, a doação, a compra, etc. Tais atos criam uma relação de possessão que implica um direito que exige ser reconhecido e respeitado.&lt;br /&gt;Segundo questão. Onde então se funda esse reconhecimento, esse respeito? Funda-se primariamente na própria natureza humana, nos seus valores. O homem é um ser racional, tem consciência de si mesmo, é autoconsciente, é indivíduo autônomo, livre. Exerce “posse” de si mesmo, de seus valores humanos, é dono de si. Tem absoluto direito sobre si. Não pode ser “invadido” naquilo que é seu ser mais íntimo e também em tudo o que se refere à essa sua intimidade, os valores pessoais, e também suas posses. Nessa base houve a “Declaração dos direitos humanos” proclamada pela ONU. a fim de explicitar os direitos fundamentais da pessoa.&lt;br /&gt;Hoje, o direito à vida biológica está em pauta com a discussão em torno do aborto e da eutanásia. Os que defendem essas práticas são os positivistas que crêem que o direito brota da lei positiva, civil, exarada pela autoridade civil e justificada pela manifestação da maior porcentagem de opiniões individuais. Entretanto, a pessoa humana tem direito à vida, mesmo quando ela não está ainda, ou não está mais de posse do exercício de sua razão, de sua consciência. Basta seja pessoa humana para exigir ser respeitada. Trata-se de um ser que, graças à consciência de si, se possui. A mais radical das posses, fundamento primeiro do direito, é o fato de ser pessoa, a posse de si mesmo. Desrespeitada esta, todo o direito rui em frangalhos.&lt;br /&gt;A lei positiva permite muitos absurdos que estão acontecendo. Pela lei positiva todos os ditadores justificaram a violação dos direitos humanos. Temos abundância de exemplos de tais violações muito próximos de nós.&lt;br /&gt;O fundamento do direito vai mais longe. Diz respeito ao sentido último da vida humana. O homem, ser racional, busca incansavelmente ser feliz. Está constantemente em busca daquilo que possa preencher seu desejo de felicidade. Não se contenta com bens limitados. É um ser insaciável. Sua ânsia de posse não tem limites. Isto revela busca constante da posse do bem maior, do “Sumo Bem”, como o chamou o grande filósofo, Aristóteles.&lt;br /&gt;Em conseqüência, toda posse, todo direito sobre bens limitados, em definitivo, não o saciará nunca, não o fará feliz. É clássica a afirmação de Santo Agostinho: o homem estará sempre insatisfeito enquanto não repousar em Deus. Segue-se que os direitos sobre bens limitados somente encontrarão sentido se orientados, ordenados à ”conquista” do Sumo Bem, pois é isso que representa a insaciabilidade da pessoa. Segue-se ainda que os responsáveis primeiros pelo Bem Comum, as autoridades, não podem deixar de subordinar o direito, as leis, o direito positivo, ao Sumo Bem, sob pena de atropelar os direitos humanos, o direito à felicidade.&lt;br /&gt;A autoridade que não subordinasse o direito ao Sumo Bem, orientando-o para a verdadeira felicidade dos cidadãos, não entende de humanidade e continuaria criando na sociedade um clima de insatisfação crescente. Não será com coisas materiais que se preencherá o desejo de ser feliz. O desenvolvimento econômico, a longo prazo, não trará a felicidade. Isso está visto nos sistemas liberal e socialista. Não está provado que as pessoas são mais felizes nesses sistemas. Bens materiais abundantes desligados do Sumo Bem, manifestam-se incapazes de realizar a felicidade. &lt;br /&gt;Aqui chegamos à conclusão maior. Em última análise o direito se funda no transcendente, no Sumo Bem que os judeus, os cristãos e os muçulmanos o reconhecem como Deus.&lt;br /&gt;Essas são algumas coordenadas da filosofia do direito que poderão encaminhar um diálogo frutuoso entre os juristas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  Achylle Alexio Rubin / achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-8083698435311982012?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/8083698435311982012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=8083698435311982012' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8083698435311982012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8083698435311982012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/04/coordenadas-filosficas-sobre-direito.html' title='Coordenadas filosóficas sobre Direito'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3249630258202710668</id><published>2008-03-04T14:39:00.000-08:00</published><updated>2008-03-04T14:41:37.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia do direito'/><title type='text'>Quando é justo o Direito?</title><content type='html'>Crônica 40&lt;br /&gt;Quando é justo o direito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias ocupei-me de filosofia do direito. O jurista, Pe. Eugênio Pozzobon, pediu-me um prefácio para seu novo livro sobre os fundamentos do direito. Tentei  definir o direito e, sobretudo, apontar as razões que o tornam justo. Quando será justo o direito?&lt;br /&gt;Em resumo, a natureza do direito pertence à categoria da “relação”. Aqui se trata da relação de posse. Vários objetos, graças a um título de posse, são possuídos por alguém. Há uma relação do objeto possuído com o sujeito possuidor, fundamentada pela posse. Os títulos de posse podem ser o da herança, o da apropriação de bens sem dono, o da doação, o da compra, etc. Mas o mais importante de todos os títulos trata-se daquele que diz respeito à posse da própria natureza racional, que somos. Como assim?&lt;br /&gt;Nossa natureza, graças à sua racionalidade, manifesta que somos posse de nós mesmos. A consciência da pessoa dá testemunho de seu ser individual, autônomo, personalidade. Como tal, há em nós uma natural exigência ao reconhecimento e ao respeito. Opomo-nos a toda sorte de  invasão à nossa intimidade. É a própria consciência que revela à pessoa humana ser, antes de tudo, possuidora de si mesma, com exigência a ser respeitada por si mesma, como sujeito privilegiado de direito que não permite ser violado por ninguém. Trata-se de um direito primário, fundamental. Os psicanalistas se esforçam por libertar o adulto dos traumas da infância, criados pela falta de respeito por seu direito primário. Foi isso também que orientou a Declaração dos direitos humanos da ONU.&lt;br /&gt;Além do direito individual há o direito social. Este acontece quando várias ou muitas pessoas possuem um bem em comum, o “Bem Comum”. A posse comum de um bem funda a ordem social, uma rede de relações mútuas em vista do mesmo bem. Como o direito individual estabelece relações mútuas, assim o direito social estabelece relações e obrigações sociais.&lt;br /&gt;O positivismo, cujo fundador foi, na época moderna, o filósofo e sociólogo Augusto Comte, não consegue elaborar bem esses direitos fundamentais, pois eles ultrapassam o direito positivo, único reconhecido pelos positivistas. A lei positiva permite muitos absurdos que estão acontecendo. Pela lei positiva todos os ditadores justificaram a violação dos direitos humanos. Temos abundância de exemplos muito próximos.&lt;br /&gt; O fundamento do direito, entretanto, vai mais longe, transcende o direito básico, imediato, fundado na natureza da pessoa. Apóia-se, ainda, sobre o sentido último da vida. O homem, ser racional, busca incansavelmente ser feliz. Está em constante busca daquilo que possa preencher seu desejo de felicidade. Não serão os bens limitados que irão satisfazê-lo. O homem é um ser insaciável. Sua ânsia de posse não tem limites. Isto revela ânsia pela posse do bem maior, do “Sumo Bem”, como o chamou o grande filósofo, Aristóteles.&lt;br /&gt;Em conseqüência, toda posse, todo direito sobre bens limitados, em definitivo, não o saciará nunca, não o fará feliz. Tais bens só encontrarão sentido se orientados, ordenados à consecução do Sumo Bem. Assim que, todo direito passa pela pessoa individua e se orienta, se subordina ao Sumo Bem. Não será com coisas materiais, ou intermédias, que se preencherá o desejo de ser feliz. O desenvolvimento econômico, a longo prazo, não traz felicidade. Não levando em conta a ânsia do Sumo Bem, termina-se atropelando os direitos humanos, o direito à felicidade.&lt;br /&gt;A autoridade que não subordinasse o direito ao Sumo Bem, subordinando a ele todo direito, revela que não entende de humanidade, que não sabe, ou nega a aspiração mais profunda do ser humano. Por mais abundantes que sejam os bens materiais, dissociados, porém, do Sumo Bem, manifestam-se incapazes de realizar a felicidade. Não consta que os mais ricos sejam mais felizes. Muito pelo contrário.&lt;br /&gt;Portanto, só é justo o direito que se oriente por todos os valores humanos desde a fonte imediata da própria natureza, até a fonte última, o Sumo Bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3249630258202710668?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3249630258202710668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3249630258202710668' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3249630258202710668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3249630258202710668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/03/quando-justo-o-direito.html' title='Quando é justo o Direito?'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-8790024522494172966</id><published>2008-02-24T15:22:00.000-08:00</published><updated>2008-02-24T15:25:27.594-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;realidade&quot; ou fé e vida em Cristo?'/><title type='text'>Troca a Igreja de enfoque?</title><content type='html'>Troca a Igreja de enfoque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última crônica tratei da troca de enfoque da Igreja no Brasil. Um jovem estudante de pós-graduação em filosofia manifestou-me o desejo de saber mais. Escreveu-me: “o senhor não explicitou onde vê isso... gostaria de saber sua opinião sobre esse novo fenômeno, animador para todos nós”.&lt;br /&gt;Não há dúvida a troca de enfoque da Igreja é consoladora. Já escrevi a respeito ao encabeçar uma crônica com o título: “a Igreja em correção de rota”.&lt;br /&gt;Vejo que a preocupação dos dois últimos Papas esteve voltada no sentido de reorientar posições teológicas e pastorais de nossa Igreja. Basta recordar que na década de oitenta a Santa Sé nos mandou a respeito dois documentos, chamados de Instruções. Em seqüência João Paulo II escreveu uma “mensagem ao  episcopado do Brasil” na qual advertia sobre três condições para uma autêntica teologia católica.&lt;br /&gt;Primeira condição. A Teologia que prevalece no Brasil será “oportuna” e até “necessária” se for “coerente com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja” (nº 5).&lt;br /&gt;Segunda condição. Para que a teologia em questão alcance os desejados frutos de libertação, os pastores devem velar incessantemente a fim de que essa teologia se “desenvolva no Brasil e na América Latina, de modo homogêneo e não heterogêneo (sic) com relação à teologia de todos os tempos, em plena fidelidade à doutrina da Igreja...” (nº5).&lt;br /&gt;Terceira condição: “A libertação é, antes de tudo, soteriológica (isto é, um aspecto da Salvação realizada por Jesus Cristo, Filho de Deus) e depois ético-social (ou ético-política)”. Por isso, não se pode reduzir o soteriológico ao social, ou ao político. “Antepor” o ético-social, ou político, ao soteriológico “é subverter e desnaturar a verdadeira libertação cristã” (nº 6).&lt;br /&gt;Mas o fenômeno de troca de enfoque na Igreja aparece mais claramente em dois grandes momentos, a IV e a V Conferências do Episcopado, uma em Santo Domingo (1992) e a outra em Aparecida (2007). &lt;br /&gt;Em ambas houve troca de método teológico. A respeito da IV Conferência um destacado teólogo acusou essa troca e muitos outros o secundaram. Ele lamentou o abandono das “analises da realidade... Com isso (a IV Conferência) se afasta do tradicional método de nossa pastoral: ver-julgar-agir”.&lt;br /&gt;Quanto à V Conferência, muitos teólogos celebram o resgate do método “ver-julgar-agir”. Entretanto, não se dão conta, ou preferem silenciar, que o Documento final de Aparecida, dá a tal método outro sentido. Afirma textualmente que o “ver” significa que “vejamos a realidade à luz da Providência”, o “julgar”, que “julguemos segundo Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida” e o “agir”, que “atuemos a partir da Igreja” (nº19).&lt;br /&gt;Pois bem, a troca de método representa troca de objeto. Método significa caminho para alcançar um objeto. Trocar o “caminho” significa trocar o objeto. No Discurso Inaugural de Aparecida, o Papa disse a respeito uma palavra contundente: “Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se torna um enigma indecifrável; não há caminho e, não havendo caminho, não há vida nem verdade” (DI 3).&lt;br /&gt;No mesmo Discurso, Bento XVI, proclamou como objetivo da Igreja “a prioridade da fé e da vida em Cristo” e não a transformação das estruturas sociais, assim que “o método com o qual nós agimos na Igreja”, não é a análise da realidade mas, a “escuta da Palavra de Cristo no Espírito Santo”.&lt;br /&gt;Julgo que com essas referências tenho acenado para as razões por que estaria em andamento uma troca de enfoque em nossa Igreja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-8790024522494172966?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/8790024522494172966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=8790024522494172966' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8790024522494172966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8790024522494172966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/02/troca-igreja-de-enfoque.html' title='Troca a Igreja de enfoque?'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-8393837569844328827</id><published>2008-02-06T16:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-06T16:36:05.494-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A Igreja troca de enfoque&lt;br /&gt;                                                              Achylle Alexio Rubin &lt;a href="mailto:/achyllerubin@yahoo.com.br"&gt;/achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;                                                                                               Blog: achyllerubin.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja muito interessante para os cristãos do Brasil e da América Latina tomarem consciência que a compreensão da vida cristã e da evangelização está mudando de enfoque. Está voltando a centrar-se numa perspectiva aguardada por muitos.&lt;br /&gt;De uns quarenta anos para cá se tem sistematicamente doutrinado o povo cristão para crer que o objetivo da evangelização seria a “ação social”. Falava-se, sem mais nem menos, como se a missão da Igreja fosse a “transformação da sociedade”, a “mudança das estruturas sociais”. Ultimamente ainda escutei de bispos de grande projeção que “a missão nossa” seria “encontrar caminhos de se promover as famílias... de sair da sua pobreza, da sua miséria...”, “até com políticas públicas que temos de exigir do governo”, sem deixar de afirmar que “também é nossa grande tarefa: conduzir as pessoas a Jesus Cristo”. Um outro escreveu que “a proposta original da Igreja para conseguir a transformação que desejamos para a sociedade...” acontecerá “paralelamente” com “a renovação das pessoas”.&lt;br /&gt;Os advérbios “também” e “paralelamente” traem, na minha percepção, uma séria ambigüidade e implicam, ademais, em perplexidade entre os cristãos. Todos sabemos que, na prática, há movimentos cristãos que se afanam em transformar as estruturas sociais e há outros que se aplicam com empenho na “renovação das pessoas”. Julgo que é chegada a hora de encontrar a boa relação entre ambos os grupos. A intenção existe, mas a concretização está se verificando penosa e lenta.&lt;br /&gt;Registro aqui minha opinião sobre a causa desse desconforto na comunidade cristã. Observe-se por primeiro que o cristianismo, como a própria palavra indica, se refere à pessoa de Cristo. Ele como sua primeira “práxis”, veio nos gerar no amor até o extremo, filhos de Deus Pai.&lt;br /&gt;Nessa fé acontece o que se chama de “vida em Cristo”. Isto é, filhos, participantes da natureza de Deus Pai (2Pd 1,4). Ora, natureza é vida, como acontece em nossa filiação natural. Recebemos a mesma vida de nossos pais. Somos uma repetição deles, até mesmo com os traços fisionômicos. Filhos de Deus e duplamente “imagem e semelhança de Deus” (Gen 1,26), por criação e por redenção.&lt;br /&gt;A tendência de apontar o “social” como objetivo da Igreja, entrou com o paradigma “opção pelos pobres”. Sem delongar-me em explicações, subscrevo uma afirmação de Bento XVI. Disse ele aqui no Brasil: “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica”. Isto quer dizer que tal opção deve ter como ponto de origem a “vida em Cristo”. Ela brota, “flui” espontaneamente da mesma vida. Filha da dessa vida, deve ostentar sua “fisionomia”.&lt;br /&gt;Portanto, a “vida em Cristo” e a “ação social” não são duas coisas “paralelas”. Não são heterogêneas, mas homogêneas. Tomemos um desses livros de vidas de santos, como aquele de Dom Servilio Conti, e observemos só como todos os santos e santas na história da Igreja foram grandemente compassivos para com os pobres e doentes, e por eles deram tudo de si, socorrendo-os de inúmeras maneiras sem, contudo, ter feito “opção pelos pobres”. É que, o cuidado pelos pobres, brotava espontaneamente da “vida em Cristo” que neles se ternara adulta.&lt;br /&gt;Há tempo venho me perguntando se a “revolução” social acontecida no Império Romano foi fruto da “ação social” dos cristãos, ou aconteceu por um processo de infiltração do “fermento” da vida cristã nas estruturas sociais do Império.&lt;br /&gt;Encontro boa analogia nas árvores da cidade da Mata e dos arredores de Santa Maria, transformadas em pedra. Quando o Império Romano se deu conta, a mãe do imperador pagão era nada menos do que uma santa cristã, Santa Helena. Cristo havia dito que “o reino dos céus é semelhante ao fermento” que faz levedar toda a massa (Mt 13,33). Não disse que o reino era a massa, mas sim o fermento. Suspeito que muitos, hoje, se ocupam e gastam esforços pessoais e bens materiais com a “massa” das estruturas sociais e descuidam do fermento da “vida em Cristo”, capaz de levedar a “massa”. Felizmente a Igreja no Brasil está trocando o enfoque, da massa para o fermento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-8393837569844328827?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/8393837569844328827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=8393837569844328827' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8393837569844328827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8393837569844328827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/02/igreja-troca-de-enfoque-achylle-alexio.html' title=''/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7674767776747380782</id><published>2008-01-25T05:30:00.000-08:00</published><updated>2008-01-25T05:34:10.020-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Defesa da vida - aborto'/><title type='text'>Campanha da Fraternidade "Defesa da vida"</title><content type='html'>Campanha da Fraternidade “Defesa da vida”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Campanha da Fraternidade, promovida há muitos anos, pela CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) se ocupa da defesa da vida. Não vou escrever sobre o texto-base da referida Campanha, pois, ainda não tomei pleno conhecimento dele. Vou falar, porém, de algumas reflexões que venho fazendo. Limito-me ao tema do aborto, muito badalado na imprensa do mundo inteiro.&lt;br /&gt;Vou comentar alguns argumentos que se fazem em favor do aborto:&lt;br /&gt;1.                     Diz-se que o aborto é um problema de saúde. Neste caso poder-se-ia aprovar uma lei que ordene a eliminação dos contaminados por doenças contagiosas, como se faz com o gado contaminado pela aftosa. Por outro lado, se o aborto clandestino é problema de saúde, por que não fazer um esforço maior por assegurar às mulheres grávidas uma maior assistência, em lugar de apelar para o assassinato dos bebês?&lt;br /&gt;Já os antigos diziam que, o feto, tenha alma ou não tenha, é sempre uma pessoa em formação que exige o máximo de respeito.&lt;br /&gt;2.                     Um segundo argumento em favor do aborto consiste no apelo pelos “direitos sexuais e reprodutivos”, como também pela “autonomia das mulheres sobre o corpo”. Tais argumentos são altamente falaciosos porque desconhecem a mais elementar noção de ética social. Ninguém goza de tais direitos e de tal autonomia. Todos somos dependentes de realidades superiores a nossos interesses particulares, sobretudo quando se trata da vida dos outros. O desprezo desse princípio leva à barbárie. O Estado que admita tais direitos e autonomias se condena a si mesmo, perde sua autoridade. Que autoridade terá ele de me impedir, por exemplo, de eliminar meu vizinho porque, com os ruídos, ou os odores que emite, vem prejudicar minha saúde, ou meus interesses pessoais?&lt;br /&gt;3.                     Um terceiro argumento consiste em dizer que um “Estado progressista”, hoje em dia, deverá admitir o aborto. Ao contrário, tal argumento não é progressista, é retrógrado, porque sobrecarrega o Estado de encargos com a velhice, em detrimento dos jovens. Outra proposta, neste caso, seria mais progressista sob todos os pontos de vista, econômico, cultural, científico e tudo mais. Isto é, proponha-se que deputados e senadores aprovem uma lei que elimine todos os cidadãos com 75, ou 80 anos, pois então a economia para o progresso do Estado seria grande em favor das crianças e jovens.&lt;br /&gt;4.                     Em quarto lugar, chamo a atenção para a imensa hipocrisia de muitos. Quando, por exemplo, acontecem fatos, ou como aquele da criança morta arrastada por um carro, ou como o de uma criança atacada de um mal que exige tratamentos custosíssimo, as multidões se comovem. Entretanto, quando, impiedosamente, se matam pelo aborto milhões de crianças, muitos, além de nada sentirem, pleiteiam tal matança.&lt;br /&gt;5.                     Concluo repetindo que se reflita sobre a proposta de se amparar as mulheres grávidas, a fim de que possam dar à luz com saúde e dignidade. O argumento do Estado em favor do aborto por motivo de saúde é falacioso porque, estando revestido de uma boa intenção, pretende justificar uma ação criminosa. Os fins nunca justificam os meios. Finalmente, será verdade que matando o bebê se conserva efetivamente a saúde das mulheres? Aos psicólogos a palavra...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7674767776747380782?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7674767776747380782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7674767776747380782' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7674767776747380782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7674767776747380782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2008/01/campanha-da-fraternidade-defesa-da-vida.html' title='Campanha da Fraternidade &quot;Defesa da vida&quot;'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-1237803271460271903</id><published>2007-12-30T16:19:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T16:22:21.752-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ano Novo - Esperança (Spe Salvi)'/><title type='text'>Ano Novo</title><content type='html'>Crônica&lt;br /&gt;Ano Novo&lt;br /&gt;                                                          Achylle Alexio Rubin  /  &lt;a href="mailto:achyllerubin@yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;                                                                                              Blog: achyllerubin.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos entrando no ano 2008. Estive me perguntando qual poderia ser a melhor mensagem para tal oportunidade. Não achei outra melhor do que desejar aos leitores de A Razão uma grande dose de verdadeira esperança.&lt;br /&gt;A esperança que a todos desejo nada tem a ver com o sentido negativo que por vezes lhe damos quando dizemos fulano vive só de esperança, para significar que vive de ilusões. Muito pelo contrário. A verdadeira esperança, em lugar de significar incerteza, significa certeza do bem que nos aguarda.&lt;br /&gt;Donde poderá vir essa certeza?  Ela brota de uma promessa feita por alguém digno de fé, ao qual damos crédito incondicional. A esperança então é objeto da promessa de alguém que tem autoridade para tanto. Se o pai promete alguma coisa ao filho, este não alimenta dúvida alguma de que o pai cumprirá o prometido. Portanto, a esperança participa da fé. Trata-se de crer na pessoa que nos fala prometendo-nos algum bem.&lt;br /&gt;Há muitos anos um menino de seus onze anos de idade veio a mim fazendo-me algumas perguntas. Na medida em que eu lhe ia respondendo, ele repetia: Se o senhor diz, é porque é! Com essa fé, se eu lhe prometesse algum bem futuro, estou certo que ele não duvidaria do cumprimento de minha promessa. &lt;br /&gt;A esperança funda-se pois na autoridade de quem promete o bem. O exemplo que dei refere-se à esperança humana, fundada na autoridade humana. Quanto maior e mais sólida a autoridade, tanto maior e mais sólida a esperança.&lt;br /&gt;Dia 30 de novembro último, o Papa Bento XVI publicou uma Encíclica sobre a esperança, com o título latim Spe Salvi (salvos na esperança). Trata-se de uma longa carta com cerca de oitenta páginas que o Papa enviou aos católicos e ao mundo. Nesse documento ele contempla o triste fato de um mundo sem esperança.&lt;br /&gt;Duas razões aduziu o Papa, justificando essa afirmação. A primeira diz respeito a uma constatação histórico-filosófica. Desde o século XVII, iniciando com o filósofo Francis Bacon, morto em 1626, e passando por Descartes e Kant, a esperança começou a buscar fundamento nas ciências exatas, terminando na fé no fabuloso progresso da tecnologia. A tecnologia é uma promessa falaciosa que promete resolver todos os problemas humanos, até mesmo o prolongamento indefinido da vida. Assistimos no Natal e primeiro de ano à corrida louca às compras, ao consumo desenfreado de mil produtos, por vezes ilusórios, oferecidos pela tecnologia. A esperança se esgota nesse burburinho.&lt;br /&gt;A segunda razão porque o mundo está sem esperança resulta do abandono de Deus e, em conseqüência, da falta da resposta definitiva ao sentido da vida.&lt;br /&gt;Qual o sentido de nossa existência? Somos seres destinados a acabar com a morte? Entretanto, habita em nós um desejo insaciável de uma felicidade diradoura, de um amor sem fim. A que serve esse desejo, essa paixão? Jean Paul Sartre, ateu confesso, morto em 1980, ao negar Deus, autor da promessa da realização dessa paixão, concluiu que “o homem é uma paixão inútil”. Esse é o mundo sem esperança: o homem é um ser inútil.Dia 1º de janeiro é o dia em que fazemos muitas promessas de felicidade, vida plena, saúde e prosperidade. Oxalá não esqueçamos a promessa d’Aquele que prometeu a felicidade sem fim, o amor que não acaba, fazendo que a paixão insaciável pelo bem deixe de ser inútil e que nós mesmos tenhamos um termo feliz, um sentido para além da morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-1237803271460271903?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/1237803271460271903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=1237803271460271903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1237803271460271903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1237803271460271903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/ano-novo.html' title='Ano Novo'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-2217405717506879971</id><published>2007-12-18T15:44:00.000-08:00</published><updated>2007-12-18T17:24:51.905-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relação entre amor a Deus e amor ao próximo'/><title type='text'>Buscai primeiro o Reino de Deus</title><content type='html'>Há muito venho meditando sobre a afirmação de Bento XVI em sua Encíclica &lt;em&gt;Deus charitas. &lt;/em&gt;Escreve aí sobre  "a inseparável relação entre o amor a Deus e o amor ao próximo" (nº 16).&lt;br /&gt;Ouso colocar aqui como convite à reflexão uma visão que parece pouco considerada nos tempos atuais. Todos estamos já de acordo em dizer que não são, digamos, dois componentes que se excluem ou que andam paralelos, como, aliás, já se tem afirmado. Na prática pastoral amor a Deus e amor ao próximo poderiam ser traduzidos por este outro binômio: ação pastoral e ação social.&lt;br /&gt;Nos últimos tempos a vida cristã esteve muito dividida entre dois grupos nitidamente distintos. Os que buscavam aprofundar a experiência de Deus, a vida batismal, e os que se consagravam à missão social da Igreja. Estes últimos acusavam os primeiros de "intimismo", coisa que o próprio Papa Bento XVI mensionou em seu Discurso inaugural da V Conferencia dos Bispos da América Latina e do Caribe. Representantes dessas duas posturas aparecem de um lado as Comunidades Eclesiais de Base e, de outro, a Renovação Carismática Católica.&lt;br /&gt;No meu entender, há um grande esforço no seio da Igreja por relacionar essas duas posturas com uma "inseparável relação".  A questão que me faço, porém, visa aclarar como acontece tal relação.&lt;br /&gt;O capítulo oitavo do Documento de Aparecida sobre "Reino de Deus e promoção da dignidade humana", espicaça minha curiosidade por encontrar e propor à reflexão uma resposta sobre o  modo como o amor a Deus e o amor ao próximo se relacionam. Sinto que tal relação é análoga à relação entre a Doutrina Social da Igreja e a vida batismal do cristão.&lt;br /&gt;Vou arriscar uma resposta, hoje, não comum. Na chamada filosofia clássica que eu identifico com a de Santo Tomás de Aquino há parâmetros racionais que, na minha opinião, ajudam enormemente a compreender essa relação. Deveremos partir de um ponto que podia ser o seguinte: Todo ser criado é composto de um componente "ativo", determinante, e outro componente "passivo", determinado. Dou um exemplo: o que determina que a matéria se faça planta? Essa matéria poderia ser qualquer outra coisa: animal ou elemento químico. No caso da planta a matéria é determinada pelo componente vegetal determinante. Este representa para a matéria um "poder" capaz de selecionar da terra e da luz os elementos de que precisa para, com uma "engenharia" admirável, organizá-los de sorte a se fazer crescer, dar flores e frutos. Ninguém faz isso por ela. &lt;br /&gt;Vamos agora ao caso. Pelo batismo nós recebemos um componente, "participação da natureza divina" (2Pd, 1,4). Tal componente está vocacinado a atuar em nós à semelhança do componente vegetal para a matéria. Pois bém, assim como o componente vegetal dá àquela matéria a capacidade de crescer e produzir, assim também o componente divino do batismo produz frutos de amor ao próximo, todos os elementos de promoção humana, de justiça social, conforme a passagem de Mateus, 6, 19-24 e de Lucas 12, 22-31. Ambos os evangelistas concluem: "Buscai em primeiro lugar o Reno de Deus e sua justiça que todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo".&lt;br /&gt;Concluo. "Todas estas coisas"... poderíamos dizer que são a ética, a ação social, a opção pelos pobres, a fome e a miséria, etc. Essas coisas, porém,  deveriam fluir ao natural do crescimento na vida batismal, à semelhança do vigor da matéria vegetal.&lt;br /&gt;Assim que, lanço como convite à reflexão, a Doutrina Social da Igreja representa um auxílio lateral que a Igreja oferece ao Estado; auxilio esse que é tirado da intensidade da vida cristã e por ela somente será realizado. Pode-se dizer que todos os santos foram dedicados de forma exímia aos pobres, aos doentes, enfim, aos necessitados, sem nunca terem feito opção pelos pobres. O atendimento aos necessitados brotava espontâneo da compaixão que fluia da vida batismal e não do compromisso. É outro tipo de compaixão.&lt;br /&gt;Tenho escrito que o Império Romano, não ruiu porque os cristãos se lançaram a reformar as estruturas. Ruiu porque, quando o Império, por assim dizer, se deu conta, a mãe do Imperador era nada menos que Santa Helena. O Império foi permeabilizado pela novidade de vida dos cristãos, pela novidade do amor fraterno: "vede como se amam!"&lt;br /&gt;Portanto, concluo repetindo: "Buscai primeiro...".&lt;br /&gt;Considero esta reflexão de suma importância para nossa Igreja. Gostaria de dialogá-la com outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-2217405717506879971?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/2217405717506879971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=2217405717506879971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2217405717506879971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2217405717506879971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/buscai-primeiro-o-reino-de-deus.html' title='Buscai primeiro o Reino de Deus'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-8269933004639801462</id><published>2007-12-16T16:04:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T16:05:47.865-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papai Noel- Natal'/><title type='text'>Papai Noel versus Natal</title><content type='html'>Papai Noel versus Natal&lt;br /&gt;                    Achylle Alexio Rubin / &lt;a href="mailto:achyllerubin@yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;                                          Blog: achyllerubin.blogspot.com&lt;br /&gt;Muitos lamentam que o Papai Noel faça ir para os ares o verdadeiro sentido do Natal, conhecido por toda pessoa medianamente culta. Vou tentar, entretanto, abrandar  essa justa preocupação, apresentando duas considerações.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, é verdade que o que aparece ostensivamente na mídia, na  propaganda comercial, nos cartazes de ruas e praças, inclusive no seio das famílias, é o Papai Noel. Dá a impressão de que o sentido máximo do Natal não existe mais.&lt;br /&gt;Entretanto, também me parece ser verdadeiro que, no silêncio das igrejas, dos encontros das comunidades cristãs, do aconchego das famílias, da novena de Natal, verifica-se outra realidade bem mais profunda, bem mais real. Considero que grande parte das pessoas está voltada para o Natal. Vale-se do Papai Noel apenas como expediente de propaganda, ou como alimento da imaginação infantil, mas sempre como coisa absolutamente secundária. Os mitos também influem, por exemplo, no relacionamento familiar. Recordo de pequeno que quando se nos soltava um dente de leite, o guardávamos cuidadosamente numa fresta da casa para gozarmos de manhã da sensação de encontrarmos em seu lugar uma moeda. &lt;br /&gt;A segunda consideração que o Natal me sugere gira em torno do que acabo de afirmar. Os que não deixam a figura do Papai Noel empanar o Natal sabem que, quando se trata do próprio sentido de nossa existência, não podem prevalecer ilusões desse tipo. Explico-me com a máxima clareza possível.&lt;br /&gt;O Papai Noel revela no íntimo do ser humano um desejo de alcançar plenitude. Somos seres insaciáveis. É como uma paixão. Não conseguimos nunca estar satisfeitos com o que temos. Queremos ter sempre mais. Revela-o, sobretudo nesta época, a ânsia com que nos lançamos às compras, à troca de carro por um modelo novo, ou à troca do computador, ou do celular...&lt;br /&gt;Um antigo filósofo, talvez Diógenes, reagindo contra essa “loucura”, olhava para os mercados e exclamava: “Senhor meu Deus, eu vos agradeço porque nada disso eu preciso!”.&lt;br /&gt;Um filósofo contemporâneo, Jean Paul Sartre, inteligentemente reconheceu que nós temos essa paixão pelo infinito dentro de nós, mas, sendo ele ateu, definiu o homem como “uma paixão inútil”. Assim, para ele, nada tem finalização. E não tendo finalização tomba-se no puro sem-sentido, no absurdo de todo existir. O que revela tal fato tão bem caracterizado por esse filósofo? &lt;br /&gt;Revela que, ou somos de fato um absurdo, ou então somos um vazio de Deus que anseia avidamente ser preenchido. Toda vez, porém, que não temos o infinito, o absoluto a encher esse vazio, nós apelamos para sucedâneos. Tentamos, ilusoriamente, encher o vazio de Deus com aquilo que já o grande Aristóteles dizia em sua Ética a Nicômaco: o ignorante, escreveu ele, coloca sua felicidade nos prazeres, nas riquezas e nas honras; o sábio, porém, a coloca no Sumo Bem. Hoje se costuma caracterizar tal ignorância com três verbos: prazer, ter e poder.&lt;br /&gt;O vazio de Deus em nós é, na verdade insuportável. Ou se o preenche com o próprio Deus, ou tentamos preenchê-lo com nossas ilusões. Não seria tão trágico se não estivesse em jogo o próprio sentido de nossa existência. Sem aquele único que poderá encher esse vazio de sentido, cairemos no pessimismo absoluto, conforme a conclusão do filósofo citado: Nada tem sentido, nossa própria existência se esvai no absurdo.&lt;br /&gt;A conclusão a que estou chegando é que as corridas para as compras, as celebrações em torno do Papai Noel, revelam um elemento positivo: o vazio de Deus uivando em nosso interior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-8269933004639801462?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/8269933004639801462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=8269933004639801462' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8269933004639801462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/8269933004639801462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/papai-noel-versus-natal.html' title='Papai Noel versus Natal'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-6735604320681883359</id><published>2007-12-07T17:10:00.000-08:00</published><updated>2007-12-07T17:12:27.330-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qualidade de ensino'/><title type='text'>Outra vez</title><content type='html'>Outra vez qualidade de ensino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois fatos me fazem voltar à consideração sobre a qualidade do ensino: o que apareceu em muitos noticiários sobre a memória de um gorila e o exame internacional tomado dos secundaristas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Entre 57 nações testadas, o Brasil alcançou o 53º lugar em matemática, o 52º lugar em ciências e o 48º lugar em leitura. Será motivo de consolo não termos ficado na ponta da rabeira?&lt;br /&gt;Os comentários em torno deste último fato aparecem em muitos órgãos da mídia. Mas o que me chama atenção é que as sugestões de reforma do ensino giram prioritariamente em torno dos aspectos quantitativos do ensino. Reclama-se do baixo salário para os professores, aliás, com muita razão, da falta de salas de aula para um número sempre crescente de alunos, de escassez de meios técnicos auxiliares, etc.&lt;br /&gt;Considero que se prestássemos mais atenção para a qualidade do ensino alcançaríamos melhores resultados. Refiro-me ao caso do gorila, por ser paradigmático. O gorila japonês, diante de uma tela do computador, onde estavam escritos os números de 1 a 10, todos espalhados em desordem, conseguia apontar um após outro em perfeita ordem. Depois, apagados os números e substituídos por manchas brancas, o gorila novamente apontava em perfeita ordem todos os números. O mesmo exercício jovens universitários não conseguiam acertar.&lt;br /&gt;Esse fato, recordou-me minha utopia de cinqüenta anos atrás. No meu longo tirocínio de professor, acreditei que um ensino de qualidade deveria priorizar a inteligência do jovem e não a memória. Por isso, comecei minha primeira aula de filosofia dizendo que deveríamos transferir o pólo da “matéria” a ser ensinada para o pólo da compreensão da mesma.&lt;br /&gt;Para o efeito da compreensão acreditei que o mais importante seria o exercício da mente e não a guarda da “matéria”, onde se privilegiava a quantidade a ser transmitida. Nossa mente não desenvolve pela simples quantidade da “matéria”, mas pelo exercício, ainda que seja com um mínimo de “matéria”. Dizia que um bom craque de futebol não necessita jogar em todos os campos do mundo. Basta-lhe um só para se tornar um verdadeiro craque. O mesmo se diga de um bom violinista. &lt;br /&gt;No meu contato com universitários aqui em Cascavel sou confirmado. Asseguram-me que não conseguem entender a “matéria”. Com isso apelam para a memória, coisa muito mais “prática”, por ser mais rápida e mais fácil, em função de vencer nos exames.&lt;br /&gt;Dois meses atrás estive dando uma palestra sobre o ensino da filosofia, na cidade de Toledo, para alunos e professores da Universidade do Estado do Paraná. A queixa de uma professora foi muito sintomática. Disse que, com  a programação oficial, não há espaço para cuidar do desenvolvimento da inteligência, é preciso correr...&lt;br /&gt;Conclusão, poder-se-ia propor debates sobre o que significa um ensino de qualidade, pois, não creio que o gorila seja modelo adequado para a aprendizagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-6735604320681883359?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/6735604320681883359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=6735604320681883359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/6735604320681883359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/6735604320681883359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/outra-vez.html' title='Outra vez'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-235074296141012114</id><published>2007-12-06T16:18:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T17:30:15.339-08:00</updated><title type='text'>Ideologia</title><content type='html'>Fim das ideologias?&lt;br /&gt;Tem-se falado do fim das ideologias. Entretanto, quer-me parecer que elas não acabarão nunca. Por vários motivos que desembocam no mesmo estuário. Basta recordarmos as várias características que toda ideologia representa. Uma das mais fundamentais consiste em que a ideologia se firma sobre uma parte de verdade como se fosse toda a verdade. Portanto ela diz respeito à verdade. Acontece que ninguém, nenhuma criatura pode viver sem encontrar firmeza na sua vida, sem encontrar a-firmação. Ou busca incansavelmente alcançar a verdade plena, única capaz de nos firmar, ou tenta satisfazer-se com meias verdades. Quem se contentar com meias verdades, se tornará um ideólogo. Dito com outras palavras. Nós somos seres insaciáveis. Em definitivo não nos contentamos com meias verdades. Aspiramos ao absoluto. Somos essencialmente dependentes. Ou dependemos das meias verdades e da verdade plena. Mas a aspiração ao absoluto nos faz todos condidatos ao radicalismo, ao totalitarismo. Com uma diferença, porém. Há os que radicalizam sobre meias verdades e há os que radicalizam com a posse ou, ao menos, com a busca da plenitude da verdade. Entretanto, radicalizar sobre verdades parciais como se fossem totais, significa atropelar os outros com atitudes ou sistemas de dominação, de subjugação.&lt;br /&gt;A verdade total é a única que não subjuga porque ela é respeitosa.&lt;br /&gt;Há duas ciências que nos levam a ela, a filosofia e a teologia. A primeira nos conduz com muita dificuldade para a verdade. Porva-o a multidão de propostas destinadas ao fracasso. Ela pode nos conduzir à verdade plena se a nossa razão for convenientemente educada, coisa, porém, muito difícil.&lt;br /&gt;Entretanto, não estamos diante de uma dificuldade invencível. Há um caminho, o da ciência da revelação de Deus. Digo ciência no sentido forte do termo, de um conhecimento sistemático, metódico, ordenado, como também no sentido de simples conhecimento dessa revelação que encontramos nas Sagradas Escrituras. Um conhecimento que brote de uma relação de intimidade pessoal com Deus ou que tenha a autenticação da comunidade de fiéis através de seus legítimos representantes, por Deus mesmo constituídos. Aqui não há atropelo, ou dependência servil, porque o verdadeiro Absoluto, ao qual dependemos como Senhor nosso, é também aquele que respeita e promove nossa identidade e nossa liberdade.&lt;br /&gt;Encontramos nas Sagradas Escrituras, afirmações contundentes sobre isso. Aquele que disse "a verdade sou eu", acrescenta: "... se permanecerdes na minha palavra... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará..."; mas, "todo homem que se entrega ao pecado, é seu escravo" (Jo 8, 31s).&lt;br /&gt;A ideologia é pecado, é ídolo, porque em lugar de se adorar A VERDADE, adora-se meia verdade, absolutizando-se o que é puramente relativo. Adora-se e se absolutiza uma parte da verdade com átitudes de dominação. Esse o sentido da frase de Bento XVI na antevéspera de sua eleição a Papa. Falou ele da "ditadora do relativismo".&lt;br /&gt;Igualmente, ninguém, nenhuma criatura poderá ficar sem um Senhor. Ou escolhe o verdadeiro e Absoluto Senhor do céu e da terra, ou escolhe um senhor relativo e se submete indevidamente a ele. É o caso da ideologia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-235074296141012114?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/235074296141012114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=235074296141012114' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/235074296141012114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/235074296141012114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/ideologia.html' title='Ideologia'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-7171522269908697578</id><published>2007-12-06T04:16:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T04:53:24.526-08:00</updated><title type='text'>Espiritualidade</title><content type='html'>Sensacionalismo&lt;br /&gt;Em aula de espiritualidade nesta manhã surgiu a questão se antes do Concílio Vaticano II a vivência cristã seria menos fervorosa do que hoje. Meu testemunho foi de que me parecia que, ao contrário, nós tivemos uma infância impreganada de fortes vivências de vida cristã. Revelava-se tal fenômeno em duas direções.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, nós vibravamos com as narrações ou leituras da história dos mártires dos primeiros séculos do cristianismo, como São Tarcísio, São Lourenzo, Santa Inês, Santa Cecília, etc. Vibrávamos com a vida de santos jovens, como São Luis Gonzaga. Todos os anos, 21 de junho, dia de São Luis, era celebrado com grande entusiasmo, grande festejo. Entravam nesse rol São João Bergman, Santo Estanislau Koscka, São Domingos Sávio.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, nós vibrávamos com a vida dos missionários que partiam para terras de missões. Tinhamos grandes desejos de partir para essas terras. Cantávamos, por exemplo: "... as áfricas terras anelo ver e em seus sertões morrer!". Tais cantos expressavam sentimentos verdadeiros.&lt;br /&gt;Qual seria a razão por que hoje não se tem mais tais sentimentos, malgrado todas as insistências por uma Igreja essencialmente missionária? Pareceu-me que um dos principais motivos consiste em que estamos viciados em sensacionalismos baratos. Vejam só. A televisão não sabe mais o que inventar para criar sensação. Por exemplo, não sabe mais o que mostrar ainda do corpo da mulher para criar sensação e chamar atenção sobre produtos de consumo. O que pensariam os homens do tempo da vinda, há dois séculos, da familia real ao Brasil, se vissem os sensacinalismos de hoje? Um grande historiador dessa vinda da família real descreveu que a maior sensação dos homens da época era poder ver o calcanhar da rainha ao descer da carruagem.&lt;br /&gt;Portanto, hoje, as sensações verdadeiramente grandes não conseguem mais nos impressionar, pois estamos viciados, dependentes de sensações baratas, de segunda, ou terceira ordem.&lt;br /&gt;Vale refletir sobre isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-7171522269908697578?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/7171522269908697578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=7171522269908697578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7171522269908697578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/7171522269908697578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/espiritualidade.html' title='Espiritualidade'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-2864274432003088237</id><published>2007-12-03T15:53:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T15:54:13.861-08:00</updated><title type='text'>Jesus de Nazaré de Bento XVI</title><content type='html'>Jesus de Nazaré de Bento XVI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não ouviu falar do livro, escrito pelo Papa Bento XVI, com o título Jesus de Nazaré? Dele já foram tirados milhares, digo, milhões de exemplares, em muitas línguas. Vale à pena favorecer aos leitores alguma notícia desse preciosíssimo livro. Estou com a edição Planeta do Brasil, de maio de 2007, tradução de José Jacinto de Farias, SCJ.&lt;br /&gt;Antes de tudo, entendi que, se queremos acompanhar bem as meditações que o Papa faz, no esforço de aclarar o sentido da vida e da pregação de Jesus, ajuda muito partir de um princípio metodológico por ele constantemente usado.&lt;br /&gt;Tal princípio consiste nisto: De um lado, devemos ver Jesus como o ponto de unidade de toda a Bíblia e, sobretudo, do Novo Testamento. Sua pessoa centraliza todas as palavras e acontecimentos narrados na Bíblia. De outro lado, Jesus só será entendido se tudo o que ele falou e fez for referido à unidade de seu “mistério”. Como, pois, se entende essa centralidade?&lt;br /&gt;Bento XVI, desde a introdução, chama atenção para o Deuteronômio que termina com uma confissão ‘melancólica’: “Não se levantou mais em Israel profeta comparável a Moisés, com quem o Senhor conversava face a face” (Dt 34,10). Essa afirmação, tanto representa manifestação de desânimo, como também e, mais que tudo, de esperança e promessa da vinda daquele que, não só iria “conversar com Deus face a face”, mas inclusive seria a própria face de Deus. Igual ao Pai, “ele nos mostra o rosto de Deus, e assim nos mostra o caminho que devemos seguir...; caminho para o autêntico ‘êxodo’...” (p.23).  Eis o novo e incomparavelmente mais sublime que Moisés, que “caminha à nossa frente” (Ex 32,1) para um novo e bem diverso êxodo. Quem é ele e em que consiste esse novo êxodo, manifestado em seu agir?&lt;br /&gt;Primeiro, quem é ele? O Papa cita um livro escrito por um autor judeu, com o título Um Rabino fala com Jesus. Há nesse livro um diálogo sobre o que Jesus trouxe de novo em relação ao Antigo Testamento e que caracteriza bem a postura de um legítimo judeu: “... – Era isto que Jesus, o Mestre, tinha para dizer? – Não, propriamente... – O que foi que ele omitiu? – Nada! – O que foi que ele acrescentou? – A si mesmo!”.&lt;br /&gt;Bento XVI explica: “... esta é a razão central por que o crente judeu não quer seguir Jesus”. É por causa da “centralidade de Jesus... que a tudo dá uma nova direção” (p.103), sobretudo ao Antigo Testamento.&lt;br /&gt;Noutras palavras, Jesus não é qualquer profeta, é diferente, muito mais do que profeta. O profeta fala em nome de Deus. Jesus fala em nome próprio. Por isso, é verdade que Jesus acrescentou ao Antigo Testamento “a si mesmo”. Ele não diz “oráculo de Deus”, mas sim: “Eu vos digo...”. Pois, “ele ensina não como fazem os Rabinos, mas como alguém que tem ‘autoridade’ (Mt 7,28; Mc 1,22; Lc 4,32). O povo, diz o Evangelho, ficava não só admirado, mas “espantado” (p.101), porque Jesus se dizia Deus e falava com a autoridade de Deus.&lt;br /&gt;A mãe de Santa Edith Stein, judia convicta, na discussão com a filha convertida ao cristianismo, argumentava: “Mas ele se dizia Deus...!”. Coisa que um adepto do judaísmo não consegue aceitar. E, entretanto, é esse mesmo um dos núcleos do livro de Bento XVI: Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, igual a Deus: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30).&lt;br /&gt;Jesus tinha razão de se dizer Deus. De fato, no capítulo oitavo do Evangelho de João, ele se define exatamente como Deus se definiu a Moisés: “EU SOU” (Ex 3,14). Por exemplo, começa dizendo aos fariseus: “... não sabeis absolutamente de onde é que eu venho nem para onde vou... Vós não me conheceis nem ao meu Pai (Jo 8,14,19). Termina dizendo: “... se não crerdes que EU SOU, morrereis no vosso pecado” (Jo 8, 24).&lt;br /&gt;Essa não parece uma definição. Mesmo porque Deus não pode ser definido, pois, a definição, nos ensina a Lógica, se faz “pelo gênero próximo e a diferença específica”, a espécie. Mas Deus não pertence a nenhum gênero de ser, como nós pertencemos ao gênero animal, e nem a nenhuma espécie de ser, como somos da espécie dos animais racionais. Como espécie somos muitos. Deus, porém, não são muitos, é único. Daí que sua definição a Moisés só podia ser esta: “EU SOU AQUELE QUE SOU! Ou, simplesmente sou! Não sou isto ou aquilo,entre muitos (p.291s).&lt;br /&gt;Com tal identidade Jesus é, em pessoa, o próprio Reino de Deus. O Reino de Deus não é apenas um conceito genérico, referente a todas as pessoas de boa vontade, mas “em primeiro lugar, encontramos a dimensão cristológica. A partir da leitura das suas palavras, Orígenes caracterizou Jesus como a autobasiléia, isto é, como o Reino de Deus em pessoa. Jesus mesmo é o “Reino”; o reino não é uma coisa, não é um espaço de domínio como o reino do mundo. É pessoa: o Reino é ele” (p 59).&lt;br /&gt;Junto com tratar da identidade de Jesus de Nazaré, Bento XVI se pergunta: como caracterizar o agir de Jesus? A resposta aparece em muitos lugares do livro: o agir de Jesus se encontra iluminado pelo mistério da Cruz. Todo o Evangelho converge para esse mistério e nele se unifica.&lt;br /&gt;Por conseguinte, o que vem antes da cruz não constitui um conjunto à parte de conselhos e normas morais, mas deve ser visto na luz do mistério da Cruz. Pois, “esse tipo de explicação, que faz de Jesus um moralista, um mestre de moral... não se aproxima de modo nenhum da figura real de Jesus” (p 167).&lt;br /&gt;Mostra-nos o Papa de como a pregação de Jesus e, sobretudo, as parábolas apontam para esse mistério.  Lê-se: “Na cruz, as parábolas são decifradas... Assim... as parábolas falam do mistério da cruz... porque elas permitem abrigar o mistério divino de Jesus, levam à contradição (cf 1Cor 1,17s) É justamente onde elas alcançam uma máxima inteligibilidade como na parábola dos vinhateiros infiéis (Mc 12,1-12), tornam-se estações para a cruz... Jesus não é apenas o semeador... mas também é a semente, que cai na terra para morrer e assim produzir frutos” (p.171).&lt;br /&gt;Quem é Jesus e qual foi seu agir, constituem, no meu entender, dois momentos centrais do livro Jesus de Nazaré de Bento XVI. Considero-os como importantes para quem quer ter uma primeira  notícia do valor dessa obra. Porém, mais vale lê-la e, melhor ainda, estudá-la...&lt;br /&gt;                                          Achylle Aléxio Rubin  /  achyllerubin@yahoo.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-2864274432003088237?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/2864274432003088237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=2864274432003088237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2864274432003088237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/2864274432003088237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/12/jesus-de-nazar-de-bento-xvi.html' title='Jesus de Nazaré de Bento XVI'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3090998021464340922</id><published>2007-11-26T10:28:00.000-08:00</published><updated>2007-11-26T10:30:44.222-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário 2'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Documento de Aparecida'/><title type='text'>Documento de Aparecida, comentário 2</title><content type='html'>Documento de Aparecida, comentário 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos no primeiro comentário por mim feito que o Documento de Aparecida começa com um princípio metodológico excelente: evidenciar na Igreja um “núcleo unificador”, que nos faça “perceber a unidade de todos os fragmentos dispersos” (36); que “dê unidade a tudo o que existe e nos sucede” (37), a fim de “preencher o vazio produzido em nossa consciência  pela falta de um sentido unitário da vida”, pois, finalmente, “nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (Ratzinger, J. nº 12). Esse pragmatismo nos distrai com “fragmentos dispersos” da vida cristã.&lt;br /&gt;Tal constatação chama, ao mesmo tempo, por um anelo que vem sendo de longe expresso dentro da Igreja. Na Exortação Apostólica de 1975, Evangelii Nuntiandi, Paulo VI , também ele se pergunta sobre o que “constitui o eixo central da evangelização” e se inquieta sobre “três problemas candentes, que o Sínodo dos Bispos de 1974 teve constantemente diante dos olhos: – O que é que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens? – Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o homem deste nosso século? – Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de molde a que a sua potência possa ser eficaz?” (EN, nº 4).&lt;br /&gt;Esse “núcleo mais profundo” (49), esse “eixo central” foi identificado no Documento de Aparecida como “o mistério de Deus” (35), ou o “que os cristãos chamam de sentido religioso” (nº37).&lt;br /&gt;Temos aí o método e objeto do Documento. Com efeito, método e objeto se correspondem. O método é determinado pelo objeto. Se, por exemplo, temos de definir a pessoa, não podemos usar qualquer método. Não podemos usar somente o metro, ou a balança. Impõe-se outro método. Método, originalmente, quer dizer “caminho para”. Ora, se, por exemplo, o objeto é de chegarmos a determinada cidade, não podemos tomar por qualquer caminho... A posição geográfica da cidade aponta para o caminho. Assim, a natureza, as condições do objeto determinam o método.&lt;br /&gt;O Documento de Aparecida, apontando como objeto “a fé e a vida em Cristo”, nos diz com acerto qual o “caminho” que não podemos tomar e qual aquele que importa tomar, para defini-llas: “O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo” (14). Portanto, eis o título de um artigo de frei Clodovis Boff: “Re-partir da realidade, ou da experiência de fé?” (REB, jan. 2007).&lt;br /&gt;Em vista disso, ao dedicar a primeira parte “à vida de nossos povos, hoje”, o Documento propõe como método a “contemplação de Deus” que nos faz “ver” a realidade “à luz de sua providência”, nos leva a “julgar’ segundo Jesus Cristo” e ainda nos orienta a “agir” “a partir da Igreja” (19).&lt;br /&gt;E o que se revela ainda mais importante, a “meditação do mistério de Deus”, nos cria sensibilidade para percebermos as verdadeiras proporções existentes entre as “dimensões” desse mistério e as “dimensões” da história humana e das realidades urgentes da vida e da sociedade. Sem a comparação entre tais dimensões não teremos como medir nosso ver, nosso julgar e nosso agir.&lt;br /&gt;A história testemunha que a “contemplação de Deus” favorece tal compreensão da iniciativa de Deus de se revelar a nós e de nos enviar seu próprio Filho que, diante dela, a importância transcendente atribuída ao “ver” os “desafios da sociedade”, simplesmente se esfuma. Que são os males de hoje frente ao desproporcional fato do “Deus conosco? Frente a tal desproporção, tais males não são maiores do que os de todos os tempos, desde Adão e Eva. Por que então dar-lhes tanta importância e perdermos tanto tempo com eles, a ponto de vivermos enrolados em pesquisas e estatísticas?&lt;br /&gt;Essa reclamação não é minha. É a mesma do grande Santo Agostinho, proferida num de seus sermões: “não há, irmãos, por que murmurar... Que tormento novo sofre hoje o gênero humano que os antepassados já não tenham sofrido?... No entanto, encontras homens a murmurar contra seu tempo como se o tempo de nossos pais tivesse sido bom... Por que então pensas que os tempos antigos foram melhores que os teus? Desde aquele Adão até o Adão de hoje, trabalho e suor, espinhos e cardos... Que tempos aqueles! Só de ouvir, só de ler, não nos horrorizamos todos?...” (Liturgia das Horas, Vol. IV, p. 113).&lt;br /&gt;A excessiva importância da análise social, onde se atribui a origem dos males da época, nos faz certamente correr gravíssimos riscos. O primeiro de todos parece consistir em que tais análises se fazem com método cartesiano, somando “fragmentos dispersos que resultam da informação que reunimos”, tanto da “informação econômica”, como da “informação política ou cientifica... No entanto, nenhum desses critérios parciais consegue propor-nos um significado coerente para tudo o que existe. Quando as pessoas percebem essa fragmentação e limitação, costumam sentir-se frustradas, ansiosas, angustiadas”  (nº36).&lt;br /&gt;Um segundo e maior risco dessas informações que, “transmitidas pelos meios, só nos distraem” (nº38), consiste, precisamente, em “supor” Jesus Cristo em nossa vida e em nossa ação missionária. Encontrei dois destacados testemunhos desse fato. O primeiro foi o do próprio fundador da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez, que,em 1996, numa conferência diante do então Cardeal Ratzinger, afirmou que “nos primeiros momentos do trabalho teológico da América Latina, demos como suposta a inspiração da fé...”. O segundo testemunho, encontra-se numa carta que representantes dos novos carismas e novas comunidades, reunidos por iniciativa da Secretaria dos Leigos do Vaticano e do CELAM, escreveram ao Papa. Nessa carta reconhecem que a fé na América Latina está minguando, de vez que Jesus Cristo fica sempre mais “suposto”.&lt;br /&gt;A ênfase com que Bento XVI falou da “prioridade da fé e da vida em Cristo”, pano de fundo de todo o Documento, representa um terceiro testemunho de que não se pode mais seguir supondo Jesus Cristo na vida cristão e na evangelização. Se ele é a causa primeira, absolutamente principal, “o primeiro e maior evangelizador enviado por Deus” (nº103), então não o podemos supor, é preciso levá-lo em conta e dar-lhe a primazia que lhe corresponde em todo trabalho de evangelização. Qual será essa primazia? Brevemente espero falar desse assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3090998021464340922?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3090998021464340922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3090998021464340922' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3090998021464340922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3090998021464340922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/documento-de-aparecida-comentrio-2.html' title='Documento de Aparecida, comentário 2'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-1879519934035382665</id><published>2007-11-23T16:17:00.000-08:00</published><updated>2007-12-08T08:41:58.762-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conferência dos Bispos de América-latina e Caribe'/><title type='text'>O Documento de Aparecida, comentário 1</title><content type='html'>Documento de Aparecida, comentário 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Representantes do episcopado da América Latina e do Caribe, reunidos em Aparecida, na segunda metade do mês de maio deste ano de 2007, elaboraram um documento final que pede para ser estudado e entendido. É evidente que o provérbio antigo continua valendo: quidquid recipitur per modum recipientis recipitur (tudo o que se recebe, recebe-se na medida do recipiente). Assim, todo leitor entenderá o texto de acordo com o instrumental cognitivo que tiver. Lendo os comentários de diversos teólogos, verifica-se isso mesmo com toda a exatidão.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, desde o inicio, o Documento começa fazendo fé ao método “ver, julgar e agir”. Entretanto, a compreensão que ali se encontra não é bem “ver”, “julgar” e “agir”, como muitos deram a entender, pois o define diversamente, isto é, a partir, não da “realidade”, mas da contemplação de Deus com os olhos da fé através de sua Palavra revelada e o contato vivificador dos Sacramentos...”. O “ver” então significa a “contemplação da Palavra” para que “vejamos a realidade que nos circunda à luz de sua providência”. O “julgar” por sua vez exige que “julguemos segundo Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida...”. Finalmente, o “agir” significa “atuar a partir da Igreja...” (nº 19). O teólogo de Florianópolis, Agenor Brighenti critica essas “proposições”, chamando-as de “esquisitas” (cf Convergência, julho-agosto 2007, p.348).&lt;br /&gt;Entretanto, já no capítulo primeiro da primeira parte, encontro a explicação do que significa partir do ato de “contemplar a Deus”, e não do ato de “ver a realidade”. Aqui o Documento cita o Discurso Inaugural do Papa: “Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se torna um enigma indecifrável; não há caminho e, não havendo caminho, não há vida nem verdade” (nº 22). A realidade, portanto, só se entende a partir da “contemplação de Deus”.&lt;br /&gt;Em parágrafo anterior, Bento XVI havia dito que era preciso assumir “a “prioridade da fé e da vida em Cristo”. Sobre isso faz a pergunta: “poderia acaso ser uma fuga ao ‘intimismo’... um abandono da realidade urgente” sócio-politico-econômica?&lt;br /&gt;Em razão desse temor, muitos, até mesmo teólogos, pretendem partir, não da contemplação de Deus, mas da realidade sócio-política, e terminam esgotando-se num emaranhado de análises e estatísticas sociais, com o que Cristo fica suposto, como foi reconhecido por muitos, até mesmo por Gustavo Gutiérrez, o fundador da Teologia da Libertação.&lt;br /&gt;Essa lição do Papa, porém, foi certamente o “fio vermelho” que perpassa todo o Documento de Aparecida, como disse com muita propriedade frei Clodovis Boff.&lt;br /&gt;Em consonância com esse “fio vermelho”, o Documento parte com uma solene “ação de graças” porque “Deus Pai nos abençoou com toda sorte de bênçãos na pessoa de Cristo” (cf. Ef 1,3). Pois, “o Deus da Aliança, rico em misericórdia, nos amou primeiro...” (nº 23). Novamente, prioritário é o amor de Deus, e não a “realidade”.&lt;br /&gt;Ainda sobre a “realidade” o Documento fala da atitude de humildade, pois “a realidade é maior e mais complexa que as simplificações com que costumávamos vê-la em passado ainda não muito distante e que, em muitos casos, introduziram conflitos na sociedade, deixando muitas feridas que ainda não chegaram a cicatrizar” (nº 36).&lt;br /&gt;As simplificações, segundo entendo, estavam na conta do método cujo ponto de partida é o “ver”. Pois, por ele, “é freqüente que alguns queiram olhar a realidade unilateralmente a partir da informação econômica,... ou da informação política ou científica...” (nº 36).&lt;br /&gt;Para enfrentar essa complexidade e esse reducionismo, introduziu-se no Documento um paradigma de imenso valor com características metafísicas. Dez ou doze números, a partir do número 33, apresentam esse paradigma, contrapondo-o ao fenômeno da globalização.&lt;br /&gt;Assim como a globalização quer ser uma visão e ação unitária e global em todos os níveis da existência humana, da mesma forma é preciso “perceber a unidade de todos os fragmentos dispersos que resultam da informação que reunimos” (nº 36).&lt;br /&gt;Onde encontraremos esse princípio, esse paradigma de unidade de todos esses “fragmentos dispersos” do existir humano? Ele se encontra no “mistério de Deus”, pois, “sem uma clara percepção do mistério de Deus, tornou-se opaco o desígnio amoroso e paternal de uma vida digna para todos os seres humanos” (nº35).&lt;br /&gt;Com efeito, “muitos estudiosos... sustentam que a realidade traz uma crise de sentido”. Não se trata, porém, dos “múltiplos sentidos parciais que cada um pode encontrar nas ações cotidianas que realiza, mas do sentido que dá unidade a tudo o que existe, e nos sucede na experiência, e que os cristãos chamam de sentido religioso... Nossa comum condição de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, não obstante as diferenças sociais, étnicas ou de qualquer outro tipo”, encontra ali no “mistério de Deus”, sua unidade e compreensão (nº 37).&lt;br /&gt;Com efeito, a falta de “um sentido unitário da vida produz um vazio em nossa consciência” (nº38). Por isso, “não basta supor que a mera diversidade de pontos de vista, de opções e, finalmente, de informações... resolverá a ausência de um significado unitário para tudo o que existe” (nº42).&lt;br /&gt;Finalmente, é de notar a convicção com que os bispos reunidos falam do papel unitário da devoção mariana. Diz o Documento que “o ânimo mariano de nossa religiosidade popular tem sido, sob distintos nomes, capaz de fundir as diversas histórias latino-americanas em uma história compartilhada: aquela que conduz a Cristo, Senhor da vida, em quem se realiza a mais alta dignidade de nossa vocação humana” (nº43).&lt;br /&gt;Disse acima que esses números citados representam a metafísica do Documento de Aparecida e valem por todo o documento. Se tivéssemos sido educados, desde crianças, desde o primeiro ano de escola, a entender conteúdos e não a cumprir tarefas, como um bom método deve buscar, obteríamos muito melhores resultados. Mas o próprio documento poderia ser mais coerente com essa metafísica inicial.&lt;br /&gt;Poderíamos ver em exemplos a importância de aprendermos a ver tudo na unidade, a fim de melhor se entender. Começo observando que um aglomerado de fragmentos não nos dá nenhuma compreensão. Por exemplo, um monte de material de construção não nos fornece nenhuma compreensão do que seja uma casa. Igualmente, as múltiplas partes de nosso corpo não nos dão de compreender o que somos. Só o componente de nossa alma dá identidade ao nosso corpo e possibilidade de se entender melhor todo o nosso ser.&lt;br /&gt;Somente o exercício de se entender tudo em sua natural unidade, desde o início da aprendizagem, conseguirá botar ordem em nossa mente. E uma mente desordenada não tem serventia. Seria como um terreno onde a boa semente da compreensão não consegue germinar e crescer, mesmo, e sobretudo, na teologia e na espiritualidade.&lt;br /&gt;Poderíamos ainda valer-nos de outros exemplos mais materiais. Que problemas teria aquele que, tendo centenares de textos em seu computador, não os ordenasse em pastas diversas? O mesmo se diga de uma biblioteca. Se não temos um elemento ordenador dos livros, seja pelo tamanho, ou pelo conteúdo, a biblioteca não seria funcional.&lt;br /&gt;A Fides et ratio de João Paulo II insiste neste particular, afirmando, por exemplo, que “a filosofia, que tem a grande responsabilidade de formar o pensamento e a cultura..., deve recuperar vigorosamente a sua vocação originária” (nº 6). Bem mais adiante, o mesmo Papa explicita: “... o trabalho teológico pressupõe e exige... uma razão conceitual e argumentativamente educada e formada” (nº 77). Entendo que encontrar na evangelização o componente unificador, o “fio vermelho” de todos os fragmentos de vida cristão é o elemento decisivo para descobrirmos e valorizarmos o que de mais central e significativo se vê no Documento de Aparecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-1879519934035382665?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/1879519934035382665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=1879519934035382665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1879519934035382665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1879519934035382665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/o-documento-de-aparecida_23.html' title='O Documento de Aparecida, comentário 1'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-1055542872193293963</id><published>2007-11-16T15:33:00.000-08:00</published><updated>2007-11-16T15:36:25.005-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='que é?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Democracia'/><title type='text'>Ditadura versus democracia</title><content type='html'>Ditadura versus democracia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feriado de 15 de novembro fez-me voltar a atenção para o significado desse dia. Tanto mais que estamos sendo bombardeados de todos os lados pela controvérsia em torno do conceito de democracia. O temor de muitos, em verdade, se refere às ameaças de novos regimes ditatoriais. Para muitos de nós as ameaças já se tornaram perigos iminentes.&lt;br /&gt;Hoje, a consciência política no mundo, se inclina em torno do regime político menos imperfeito, o regime democrático. Importa então termos dele melhor conhecimento.&lt;br /&gt;Entretanto, escutamos de todo lado declarações e iniciativas que revelam tudo, menos compreensão do que seja democracia.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, importa dar-nos conta que todo regime político deveria corresponder com o significado da palavra “república”. Ela tem origem do latim e significa literalmente “coisa pública”, pois “res” em latim significa “coisa”. E a “coisa pública” se designa pelo bem comum. O regime político republicano, portanto, é aquele que está voltado para o bem comum e a ele dedicado.&lt;br /&gt;A palavra “democracia”, porém, tem origem do grego e significa “governo do povo”, soberania popular, pois, a palavra “demo”, quer dizer povo e “cracia”, regime de governo. Neste regime o povo participa ativamente, pelo exercício do voto livre e soberano, na designação dos órgãos de governo. O faz elegendo representantes que melhor possam exercer a função de orientar todas as atividades sociais na  consecução do bem comum.&lt;br /&gt;Entretanto, não basta que o povo exerça pelo voto, ou por aclamação, o regime de governo, delegando poderes a determinadas pessoas. Faz-se necessário que o exercício de poder seja ordenado de tal sorte que o objetivo maior, o bem comum, não se frustre.&lt;br /&gt;Foi para isso que se distribuiu o poder em três órgãos distintos, cada qual soberano em sua função: o legislativo, o judiciário e o executivo. Esses três órgãos devem por sua própria natureza exercer funções administrativas e, sobretudo, de controle.&lt;br /&gt;Propriamente, a maior soberania deveria ser exercida pelas câmeras legislativas, cuja função também define o regime todo como “regime da lei”, sob o qual todos devem submeter-se.&lt;br /&gt;Não basta, portanto, dizer que se é democrático por ter sido eleito pela maioria, ou pelos representantes das câmaras legislativas. Se observarmos as ditaduras, todas elas se constituíram ou por votação, ou por aclamação popular. Hitler foi eleito democraticamente por votação. Lênin foi aclamado pelo povo. Fidel Castro idem. Este não só pelo povo de Cuba que se livrava de um indigesto ditador, mas também apoiado por expressiva opinião mundial. No Brasil, a tomada do poder pelos militares, em 1964, foi apoiada por uma imensa maioria. Em razão disso tudo, tem-se falado em ditadura da democracia, e os países reconhecidamente ditatoriais, ousam chamar-se de “Repúblicas democráticas”. Dia 15 de novembro, talvez tenha sido, para a maioria do povo, apenas um feriadão a mais. Havia, porém, em toda a mídia, declarações que deveriam ter constituído fortes estímulos de reflexão sobre o sentido de democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-1055542872193293963?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/1055542872193293963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=1055542872193293963' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1055542872193293963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1055542872193293963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/ditadura-versus-democracia.html' title='Ditadura versus democracia'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3771029115256789672</id><published>2007-11-15T05:16:00.000-08:00</published><updated>2007-11-15T05:21:12.010-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história divina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história humana'/><title type='text'>Vizão cristã da história</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Visão cristã da história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia da história ocupou-se arduamente em buscar um sentido para o desenrolar através dos tempos dos acontecimentos humanos. Não conseguiu, porém, estabelecer um consenso entre os estudiosos. Não obstante, surpreende que o paradigma “história”, ou “histórico”, tenha alcançado, na cultura atual, tanta importância no pensamento e no agir  das pessoas. &lt;br /&gt;Entretanto, a história, com a vinda ao mundo de Jesus, ganha, assim como toda a criação, um  sentido novo e original.&lt;br /&gt;Em verdade, o “sinal de contradição” e de “queda e soerguimento para muitos” (Lc 2,34) se manifestou logo no modo novo de julgar e agir daquele “Menino”. Essa novidade, com efeito, fez com que os homens do templo, como os próprios discípulos, tivessem tanta dificuldade para entendê-lo. Os primeiros não o suportaram e terminaram crucificando-o.&lt;br /&gt;Acontece que a alegoria da Caverna de Platão, entre outros significados, mostra que a sociedade não suporta alguém que venha tirá-la de suas ilusões. Platão deverá ter pensado em Sócrates. Muito mais, porém, devemos pensar em Jesus. Ele veio tirar-nos das ilusões da história, mostrando-nos que a história e a criação toda, começavam a ter, a partir dele, outro sentido.&lt;br /&gt;Sobre esse sentido novo da história encontramos valiosos comentários em um autor do século II de nossa era nos deixou escrito numa carta chamada de Carta a Diogneto, publicada pela editora Vozes, em 2003.&lt;br /&gt;É surpreendente como essa carta nos apresenta os cristãos como pessoas “trans-históricas”. Nos capítulos V e VI se lê que os cristãos são “paradoxais”: iguais e diferentes, ao mesmo tempo, dos demais cidadãos históricos. São iguais em tudo o que diz respeito à pátria comum: habitam nas mesmas cidades; empenham-se na política do estado; seguem os mesmos costumes, a mesma língua; vestem-se como os demais e, como os demais, também se alimentam.&lt;br /&gt;Não obstante, “moram na própria pátria, mas como peregrinos”, “ cidadãos, de tudo participam, porém, tudo suportam como estrangeiros”. “Toda terra estranha é pátria para eles e toda pátria, terra estranha” (pg.23); “estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus” (pg.24). Portanto, paradoxais, iguais e diferentes, muito diferentes.&lt;br /&gt;Na introdução da edição, citada acima, Dom Fernando A. Figueiredo comenta que a carta nos fala do “Hoje Divino” da História da Salvação, para nos dizer que “o cristão se torna contemporâneo do Cristo”, ou, melhor, Cristo é sempre nosso contemporâneo (pg.14).&lt;br /&gt;Em outras palavras, isso corresponde a dizer que a História da Salvação perpassa e transcende a história humana. Goza de um princípio de perenidade. Representa o “Hoje Divino”, sempre “contemporânea”, independente dos fatos histórico-sociológicos.&lt;br /&gt;Portanto, a História da Salvação em Jesus Cristo é paradoxal. Ela transcende os critérios da filosofia na busca de sentido para os fatos seqüenciais da história humana. Até, por ser sempre contemporânea, nem é propriamente história, ultrapassa a história. &lt;br /&gt;Em nossos dias, tal afirmação é escandalosa, acostumados que se está a submeter tudo, também como método teológico e pastoral, aos critérios dos acontecimentos históricos circunstanciais.&lt;br /&gt;O novo sentido da história, depois de Cristo, não é levado suficientemente em conta. O próprio critério do “sinal dos tempos”, não é visto sob esse novo sentido.  E assim, o domínio da filosofia da história e da sociologia impede que se veja a contemporaneidade da História da Salvação, a contemporaneidade de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre.&lt;br /&gt;Qual o prejuízo para a vida cristã e para a evangelização? A vida cristã se torna apenas uma lembrança histórica, ou uma ciência sujeita à pura hermenêutica e não um acontecer agora, na vida dos cristãos. A evangelização, por sua vez, passa a esbanjar energias em bens materiais e esforços humanos, nas infindas análises e atenções voltadas para os fatos sócio-históricas das conjunturas sociais do momento e perde de vista o que é mais importante, a verdadeira natureza da vida cristã, a contemporaneidade de Cristo e da vida cristã.&lt;br /&gt;Como, então, se entende essa visão paradoxal?  A Carta responde no capítulo VIº com uma analogia que nos aproxima da compreensão. Compara o cristão, frente à sociedade profana, como a alma em relação ao corpo. A alma transcende o corpo, nos dois sentidos do transcender, tanto por encontrar-se em todas as partes, animando o corpo todo, quanto por ultrapassar a materialidade do corpo.&lt;br /&gt;Assim são os cristãos. Em primeiro lugar, eles estão em toda parte: “Encontra-se a alma em todos os membros do corpo, e os cristãos dispersam-se por todas as cidades do mundo” (pg.24). Em segundo lugar, como a alma “habita no corpo, mas dele não provém, os cristãos residem no mundo, mas não são do mundo” (pp. 24-25).&lt;br /&gt;Prosseguindo na comparação, o autor da Carta fala do modo de acontecer do ser cristão na sociedade profana e de sua função. O acontecer do ser cristão é, ainda, semelhante ao da alma: Assim como “a carne odeia a alma e a combate... também o mundo odeia os cristãos”... mas, “a alma ama a carne... assim os cristãos amam os que os detestam” (pg.25). A função, entretanto, do ser cristão é também semelhante à da alma: Como “a alma é quem faz a coesão do corpo”, assim também “são eles (os cristãos) que sustêm o cosmo”. &lt;br /&gt;A comparação da alma e da carne nos recorda a parábola do fermento e da massa (Mt 13,33).  Jesus disse que o Reino de Deus é o fermento que faz levedar a massa. A massa levedada, enquanto massa, é igual a todas as massas, mas enquanto levedada é outra massa bem diversa. Assim, a sociedade, enquanto sociedade, é igual a todas as demais, mas, enquanto permeada por vida cristã, será bem outra sociedade.&lt;br /&gt;Ademais, o fermento permanece invisível, assim como a ação dos cristãos na sociedade. A Carta a Diogneto, seguindo sua comparação, afirma que, a alma invisível anima um corpo visível, assim como o cristão, no seu “culto a Deus, permanece invisível” ao mundo e, entretanto, o permeia, o anima e o transforma, transcendendo-o, porém, tanto por estar em toda parte, como por estar criando, sem ilusões, “outro mundo possível”, invisível para aqueles a quem lhes falta órgão para ver (Cf Lc 17,20; Mc 4,11-12; Mt 11,25).&lt;br /&gt;E se a queda do Império Romano se explicasse muito melhor, graças a um processo invisível de infiltração, como acontece com os dendrólitos, árvores feitas pedras, por semelhante processo? &lt;br /&gt;O Império não ruiu graças ao empenho dos cristãos em “ações sociais”, buscando a troca das estruturas injustas de então, mas ruiu por um processo de infiltração pelo fermento evangélico. De tal sorte aconteceu que, quando o Império se deu conta, a mãe do Imperador era, nada menos que Santa Helena.&lt;br /&gt;O cristianismo não foi concorrente à sociedade civil. Não precisou pensar em nenhuma pressão física ou moral. A pressão foi espiritual. Melhor, foi o “brilho” da vida cristã, manifestação de seu lado ontológico, que minou a sociedade civil, atraindo os agraciados de sensibilidade espiritual que acorreram pressurosos.&lt;br /&gt;Minha apreciação a respeito dos “padres midiáticos” é a seguinte: seu sucesso não se deve ao poder da comunicação, mas ao testemunho por atitudes e palavras de uma experiência do Espírito prometido por Cristo aos que o pedissem (Lc 11,13).&lt;br /&gt;O Papa, em sua rápida passagem entre nós, definiu a evangelização como um processo de atração, a exemplo do que Jesus disse e fez: Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim (Jo 12,32).&lt;br /&gt;Concluindo, esse processo transformador do ser cristão representa o lado transcendente da História da Salvação, da vida cristã no mundo. O Evangelho representa novo sentido da vida e da história humanas. &lt;br /&gt;                                                                                 Pe. Achylle Alexio Rubin&lt;br /&gt;                                                                                 &lt;a href="mailto:achyllerubin@Yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3771029115256789672?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3771029115256789672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3771029115256789672' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3771029115256789672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3771029115256789672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/vizo-crist-da-histria.html' title='Vizão cristã da história'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-4000613323246569966</id><published>2007-11-13T11:52:00.000-08:00</published><updated>2007-11-13T11:57:54.555-08:00</updated><title type='text'>O Sacramento do amor</title><content type='html'>O Sacramento do Amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo de novembro tratei sobre a “loucura de Deus”, o sentido da cruz. A loucura procede de duas fontes totalmente diferentes. Uma acontece quando se dá  lesão cerebral, ou perturbação da circulação cerebral. A outra fonte de loucura consiste num grande amor. Quem tem um grande amor faz loucuras. Deus fez conosco tais loucuras de amor. Convido o leitor a seguir meditando, pois. agora vou falar de outro patamar do amor, o amor humano que de forma alguma é estranho ao amor de Deus.&lt;br /&gt;Leva-me a isso a multidão de problemas de relacionamento familiar que escuto diariamente. É um assunto que ocupou a atenção de filósofos e teólogos de todos os tempos. Todos buscaram uma solução para o problema humano. Uma lição, porém, podemos tirar dessa preocupação. O fato de haver inúmeras teorias a respeito pode mostrar a dificuldade de se encontrar uma resposta adequada.&lt;br /&gt;Platão, por exemplo, em seu livro, As leis, fala da guerra que acontece entre os estados, entre as cidades, entre as famílias, entre uma pessoa e outra e, finalmente, no íntimo de cada qual. Cada qual, por respeito a si mesmo, “é como um inimigo diante de um inimigo”. E conclui o filósofo: “... vencer a si mesmo é a primeira e a mais bela de todas as vitórias, ceder a si mesmo é a pior  e mais vergonhosa de todas as coisas. Isto que acabo de dizer, significa afirmar que há guerra em cada um de nós contra si mesmo”.&lt;br /&gt;Qual então o inimigo intimo que devemos combater?  Platão responde: “os elogios fáceis, os prazeres, o apego a este mundo e a transgressão das leis, etc.”.&lt;br /&gt;Quem sabia antes de todos os filósofos que as dificuldades de viver o amor eram grandes, foi o próprio Deus. E o maravilhoso é que ele tomou a iniciativa de nos vir em socorro por puro e grande amor. Ao nos enviar seu eterno Filho, Jesus Cristo, foi como se tivesse, sendo infinito, esgotado todos os seus recursos para nos socorrer. &lt;br /&gt;Antes de tudo nos faz, pelo batismo, filhos seus. Depois, em cada etapa de nossa vida, enriqueceu sua Igreja de recursos renovados. Para a importante etapa que realiza o mandamento “crescei e multiplicai-vos” (Gen 1,28), instituiu o matrimônio, o sacramento do amor esponsal.&lt;br /&gt;Tenho intenção de abordar esse assunto nos próximos meses, precisamente levado por tantas confidências que me são diariamente feitas em busca de alguma resposta a inúmeros problemas de relacionamento familiar. Sentir-me-ei feliz se conseguir abrir uma fresta de luz nessa área tão árdua.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a título quase de introdução, vou falar da índole desse assunto, muito relacionada com a filosofia. Isto é, esse não é um tema que pode ser visto e mostrado. Ele ultrapassa o sensível, não pode ser imediatamente tocado por nossos sentidos. É como falar da bondade, da justiça, do próprio amor. Tudo isso é real, mas não pode ser mostrado para ver e apalpar. E contudo, são coisas reais. Conhecemo-las pelos seus efeitos, pelos sentimentos que fazem nascer em nós e pelo comportamento diferente que condicionam.&lt;br /&gt;Quando, por exemplo, falamos das realidades que acontecem depois de nossa existência terrena, não temos maneira de mostrá-las para serem vistas, ou tocadas. Elas são transcendentes, quer dizer, estão além das coisas materiais sensíveis. Quando o Papa João Paulo II critica as filosofias modernas que se fecham para a transcendência, ele quer dizer que negam as realidades que estão além do mundo material.&lt;br /&gt;Sabemos de sua existência porque Deus no-lo disse. Está escrito na Bíblia. Não é palavra de homem, é palavra de Deus...  &lt;br /&gt;Nos sacramentos da Igreja trata-se precisamente dessas realidades que nos foram ditas, testemunhadas por Jesus Cristo. Por exemplo, no Evangelho, Jesus, “interrogado  pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, respondeu-lhes: ‘A vinda do Reino de Deus não é observável. Não se pode dizer: ‘Ei-lo aqui! Ei-lo ali!’, pois, eis que o Reino de Deus está no meio de vós’” (Lc 17,20-21).&lt;br /&gt;Jesus quis dizer que o Reino de Deus era ele próprio, enquanto Deus. Estava no meio deles, mas eles não o podiam ver. O que os fariseus observavam com seus olhos era só um homem e não Deus. Se os fariseus vissem Deus, não teriam feito a pergunta, seria uma realidade evidente e a pergunta seria supérflua.&lt;br /&gt;Da mesma forma, como não se vê Deus em Jesus Cristo, não se vê o que o batismo produz em nós, o “renascer da água e do Espírito” (Jo 3,5). Jesus repreende Nicodemos: “És doutor em Israel e ignoras estas coisas!” (Id v.10). Muito menos se vê Jesus na hóstia consagrada. É a palavra de Jesus, “palavra de Deus”, que nos assegura tudo isso.&lt;br /&gt;Até que o efeito do batismo se pode ver. Todos deveriam perceber a diferença existente entre uma pessoa que vive intensamente seu batismo e outra que não o vive. Por exemplo, as multidões que iam se encontrar com o Pe. Pio, por que motivo iam vê-lo pessoas de todas as partes do mundo?  Não seria porque nele apareciam muito fortes os efeitos do batismo? Outro exemplo foi o de São João Maria Vianey. O governo francês, cheio de preconceitos contra a religião, contudo, teve de construir uma estrada de ferro até a vilazinha de Ars, para transportar tantos peregrinos que iam ver e se confessar com o santo “cura d’Ars”. Aliás, em todas as comunidades cristãs há pessoas que se distinguem por sua vida batismal. Basta ter olhos para ver.&lt;br /&gt;Jesus fala muitas vezes dos “sinais dos tempos”. Não porém da aparência dos sinais, senão da dimensão do espírito que eles carregam. Essa dimensão não todos a “vêem”. Os escribas e fariseus recusavam-se a “ver” o sentido dos “sinais”. Por isso, pediam sinais e nada viam na quantidade que estavam acontecendo ao seu redor. Jesus os interpela: “Hipócritas, sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos? Essa raça perversa e adúltera pede um milagre! Mas, não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas!” (Mt 16,4).&lt;br /&gt;Os hipócritas de todos os tempos continuam não vendo o sentido dos “sinais”. Há, porém, muitos que vêem. Falo a esses, ao falar do Sacramento do amor, do matrimônio cristão.&lt;br /&gt;Todo sacramento, em verdade acontece com um sinal material, carregado de uma realidade que não se vê, não se apalpa e somente se vê através de  seus frutos. Quantidade de casais se dão conta disso. Ao dar-se conta, por graça de Deus, louvam e agradecem sem fim. Seguirei falando do sinal visível do matrimônio cristão e de seu conteúdo invisível. Até o próximo mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                           Pe. Achylle A. Rubin / &lt;a href="mailto:achyllerubin@yahoo.com.br"&gt;achyllerubin@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-4000613323246569966?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/4000613323246569966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=4000613323246569966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4000613323246569966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/4000613323246569966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/o-sacramento-do-amor.html' title='O Sacramento do amor'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3198007058428338075</id><published>2007-11-13T09:47:00.001-08:00</published><updated>2007-11-13T10:09:07.954-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natureza do social'/><title type='text'>O Social</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Pastilha 77&lt;br /&gt;O Social&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou fazendo um teste para inaugurar meu novo Blog. Desejo tudo de bom aos que me lerem, junto com uma carga de bênçãos!&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;Prometi na “pastilha” anterior tratar o assunto do social. Faço-o porque se trata de um tema de grande relevância para os tempos atuais. Tanto o socialismo, como o neoliberalismo não possuem uma compreensão adequada do social. Ao contrário. Eles induzem o pensamento a criar uma atitude maniqueísta. Assim o mundo se acha dividido. O mal de uns é bem para outros, e vice-versa. De um lado, impera o coletivismo, do outro o individualismo. E como os extremos se tocam, ambos conduzem, tanto para o individualismo, quanto para o coletivismo.&lt;br /&gt;Na verdade trata-se de encontrar uma compreensão que valorize a sociedade, como o indivíduo. Há pouco tenho lido uma afirmação verdadeira de Leonardo Boff. Escreveu ele: o capitalismo nega a sociedade e o socialismo nega o indivíduo. Como então ver a harmonia entre esses dois componentes humanos?&lt;br /&gt;Eis um dos primeiros assuntos que, a partir de 1958, estive tratando. Na semana após a Páscoa de 1960 dei um cursinho de três dias sobre a nova orientação pedagógica nos seminários. O tema principal versava sobre a relação indivíduo e comunidade. Como fugir tanto do coletivismo, quanto do individualismo?&lt;br /&gt;Em filosofia, depende tudo do ponto de partida. Isto é, qual a natureza do social? Que tipo de ser é o social? Com efeito, se queremos entender um pouco do ser social precisamos entender qual a categoria de ser a que ele pertence. Do contrário estaremos sempre errando com nossos julgamentos.&lt;br /&gt;Importa então, em primeiro lugar, dar-nos conta de que o ser social não é um ser físico. Por isso, não são as chamadas estruturas sociais, políticas, econômicas, educacionais, sanitárias, etc, que constituem, em primeira instância, o social. Essas são meros efeitos do social.&lt;br /&gt;O social radica num nível bem mais profundo. Para entendê-lo se faz mister observar que ele diz respeito à intenção e à vontade livre das pessoas. E quando alguma ação parte da vontade livre das pessoas em busca de um fim – todos agimos por um fim – se diz que é uma ação moral, um ser moral.&lt;br /&gt;Que seria então tal ser moral? Precisamente, o social acontece quando as intenções de vários indivíduos se unem por uma decisão da vontade livre para buscar juntos um objetivo. O que seria esse objetivo?&lt;br /&gt;O objetivo humano é sempre o Bem. A pessoa está sempre essencialmente voltada para o bem. Tem-se definido o bem como aquilo que todos os seres apetecem, buscam e com ele se realizam, se tornam felizes. Assim as plantas, os animais e os homens buscam sempre ser e ser mais.&lt;br /&gt;O social é constituído por um bem que muitas pessoas apetecem e buscam juntas por decisão livre de sua vontade. Assim o ser moral social é a comunhão de intenções e vontades que buscam em comum um bem. A causa do social é a união solidária de muitas vontades em torno de um bem que, por ser buscado solidariamente se chama de Bem Comum. Assim se constitui o social, feito de um ser que não é físico, mas moral, porque se trata do reino dos costumes, do comportamento. "Mores", em latim, significa costumes. De "mores" vem moral. A união, a comunhão que se estabelece, evidentemente, não é física.&lt;br /&gt;Por outra, os bens que não são alcançados pelos indivíduos o serão pelo grupo e o que o grupo menor não consegue, o grupo maior vem, subsidiariamente, em seu auxilio. É a chamada lei da subsidiaridade. O que causa o social, portanto, é a ação da vontade de muitos para alcançar um bem que só se alcança em comum, que exige união de muitos.&lt;br /&gt;Importa distinguir bens comuns morais e, outros físicos. Bem comum moral, por exemplo, é a confiança. Dela depende tudo, é básica para a economia. Preservá-lo é vital para uma comunidade. Esse bem é interno. O saber é outro bem comum que pertence a toda a humanidade. O Bem comum externo são todos os empreendimentos auxiliares, como as estruturas de governo, do poder executivo, legislativo e judiciário, as estruturas das escolas e universidades, as estruturas sanitárias, etc.&lt;br /&gt;Em razão de ser moral e não física a natureza do social, ela também reside no íntimo das pessoas. O conflito acontece quando se imagina o social como um ser físico, as chamadas estruturas. Estas não são a causa primeira das injustiças. A injustiça reside mais em baixo. Está no íntimo da pessoa que não se conforma com o Bem Comum, ou que o dilapida.&lt;br /&gt;Considerado o social como ser moral, ele não cria, por sua natureza, conflitos. Criaria se fosse visto como ser físico, pois, entraria em confronto com outro ser físico, a pessoa individua. Dois seres físicos podem confrontar-se, mas um ser moral íntimo à própria pessoa não produz conflitos, pois ele é um componente da mesma pessoa. Nela o Bem comum habita e é assumido com responsabilidade. Ao nascer a pessoa o bem comum se lhe impõe ao natural, seja o bem familiar, como o bem pátrio.&lt;br /&gt;Desde sempre, se tem definido o homem como “animal político”, cidadão, de vez que a relação com o Bem comum é inata, pertence à própria natureza.&lt;br /&gt;Em conseqüência, a autoridade, tanto familiar como civil, tem por função promover e defender o Bem comum contra as tendências desagregadoras.&lt;br /&gt;Duas conclusões. Primeira. A estratégia maior da ideologia socialista sempre foi a conquista da opinião pública através da mídia. Ela está se impondo de tal sorte que a pessoa individua vai sendo mais e mais relegada, anulada. De outro lado, a prática consumista do liberalismo alcança o mesmo objetivo, domina a pessoa através do marketing, fazendo-a escrava da propaganda e da moda. A ditadura que ameaça a América Latina e que reina em muitos países está sendo, hoje, a mistura dos dois componentes. Um exemplo é a China.&lt;br /&gt;Segunda conclusão. Com a resposta que dei acima, pretendo mostrar que é possível vencer o maniqueísmo ideológico: Quem não é socialista é capitalista. Ou: Quem não é de tal partido, é do outro. A maniqueísmo é também extremista, absolutista. Usurpa o absolutismo de Deus: “Quem não está comigo, está contra mim” (Lc 11,23). Achylle A. Rubin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3198007058428338075?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3198007058428338075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3198007058428338075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3198007058428338075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3198007058428338075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/o-social.html' title='O Social'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-3862260298126291548</id><published>2007-11-12T14:19:00.000-08:00</published><updated>2007-11-12T14:52:36.906-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='latinoamericanos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conferencia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bispos'/><title type='text'>Em torno da Vª Conferência de Aparecida</title><content type='html'>De todo lado se fazem comentários em torno da Vª Conferência de Aparecida. Proponho-me comentar algumas interpretações feitas sobre o Documento final da mesma Conferência.&lt;br /&gt;Há várias interpretações de teólogos produzidas antes mesmo da publicação oficial, que, no meu entender, têm ares de quem está com pressa em adiantar opiniões. Considero de muita utilidade entabular um diálogo sobre o assunto, deixando de engolir simplesmente o que se publica. Por que temos nós de continuar sendo meros consumidores das opiniões dos outros? Confesso que esta foi uma de minhas maiores preocupações a respeito de nossa formação.&lt;br /&gt;Limito-me a comentar as duas entrevistas sobre o referido Documento final de Aparecida, a de frei Clodovis Boff e a do Pe. João Batista Libânio. Em primeiro lugar, vou selecionar duas perguntas do entrevistador. Uma, sobre “as luzes” que o Documento projeta para a Igreja em geral, para a teologia e para a evangelização. A outra, sobre a posição teórica e prática do Documento a respeito da opção preferencial pelos pobres. Quanto à primeira pergunta considero que ambos os teólogos souberam com muita propriedade acentuar o núcleo central de todo o Documento, que vem projetar luzes sobre a evangelização.&lt;br /&gt;Frei Clodovis, nos diz que “o fio vermelho que permeia todo o documento” seria a “fé viva em Cristo a partir de uma experiência de encontro”, ou, “a fé em Cristo no começo, como fundamento de tudo; a evangelização como primeiro desdobramento espontâneo dela; e, enfim, a missão social como seu necessário desdobramento ulterior”. Seria “a própria boa-nova do amor de Deus a ser experimentado, anunciado e projetado na vida”.&lt;br /&gt;O mesmo núcleo é visto por Libânio, para quem o documento se propõe dois eixos: a) “afirmar a relevância da experiência cristã fundamental e fundante: o encontro pessoal com Cristo no interior da comunidade da Igreja”; ... b) “a alegria de ter-se encontrado com o Senhor”, que faz “brotar os desejos de segui-lo e de anunciar-lhe o Evangelho...” ; ... c) “articulando esses dois eixos... pensa-se, então, deslanchar ampla mobilização para uma grande Missão Continental”.&lt;br /&gt;A outra pergunta do entrevistador diz respeito à opção preferencial pelos pobres. O entrevistador pergunta aos dois teólogos se o documento da Vª Conferência “confirma” essa opção e “como a põem em prática”. Ambos os teólogos respondem afirmativamente. Há uma confirmação e uma prática.&lt;br /&gt;Contudo, parece divergirem quanto à sua concretização prática. Frei Clodovis afirma que “se trata de uma opção verdadeiramente evangélica, no sentido de vir banhada e mesmo encharcada da fé em Cristo... tanto em sua origem (ela nasce do encontro com o Filho de Deus, ‘que de rico se fez pobre’), quanto em seu exercício (ela vibra com os sentimentos do coração do Bom Pastor). Quanto às implicações concretas... os bispos apelam para a ‘imaginação da caridade’, a que se referiu João Paulo II”.&lt;br /&gt;Pe. Libânio começa por fazer ressalvas ao Documento, pois, diz ele, “o conjunto dos bispos... não superou o trauma da libertação..., pesa estranho silencio sobre a Teologia da Libertação”. Por isso, observa criticando, que o Documento “imagina que o agir consoante com a opção pelos pobres flua da ‘fé cristológica’ e daí se faça criativo”. Pois, “as indicações (do mesmo) permanecem na proximidade afetiva e existencial com o pobre, o que já é algo, sem perguntar-se, porém, pelos movimentos sociais... que objetivariam tal opção”.&lt;br /&gt;Com isso, Libânio contradiz as palavras do Papa, por ele próprio citadas: “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza”. A “fé cristológica” permaneceria, assim, só “na proximidade afetiva e existencial com o pobre”, ou só “vibraria com os sentimentos do coração do Bom Pastor”, na expressão de frei Clodovis, e não promoveria ação prática alguma, que só viria mediante os “movimentos sociais que objetivariam tal opção”. Para Libânio a prática social não fluiria da fé e vida em Cristo. Seria, como afirmou Dom Damasceno, “paralela” à vida em Cristo. Dualismo, portanto...&lt;br /&gt;Que dizer dessas duas opiniões? Parece evidente que frei Clodovis está mais próximo de fugir ao dualismo “fé x ação social”, do que Libânio. Este acha que a opção pelos pobres não “flui” da “fé cristológica”, enquanto que Clodovis afirma que a opção pelos pobres deve ser evangélica, isto é, deve “vir banhada e mesmo encharcada da fé em Cristo”, com identidade cristã.&lt;br /&gt;Frei Clodovis, como consta de uma correspondência com ele, é um teólogo que sinceramente vive inquieto por encontrar respostas aos dualismos e, com essa inquietação, ele chega mais próximo da visão evangélica. Haja vista o artigo que ele publicou na Revista Eclesiástica Brasileira de janeiro/fevereiro deste ano, com o título bem sugestivo, Re-partir da realidade ou da experiência de fé? Com isso ele antecipou a concepção central, inciso 3, do discurso do Papa, na abertura da Vª Conferência de Aparecida.&lt;br /&gt;Nesse lugar o Papa fala da “prioridade da fé em Cristo e da vida em Cristo”. Em seguida responde à objeção: não seria isso “intimismo”? Não seria fugir da urgência das “realidades” sócio-politico-econômicas “para o mundo espiritual”?&lt;br /&gt;Bento XVI responde com outra pergunta: “que é a realidade? Que é o real?”...Aqui está, afirma ele, “o grande erro, erro destrutivo”: limitar-se às realidades sócio-politico-econômicas. Pois, “se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se converte em um enigma indecifrável”. Pergunta-se, por que?&lt;br /&gt;Por duas razões. Primeiro, a realidade só se entende em relação com o Criador, de quem ela depende. Segundo, ela só se entende em relação à Revelação. Aqui vale o que escreveu São Paulo: “A criação aguarda ansiosa a libertação dos filhos de Deus...pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia” (Rom 8, 20,22). Só nessa perspectiva, depois de Cristo, se pode entender a realidade toda.&lt;br /&gt;Portanto, Codovis está mais próximo de vencer o dualismo, dizendo que a ação social deve “fluir” da fé e da vida em Cristo, enquanto que Libânio põe a fé e a vida em Cristo só como “proximidade afetivo e vivencial com o pobre”, sem capacidade de se fazer “criativa”, isto é, ação prática.&lt;br /&gt;Este é um primeiro comentário que senti de deixar escrito, ainda que encontre poucos interlocutores. Desejaria muito que os houvesse. Sem interlocutores o estímulo fica fraco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-3862260298126291548?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/3862260298126291548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=3862260298126291548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3862260298126291548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/3862260298126291548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/11/em-torno-da-v-conferncia-de-aparecida.html' title='Em torno da Vª Conferência de Aparecida'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6103177179829302085.post-1235017892785351501</id><published>2007-10-23T02:09:00.000-07:00</published><updated>2007-12-08T10:07:30.166-08:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>Estou inaugurando um blog. Esta é uma coisa ainda meio misteriosa para mim. Mas dizem que comendo vem a fome...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou padre e já estou com 81 anos, mas Deus me conservou suficientemente lúcido para poder ajudar muita gente. Tenho 56 anos de padre e posso dizer que sou feliz, agradecendo muito a Deus por tanta proteção, apesar de ter sido tão ingrato para com ele. Atribuo minha lucidez ao exercício constante da mente. 49 anos de professor de filosofia e um pouco também de teologia, já se vê que fiz algum exercício de entender as coisas. Estou constantemente escrevendo para três orgãos de imprensa e já tenho publicado seis livros. Estou disposto a dialogar com meus virtuais leitores sobre temas de filosofia e religião. Não posso prometer respostas, quando o tempo me for escasso e, evidentemente, quando meus conhecimentos não me permitirem. Somos tão limitados. Quando pensamos saber, já não estamos mais sabendo. Saber que não se sabe é o início da sabedoria. Abraços e bênçãos para você que leu esta minha apresentação. Pe. Achylle Alexio Rubin&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6103177179829302085-1235017892785351501?l=achyllerubin.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://achyllerubin.blogspot.com/feeds/1235017892785351501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103177179829302085&amp;postID=1235017892785351501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1235017892785351501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6103177179829302085/posts/default/1235017892785351501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://achyllerubin.blogspot.com/2007/10/apresentao.html' title='Apresentação'/><author><name>Pe. Achylle</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07178884091886146785</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
