O Dr. Guzman toca um ponto nevrálgico: a juventude está orfã de pai e mãe! As pastorais das crianças, dos adolescentes, dos jovens, e também da familia,tentam resgatar os que já estão estraviados. Por que? Porque não se cuida suficientemente do chão donde tudo brota. Se houvesse uma pastoral voltada para a preparação familiar,poder-se-ia entregar, restituir todas essas pastorais à familia, aos pais. Pois, os pais são as únicas autoridades competentes para educar uma pessoa. Em vez disso, os pais terceirizam a educação cívica em favor da escola e a educação da fé em favor da catequese. E a juventude cresce órfã de pai e mãe...
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Mais sobre a pastoral
Adimiro e reconheço com admiração todo o esforço que se dispende na pastoral da juventude. Mas como professor de metafísica por longos anos, acostumei-me a buscar sempre as causas mais profundas dos fenômenos. Em nosso caso, tomo como exemplo o fato de nosso Arcebispo, Dom Mauro, na solene administração do sacramento da Crisma, citar a piada dos morcegos. Diante desse fato, se nós nos perguntassemos qual a causa mais profunda dos jovens não aparecerem mais na igreja, após esse sacramento, iriamos certamente concluir que os jovens não têm fundamento familiar da fé. Os pais são á única autoridade para educar uma pessoa, coisa que deve começar com o ato primeiro de gerar um filho. A autoridade eclesiástica condena o Estado que não observa o princípio de subsidiariedade (Cfr Quadragesimo Anno), mas a nossa pastoral catequetica também não respeita esse princípio. Em consequencia os pais terceirizam a educação cívica em favor da escola e a educação da fé em favor da catequese. Concluo que há algo de errado na estrutura da pastoral. Acabo de inserir no meu blog um pequeno comentário sobre o Plano de Pastoral (achyllerubin.blogspot.com).
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Plano de pastoral
Achylle
2012-09-27 10:48:50
Plano de Pastoral / São ao redor de 50 anos, desde meus 35, que nasceu o Plano de Pastoral. Sempre estive "com um pé atrás" a respeito. Entendi que o Plano iria fixar-nos num "espírito" demais dependente do mundo tecnólogico, diria cartesiano, e que iria privilegiar a razão, o ensino, enquanto que a evangelização, como a entendo, e como Bento XVI várias vezes falou, é questão de vida nova em Cristo. Os novos carismas poderão ser voz indicativa de outro estilo, ou espírito, mais condizente com a novidade do Evangelho, pois, a vida é sempre novidade. O Evangelho não pode perder o caracter de novidade!
2012-09-27 10:48:50
Plano de Pastoral / São ao redor de 50 anos, desde meus 35, que nasceu o Plano de Pastoral. Sempre estive "com um pé atrás" a respeito. Entendi que o Plano iria fixar-nos num "espírito" demais dependente do mundo tecnólogico, diria cartesiano, e que iria privilegiar a razão, o ensino, enquanto que a evangelização, como a entendo, e como Bento XVI várias vezes falou, é questão de vida nova em Cristo. Os novos carismas poderão ser voz indicativa de outro estilo, ou espírito, mais condizente com a novidade do Evangelho, pois, a vida é sempre novidade. O Evangelho não pode perder o caracter de novidade!
sábado, 15 de setembro de 2012
Teologia do caminho e do templo
Há um mês, Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS, esteve entre nós dando um curso de pastoral urbana. 1. Seu método: a mediação das ciências sociais. "São estas que descrevem e retratam o terreno da realidade sobre a qual floresce a reflexão teológica. De fato, falar sobre Deus é falar sobre a mística humana, em sua busca irrequieta e suas manifestações, ritos e comportamentos sócio-políticos. Daí se engendra o conceito de circulo hermeneutico...".
Minhas dúvidas: Onde fica a revelação de Deus sobre a qual se funda a teologia? Que sentido tem a "mística humana"? A vida cristã deve ser medida pela epopéia do Êxodo, ou pela vida de Cristo? Jesus deve ser medido pelo "viu a miséria", "ouviu o clamor" e "conheceu o sofrimento"? Ou pelo "designio de reunir em Cristo todas as coisas" (Ef 1,10), depois que a humanidade, e com ela toda a criação, se afastou de Deus, o que se chama de pecado? 2. Essa teologia do "círculo hermenêutico" considero-a enganosa, porque, ao fundar-se sobre o Antigo Testamento, pode-se admitir que é parcialmente verdadeira. Não foi por acaso que após a úlgima grande guerra, teólogos católicos estiveram atribuindo maior dinamismo à ideologia do marxismo, que pode ser interpretada como tirada do A. T. Por nada Carlos Marx não foi de familia judia convertida após ao cristianismo. Nessa ideologia imperam o messianismo, o profetismo, a justiça, a luta, todos valores do A.T. e...marxistas. Com Jesus esses valores ganham todo outro sentido. Pois, para o N.T. não é a pobreza, a miséria, a doença, o "clamor" o "sofrimento", o mal absoluto. O mal absoluto é a perda da vida eterna, na perspectiva do limite de nossa existência. Sim, "é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco, que tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno... é melhor para ti entrares na vida cego de um olho, que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena" (Mt 18,8s.). Portanto, o mal absoluto é o pecado do afastamento de Deus... Vencer esse pecado foi o "desígnio" de Deus Pai e não foi vencer a limitação da vida, a pobreza, a doença, a injustiça, etc.
Minhas dúvidas: Onde fica a revelação de Deus sobre a qual se funda a teologia? Que sentido tem a "mística humana"? A vida cristã deve ser medida pela epopéia do Êxodo, ou pela vida de Cristo? Jesus deve ser medido pelo "viu a miséria", "ouviu o clamor" e "conheceu o sofrimento"? Ou pelo "designio de reunir em Cristo todas as coisas" (Ef 1,10), depois que a humanidade, e com ela toda a criação, se afastou de Deus, o que se chama de pecado? 2. Essa teologia do "círculo hermenêutico" considero-a enganosa, porque, ao fundar-se sobre o Antigo Testamento, pode-se admitir que é parcialmente verdadeira. Não foi por acaso que após a úlgima grande guerra, teólogos católicos estiveram atribuindo maior dinamismo à ideologia do marxismo, que pode ser interpretada como tirada do A. T. Por nada Carlos Marx não foi de familia judia convertida após ao cristianismo. Nessa ideologia imperam o messianismo, o profetismo, a justiça, a luta, todos valores do A.T. e...marxistas. Com Jesus esses valores ganham todo outro sentido. Pois, para o N.T. não é a pobreza, a miséria, a doença, o "clamor" o "sofrimento", o mal absoluto. O mal absoluto é a perda da vida eterna, na perspectiva do limite de nossa existência. Sim, "é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco, que tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno... é melhor para ti entrares na vida cego de um olho, que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena" (Mt 18,8s.). Portanto, o mal absoluto é o pecado do afastamento de Deus... Vencer esse pecado foi o "desígnio" de Deus Pai e não foi vencer a limitação da vida, a pobreza, a doença, a injustiça, etc.
sábado, 8 de setembro de 2012
Duas tendências na Igreja
Duas tendências na Igreja, hoje
Recebi poucas, mas muito significativas apreciações sobre minha última crônica. Uma jornalista, ex-aluna minha no curso de filosofia, escreveu-me: “Parabéns pela sua crônica desta semana: 'O que se passa na Igreja, hoje'. É muito bom ver um padre com esta lucidez e coragem pra dizer isso...”. Outra opinião veio-me de um professor de teologia: “...gostei muito do seu último artigo para a Razão. Continue a ensinar teologia...”.
Pensei que esse seria um estímulo suficiente para abordar um tema de conseqüências ainda mais amplas na Igreja, o de duas tendências generalizadas. Essas duas tendências poderiam ser representadas pelos dois grandes movimentos designados por frei Clodovis Boff, irmão de Leonardo, com os nomes “libertadores” e “carismáticos” (cf. Revista Eclesiástica Brasileira (REB), março de2000).
A meu ver o que esses dois movimentos representam é um modo secular e diferente de encarar a vida cristã. De um lado estão aqueles que dão primazia à ação humana, à eficiência na ação, à “prática da fé” e, de outro lado, aqueles que acentuam a fé, a ação de Deus nas pessoas, na sociedade, no mundo. Os primeiros terminam com muita facilidade “supondo” a intervenção de Deus na vida das pessoas, os segundos atribuem prioridade à presença e à ação de Deus em tudo, como, aliás, deve ser. Os primeiros falam da eficiência no “seguimento comprometido” de Jesus (cf prefácio da edição Loyola do documento de Santo Domingo), os segundos falam de sermos meros instrumentos dependentes da verdadeira e última causa de tudo o que acontece. Assim a designação de “libertadores e carismáticos” reflete bastante bem a diversidade de tendências na vida e no apostolado da Igreja, hoje.
Não podemos atribuir aos “libertadores” a negação da graça, o que significaria simplesmente atribuir-lhes a pecha de heresia pelagiana. Entretanto, eles adotam uma postura tal que os coloca na fronteira dessa heresia. Considero que foi essa postura que levou o cardeal de Bruxelas a afirmar que o pelagianismo é o maior perigo atual da Igreja.
O pelagianismo teve origem no século IV de um monge irlandês que se chamava Pelágio. Esse monge achou por bem negar, ou desconsiderar a ação da graça de Deus na nossa justificação e, portanto, na nossa salvação. Esse ensinamento, no fim do século IV e inicio do século V, foi combatido com todo o vigor por Santo Agostinho e por São Jerônimo.
Dando primazia ao “seguimento comprometido de Jesus Cristo”, Jesus passaria a representar mero “modelo”, ou um “auxiliar” na prática pastoral. Não é visto e vivenciado como causa eficiente dessa mesma prática. A acentuação então recai sobre nossos “planejamentos” e nossa ação, ainda tomando Jesus Cristo apenas como “exemplo” e “modelo”. Não se chega a atribuir a Jesus verdadeira causalidade e eficiência de tudo o que acontece na Igreja e no mundo, de acordo com o que ele próprio afirmou: “... quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo, 15, 05).
Estimo que por não ser sensível à causalidade de Deus, não se atribui suficiente importância a esse fator que passa a representar coisa “abstrata”, “teórica”, sem muita influência na vida e na prática pastoral. E assim essa causalidade de Jesus é “suposta”, como o reconheceu o próprio fundador da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez.
Convém citar Bento XVI: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as conseqüências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, um tal pressuposto não só deixou de existir, mas freqüentemente acaba até negado” (Cfr. Porta Fidei, nº 2).
Vejo que o grande problema está em se entender melhor a relação entre essas duas tendências da Igreja, hoje. Na verdade ali está o grande problema. Se entendêssemos essa relação teríamos mais facilidade em entender como andam juntas “fé” e “prática da fé”. Na próxima crônica, se Deus quiser...
Recebi poucas, mas muito significativas apreciações sobre minha última crônica. Uma jornalista, ex-aluna minha no curso de filosofia, escreveu-me: “Parabéns pela sua crônica desta semana: 'O que se passa na Igreja, hoje'. É muito bom ver um padre com esta lucidez e coragem pra dizer isso...”. Outra opinião veio-me de um professor de teologia: “...gostei muito do seu último artigo para a Razão. Continue a ensinar teologia...”.
Pensei que esse seria um estímulo suficiente para abordar um tema de conseqüências ainda mais amplas na Igreja, o de duas tendências generalizadas. Essas duas tendências poderiam ser representadas pelos dois grandes movimentos designados por frei Clodovis Boff, irmão de Leonardo, com os nomes “libertadores” e “carismáticos” (cf. Revista Eclesiástica Brasileira (REB), março de2000).
A meu ver o que esses dois movimentos representam é um modo secular e diferente de encarar a vida cristã. De um lado estão aqueles que dão primazia à ação humana, à eficiência na ação, à “prática da fé” e, de outro lado, aqueles que acentuam a fé, a ação de Deus nas pessoas, na sociedade, no mundo. Os primeiros terminam com muita facilidade “supondo” a intervenção de Deus na vida das pessoas, os segundos atribuem prioridade à presença e à ação de Deus em tudo, como, aliás, deve ser. Os primeiros falam da eficiência no “seguimento comprometido” de Jesus (cf prefácio da edição Loyola do documento de Santo Domingo), os segundos falam de sermos meros instrumentos dependentes da verdadeira e última causa de tudo o que acontece. Assim a designação de “libertadores e carismáticos” reflete bastante bem a diversidade de tendências na vida e no apostolado da Igreja, hoje.
Não podemos atribuir aos “libertadores” a negação da graça, o que significaria simplesmente atribuir-lhes a pecha de heresia pelagiana. Entretanto, eles adotam uma postura tal que os coloca na fronteira dessa heresia. Considero que foi essa postura que levou o cardeal de Bruxelas a afirmar que o pelagianismo é o maior perigo atual da Igreja.
O pelagianismo teve origem no século IV de um monge irlandês que se chamava Pelágio. Esse monge achou por bem negar, ou desconsiderar a ação da graça de Deus na nossa justificação e, portanto, na nossa salvação. Esse ensinamento, no fim do século IV e inicio do século V, foi combatido com todo o vigor por Santo Agostinho e por São Jerônimo.
Dando primazia ao “seguimento comprometido de Jesus Cristo”, Jesus passaria a representar mero “modelo”, ou um “auxiliar” na prática pastoral. Não é visto e vivenciado como causa eficiente dessa mesma prática. A acentuação então recai sobre nossos “planejamentos” e nossa ação, ainda tomando Jesus Cristo apenas como “exemplo” e “modelo”. Não se chega a atribuir a Jesus verdadeira causalidade e eficiência de tudo o que acontece na Igreja e no mundo, de acordo com o que ele próprio afirmou: “... quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo, 15, 05).
Estimo que por não ser sensível à causalidade de Deus, não se atribui suficiente importância a esse fator que passa a representar coisa “abstrata”, “teórica”, sem muita influência na vida e na prática pastoral. E assim essa causalidade de Jesus é “suposta”, como o reconheceu o próprio fundador da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez.
Convém citar Bento XVI: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as conseqüências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, um tal pressuposto não só deixou de existir, mas freqüentemente acaba até negado” (Cfr. Porta Fidei, nº 2).
Vejo que o grande problema está em se entender melhor a relação entre essas duas tendências da Igreja, hoje. Na verdade ali está o grande problema. Se entendêssemos essa relação teríamos mais facilidade em entender como andam juntas “fé” e “prática da fé”. Na próxima crônica, se Deus quiser...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Seguimento de Cristo (2)
O texto anterior sobre esse tema permaneceu truncado. Importa aclarar algo mais. Começaria insistindo que a teologia cristã deverá saber referir tudo ao fato maior, à "fé e vida em Cristo". A consequência do que tenho postado no primeiro texto a respeito do que nos veio fazer Cristo, nos leva a dizer que o seguimento de Cristo não se refere a um ato extrínseco de seguir à frente ou atrás de Cristo. Nem sequer de seguir ao lado de Cristo. Refere-se a ser parceiro livre de Cristo em tudo que fazemos.
Quando Deus criou homem e mulher, disse: "façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gn 1,26). Ora, com a vinda de Jesus Cristo aconteceu uma "nova criação". Não somente nós, mas, de alguma forma, toda a criação é constituida "nova criatura", pois, "eis que tudo se fez novo!" (2Cor 5,17). Tudo segundo "um desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra" (Ef 1,10). A criação toda, com efeito, "na esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus, geme e sofre como que dores de parto até ao presente dia..." (Rom 8, 8,21-22).
Com isso, no Novo Testamento, é como se Deus dissesse: façamos o homem à imagem e semelhança de meu eterno Filho! "Filhos no Filho", como se acha nos documentos do Concilio Vaticano II.
O seguimento de Cristo, nesta perspectiva, é entendido como um ser outro Cristo, como também um agir de Cristo. Tem-se dito com grande propriedade que o agir de uma pessoa, ordenada com o Sacramento da Ordem, acontece in persona Christi, quer dizer essa pessoa faz às vezes de Cristo, encarna a pessoa de Cristo, fala como Cristo, como outro Cristo. Por isso, no sacramento da confissão e também na Eucaristia ele não diz "Deus te perdoa", ou "este é o corpo de Cristo", mas diz: "eu te perdoo" e, "isto é o meu corpo".
Todo cristão batizado, porém, participa de maneira distinta, mas real, de ser outro Cristo, a fim de também dizer palavras de Cristo. Sobretudo, na familia, os pais são habilitados a dizer palavras de Cristo a seus filhos. E assim em todo relacionamento entre cristãos.
Portanto, como filhos de Deus, "nova criatura", somos todos vocacionados a sermos outro Cristo. Tenho, na pregação, provocado a hilaridade do público, ao afirmar que nossa vocação é de sermos "Jesuszinhos" no mundo.
Acredito que com esse apelativo tenho ilustrado melhor o que significa o seguimento de Jesus. Seria a forma real, verdadeira, de representar Jesus. Não só por chamado e nomeação da parte dele, mas também por ter-nos feito "novas criaturas", "à sua imagem e semelhança", outro Cristo.
Como "novas criaturas", mas sempre criaturas, a realidade de Deus não permite, entretanto, sermos mais do que instrumentos livres, parceiros livres do Cristo, constituidos pela participação de sua natureza, num gesto de sua infinita bondade (2Pd, 1,4).
Portanto, o seguimento de Cristo é algo que não pode ser entendido como qualquer seguimento, mas é preciso entendê-lo num sentido único e singular.
Jesus, felizmente, usou a imagem de grande significado, ao comparar o seguimento à relação existente entre o tronco e os ramos de uma videira. Os ramos darão muito fruto na medida em que se conservarem unidos ao tronco. Verbalmente, disse: "o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira". Assim, o evangelho de João, em pouco mais de vinte linhas repete a palavra "permanecer em mim" seis vezes. Com essa imagem dos ramos unidos ao tronco ele caracteriza de forma perfeita o seguimento (Jo 15, 1-8). Ler com muita atenção esse texto de João, traz para o que vimos acima verdadeira luz.
Quando Deus criou homem e mulher, disse: "façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gn 1,26). Ora, com a vinda de Jesus Cristo aconteceu uma "nova criação". Não somente nós, mas, de alguma forma, toda a criação é constituida "nova criatura", pois, "eis que tudo se fez novo!" (2Cor 5,17). Tudo segundo "um desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra" (Ef 1,10). A criação toda, com efeito, "na esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus, geme e sofre como que dores de parto até ao presente dia..." (Rom 8, 8,21-22).
Com isso, no Novo Testamento, é como se Deus dissesse: façamos o homem à imagem e semelhança de meu eterno Filho! "Filhos no Filho", como se acha nos documentos do Concilio Vaticano II.
O seguimento de Cristo, nesta perspectiva, é entendido como um ser outro Cristo, como também um agir de Cristo. Tem-se dito com grande propriedade que o agir de uma pessoa, ordenada com o Sacramento da Ordem, acontece in persona Christi, quer dizer essa pessoa faz às vezes de Cristo, encarna a pessoa de Cristo, fala como Cristo, como outro Cristo. Por isso, no sacramento da confissão e também na Eucaristia ele não diz "Deus te perdoa", ou "este é o corpo de Cristo", mas diz: "eu te perdoo" e, "isto é o meu corpo".
Todo cristão batizado, porém, participa de maneira distinta, mas real, de ser outro Cristo, a fim de também dizer palavras de Cristo. Sobretudo, na familia, os pais são habilitados a dizer palavras de Cristo a seus filhos. E assim em todo relacionamento entre cristãos.
Portanto, como filhos de Deus, "nova criatura", somos todos vocacionados a sermos outro Cristo. Tenho, na pregação, provocado a hilaridade do público, ao afirmar que nossa vocação é de sermos "Jesuszinhos" no mundo.
Acredito que com esse apelativo tenho ilustrado melhor o que significa o seguimento de Jesus. Seria a forma real, verdadeira, de representar Jesus. Não só por chamado e nomeação da parte dele, mas também por ter-nos feito "novas criaturas", "à sua imagem e semelhança", outro Cristo.
Como "novas criaturas", mas sempre criaturas, a realidade de Deus não permite, entretanto, sermos mais do que instrumentos livres, parceiros livres do Cristo, constituidos pela participação de sua natureza, num gesto de sua infinita bondade (2Pd, 1,4).
Portanto, o seguimento de Cristo é algo que não pode ser entendido como qualquer seguimento, mas é preciso entendê-lo num sentido único e singular.
Jesus, felizmente, usou a imagem de grande significado, ao comparar o seguimento à relação existente entre o tronco e os ramos de uma videira. Os ramos darão muito fruto na medida em que se conservarem unidos ao tronco. Verbalmente, disse: "o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira". Assim, o evangelho de João, em pouco mais de vinte linhas repete a palavra "permanecer em mim" seis vezes. Com essa imagem dos ramos unidos ao tronco ele caracteriza de forma perfeita o seguimento (Jo 15, 1-8). Ler com muita atenção esse texto de João, traz para o que vimos acima verdadeira luz.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Seguimento de Cristo
A realidade do "Seguimento de Cristo", é hoje, repetida em toda parte. Na V Conferência dos bispos da América Latina e Caribe, em Aparecida, maio de 2007, Bento XV, no discurso de abertura deu o tom para os bispos reunidos, ao afirmar que "a fé e a vida em Cristo é prioritária". Os bispos parece que entenderam o recado e o traduziram no Documento final.
Importa, dizer uma palavra sobre essa meta da vida cristã, o "seguimento de Cristo". Como poderíamos expressá-lo novamente, em busca de refazer em todos os que o buscam sua melhor compreensão?
Em primeiro lugar, proponho recordar que quando Deus age, também cria. E, ao criar, Deus é sempre generoso, magnânimo. Ele comunica às suas criaturas uma natureza com capacidade de agir e de recriar. No vasto gênero da vida, por exemplo, todo ser vivo é constituido de capacidade de ação, de produzir efeitos proporcionais à sua natureza. Ser vivo é ser capaz de agir, de se mover autonomamente.
Esse autonomia, porém, por se tratar de criatura, nunca estará acontecendo em absoluta independência de seu criador. Nada pode acontecer de forma absolutamente autônoma. Só o Criador goza de absoluta autonomia. Mas tudo o que é criado não pode arrogar-se tal autonomia. Daí que a primeira consideração de toda criatura deve levar em conta esse fato de absoluta dependência. A revolta contra Deus, sempre foi libertária, coisa impossivel e absurda para a criatura.
Em segundo lugar, quando Deus, em sua infinita bondade, nos "recriou" em Jesus Cristo, foi novamente magnânimo. Enriqueceu nossa natureza de criatura, de uma "sobre-natureza". Uma sobrenatureza que não é "sobre", mas que informa nossa natureza de uma realidade nova capaz de nos fazer agir de forma nova. Assim se diz que devemos nos "com-formar" em Cristo, tendo ele nos feito "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4). Jesus expressou-o de outra maneira, dizendo que deveríamos "nascer de novo" Esse prodígio, Jesus disse que aconteceria "pela água e pelo Espírito Santo" (Jo 3,1s).
Em terceiro lugar, é nessa perspectiva que acontece o "Seguimento de Cristo". Isto é, Jesus, dando-nos outra vida, vida nova, pois "todo aquele que está em Cristo, é uma nova criatura" (2Cor 5,17), ele sinalizou o seguimento. O seguimento, desde esse momento do "nascer de novo" se tornou um seguimento de parceria. Aqui verte a missionariedade. Entretanto, sendo nós "novas criaturas", seremos aqui também e sempre criaturas, dependentes em todo nosso agir. Deus não pode abdicar de ser Deus, Absoluto. Nada poderá acontecer fora de sua realidade de ser Deus, nem ser algum e muito menos algum agir.
Em quarto e último lugar, aqui reside a maior de todas as controvérsias na história da Igreja. Isto é, como é possível que dois agentes, Deus e seu parceiro, ambos agentes livres produzirem a mesma ação missionária, sem se repartirem as tarefas e também, é evidente, sem considerá-las relacionando-se com independência e por vínculos mais ou menos externos, como sejam a "dialética", ou "articulação. Há um só caminho de relação. É o caminho da dependência. Nós, parceiros livres, agimos dependentes da causa primeira e universal de tudo quanto acontece. Um exemplo material é o seguinte: O músico toca toda a música e o instrumento musical toca também toda a mesma música, mas na dependência. Sendo, entretanto, que nós somos livres e Deus é sumamente livre, como se compaginam duas causas livres? Não pode ser numa dependência como o instrumento musical depende do músico. Aqui há dependência na composição da música e também na execussão. Qual a resposta? Nossa dependência instrumental, deve reger-se pela atitude da criatura racional e livre que, por ser criatura, depende essencialmente tanto no ser como no agir. Essa atitude tenho-a expresso com quatro palavras chaves: 1) "intimidade". Isto é, se dependemos também no plano, no projeto, devemos conhecê-lo e para isso devemos entrar na intimidade de Deus. 2) "docilidade". Se é plano de Deus, é preciso dispor-se. Para tanto, suplicar os dons da sabedoria e da fortaleza. 3) Só assim acontecerá o SEGUIMENTO!
Em quarto lugar, sendo nós "parceiros" na missionariedade, surge o eterno problema
Importa, dizer uma palavra sobre essa meta da vida cristã, o "seguimento de Cristo". Como poderíamos expressá-lo novamente, em busca de refazer em todos os que o buscam sua melhor compreensão?
Em primeiro lugar, proponho recordar que quando Deus age, também cria. E, ao criar, Deus é sempre generoso, magnânimo. Ele comunica às suas criaturas uma natureza com capacidade de agir e de recriar. No vasto gênero da vida, por exemplo, todo ser vivo é constituido de capacidade de ação, de produzir efeitos proporcionais à sua natureza. Ser vivo é ser capaz de agir, de se mover autonomamente.
Esse autonomia, porém, por se tratar de criatura, nunca estará acontecendo em absoluta independência de seu criador. Nada pode acontecer de forma absolutamente autônoma. Só o Criador goza de absoluta autonomia. Mas tudo o que é criado não pode arrogar-se tal autonomia. Daí que a primeira consideração de toda criatura deve levar em conta esse fato de absoluta dependência. A revolta contra Deus, sempre foi libertária, coisa impossivel e absurda para a criatura.
Em segundo lugar, quando Deus, em sua infinita bondade, nos "recriou" em Jesus Cristo, foi novamente magnânimo. Enriqueceu nossa natureza de criatura, de uma "sobre-natureza". Uma sobrenatureza que não é "sobre", mas que informa nossa natureza de uma realidade nova capaz de nos fazer agir de forma nova. Assim se diz que devemos nos "com-formar" em Cristo, tendo ele nos feito "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4). Jesus expressou-o de outra maneira, dizendo que deveríamos "nascer de novo" Esse prodígio, Jesus disse que aconteceria "pela água e pelo Espírito Santo" (Jo 3,1s).
Em terceiro lugar, é nessa perspectiva que acontece o "Seguimento de Cristo". Isto é, Jesus, dando-nos outra vida, vida nova, pois "todo aquele que está em Cristo, é uma nova criatura" (2Cor 5,17), ele sinalizou o seguimento. O seguimento, desde esse momento do "nascer de novo" se tornou um seguimento de parceria. Aqui verte a missionariedade. Entretanto, sendo nós "novas criaturas", seremos aqui também e sempre criaturas, dependentes em todo nosso agir. Deus não pode abdicar de ser Deus, Absoluto. Nada poderá acontecer fora de sua realidade de ser Deus, nem ser algum e muito menos algum agir.
Em quarto e último lugar, aqui reside a maior de todas as controvérsias na história da Igreja. Isto é, como é possível que dois agentes, Deus e seu parceiro, ambos agentes livres produzirem a mesma ação missionária, sem se repartirem as tarefas e também, é evidente, sem considerá-las relacionando-se com independência e por vínculos mais ou menos externos, como sejam a "dialética", ou "articulação. Há um só caminho de relação. É o caminho da dependência. Nós, parceiros livres, agimos dependentes da causa primeira e universal de tudo quanto acontece. Um exemplo material é o seguinte: O músico toca toda a música e o instrumento musical toca também toda a mesma música, mas na dependência. Sendo, entretanto, que nós somos livres e Deus é sumamente livre, como se compaginam duas causas livres? Não pode ser numa dependência como o instrumento musical depende do músico. Aqui há dependência na composição da música e também na execussão. Qual a resposta? Nossa dependência instrumental, deve reger-se pela atitude da criatura racional e livre que, por ser criatura, depende essencialmente tanto no ser como no agir. Essa atitude tenho-a expresso com quatro palavras chaves: 1) "intimidade". Isto é, se dependemos também no plano, no projeto, devemos conhecê-lo e para isso devemos entrar na intimidade de Deus. 2) "docilidade". Se é plano de Deus, é preciso dispor-se. Para tanto, suplicar os dons da sabedoria e da fortaleza. 3) Só assim acontecerá o SEGUIMENTO!
Em quarto lugar, sendo nós "parceiros" na missionariedade, surge o eterno problema
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